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Manga Lima

Manga Lima

16
Out19

15 de Outubro de 2012 - 7 anos depois

Manga Meia-Loira

Foi há sete anos. Eu estava anestesiada e não sabia o que se seguiria nem poderia fazer ideia. Nestes sete anos a vida continuou a girar: eu fui, voltei, fiz a licenciatura, fiz o mestrado, comecei a estagiar, fiz amigos para lá de especiais, fui infinitamente feliz na universidade, sonhei muito com tudo, apaixonei-me, fiquei emocionalmente arrasada, tive sempre a força e a resiliência necessárias para continuar e levar tudo à frente acontecesse o que acontecesse, consegui que o apartamento fosse vendido, consegui que o negócio do café se concretizasse, consegui que eles traçassem um plano para voltar e vi nascer o sonho que os vai trazer de volta. Quis todos os dias, antes e para lá de qualquer coisa, que eles voltassem. Sempre. Não sei se aquilo que coube dentro destes sete anos foi o que eu queria naquele dia. Sei, de forma absoluta, que fui até ao limite do impossível para que tudo o que eu quero se concretize. Muita coisa já se concretizou, falta o resto. E que eu tenha sempre a força e a resiliência necessárias para insistir, persistir e voltar a insistir até conseguir o que eu quero. Quanto ao resto, tenho de prometer a mim que me vou lembrar sempre de todos os sonhos que ainda tenho por realizar. E sei, como sempre soube e como o soube há sete anos, que esses sonhos estão todos aqui: no sítio que me viu nascer, crescer e que faço questão de pisar todos os dias.

"Sem esta terra funda e fundo rio,
Que ergue as asas e sobe, em claro voo,
Sem estes ermos montes e arvoredos,
Eu não era o que sou." 

(Teixeira de Pascoaes)

Há sete anos, hoje e sempre. Porque eu sou feita de terra: da terra onde pertenço e que me fez ser o que sou. Da terra onde estiveram, estão e vão estar todos os sonhos. Esta é uma das maiores certezas que tenho na vida.

11
Out19

"Um dia escrevo uma tese" - Já escrevi!

8 de outubro de 2019 - 14:40h

Manga Meia-Loira

No dia 12 de março de 2019 escrevi aqui um post que se chamava "Um dia escrevo uma tese". Fui agora relê-lo e ri-me, ri-me muito. Eu achava mesmo impossível, na altura, fazer e entregar a tese a tempo. Acontece que a tese já está escrita, entregue, e ainda nem acabou o prazo normal. Imprimi-a há uma semana e fui entregá-la terça. Está feito. Não há muito a dizer sobre o dia em que se entrega uma tese: faltam-nos palavras e sobram emoções. Tenho a dizer que fui muito feliz durante a escrita da tese, fui mesmo. Foi um caminho muito mais leve, tranquilo e bonito do que eu poderia ter esperado. Só me senti cansada na parte final, quando tive de rever e reler tudo. Percebo que o caminho foi feliz e traquilo porque foram muito poucas as vezes em que me apeteceu bater com a porta e largar tudo. Aliás, foi tudo tão leve e tão bonito que isso nem me passou pela cabeça. E ainda bem. Está feito e fico para sempre infinitamente grata a mim, aos meus, à Vida e a Deus por isto.

Tenho só de deixar aqui aquela que foi a banda sonora de grande parte da tese. Houve mais, e poderia ir buscar a música de Jorge Palma que nos diz que "Enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar", ou a música da Ana Vilela que nos diz que "Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu, É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu", mas esta foi a principal.

"E a vida não vai parar,
Vai como vento,
Tens tudo a dar
Não percas tempo.
Podes saber, que vais chegar
Onde Deus te levar" 

in "Onde Deus te levar".

07
Out19

Quando a abstenção supera tudo

Manga Meia-Loira

Acho que as eleições de ontem não trouxeram assim tão grandes surpresas. O PS ganha sem maioria, o PSD perde e encara isso como uma vitória porque esperava que fosse pior, o CDS espalha-se à grande, o BE continua e a CDU perde bastante. Depois há os pequenos e pronto, não houve assim grandes surpresas.

Para lá dos paridos e dos seus resultados, há que olhar para a abstenção e pensar nela de forma séria. É assustador e preocupante que, depois de tantos terem lutado pelo direito ao voto, haja tantos que o ignorem e assobiem para o lado. É ainda mais assustador porque acho que grande parte dessa abstenção vem dos jovens: jovens que deveriam ser os mais interessados em escolher aquilo que querem, em escolher o país em que querem viver, em escolher o futuro que querem para o país e para si. Não consigo conceber a ideia de se ficar assim, numa inércia gritante e a assobiar para o lado, num desinteresse que é inqualificável. É deixar que os outros tracem o caminho e escolham o futuro por nós... será que é assim tão difiícil e tão exigente andar uns metros e votar? E ainda há outro fator: acredito que muitas das pessoas que ontem não se dignaram a ir votar são depois as primeiras a reclamar de tudo.

Li hoje um texto em que a autora dizia que liberdade significa ter o direito de não querer votar. Dizia ela que o voto é um direito e, por isso, é possível escolher não o exercer. O que ela disse está, pelo menos do ponto de vista legal, correto: não tendo nós um sistema de voto obrigatório, as pessoas podem de facto não ir votar (e fazem-no sem qualquer problema, como se vê). Acrescentava a autora que essas pessoas, depois, tinham toda a legitimidade para reclamar. Não acho que tenham. Não posso achar e não podia discordar mais dessa opinião. Não consigo atribuir qualquer legitimidade nem qualquer valor a quem vem reclamar, depois de ter assobiado para o lado e ter deixado que fossem os outros a escolher, numa inércia e num não querer saber que são inqualificáveis. Acho mesmo que, quando a abstenção chega aos (quase) 50% - quando metade dos eleitores simplesmente não vai votar e não quer saber - é importante começar a equacionar o voto obrigatório. Não é normal nem aceitável que metade das pessoas não se dignem a ir votar. Aliás, e mais importante que isso, as próprias eleições e os eleitos deixam de ter a legitimidade que sempre deveriam ter. Por isso sim, nunca me tinha passado pela cabeça mas ontem comecei a achar que caminhamos para um sistema de voto obrigatório. Se vivemos em sociedade, não nos podemos demitir simplesmente de esolher aquilo que queremos para nós e para o país. As pessoas tem de ser chamadas à sua responsabilidade. Mais importante ainda que isso é a legitmidade: umas eleições onde metade não vota (no futuro talvez mais de metade) deixam de ter a legitimidade que a democracia exige. Não me lixem, mas houve demasiadas pessoas a lutar por este direito para que tantos se demitam de o exercer.

03
Out19

Gratidão também é...

Manga Meia-Loira

Esta que aqui escreve tem andado um bocadinho fora do planeta Terra e tem andado a passar grande parte dos últimos dias a viver num planeta chamado "Acabar e entregar a tese". Ainda assim, esta que aqui escreve vai passando pelo Sapo e tem percebido que se tem falado muito em gratidão. Nos entretantos, esta pessoa escreveu os agradecimentos da tese (só podia, não é?! ahahahha) e lembrou-se que está lá muito daquilo por que é grata. Desde a família aos amigos, aquilo espelha muito daquilo que eu sou e daquilo que tenho de bom, e por isso achei por bem deixar aqui registado. 

 

" Quando concluímos uma etapa ou alcançamos uma meta, devemos sempre fazer uma retrospetiva do caminho que percorremos e lembrar todos aqueles que nos ajudaram a chegar lá. Esta dissertação, embora seja um trabalho meu, só se concretizou porque houve um conjunto de pessoas que fizeram parte do caminho e contribuíram de várias formas para que ela acontecesse. Assim, tenho de dizer que me sentirei sempre grata pelo contributo que cada um deu.

 

            Ao meu orientador, tenho de agradecer todas as sugestões, críticas e correções, que muito contribuíram para melhorar este trabalho, assim como o apoio e incentivo.

 

            À (minha) Universidade e a todas as pessoas que fazem parte dela, tenho de agradecer o facto de me ter sentido em casa durante todos os dias deste caminho e de dizer que me sinto muito feliz por isso.

 

            Aos meus pais, à minha irmã, aos meus tios e aos meus primos, tenho de agradecer o amor incondicional, o suporte em todos os momentos e o facto de acreditarem tanto em mim. Eles serão sempre a minha raiz, a minha base e a minha maior fonte de vida e de energia.

 

            Às minhas amigas de curso, tenho de agradecer o facto de terem sido as melhores companheiras que poderia ter desejado para percorrer este caminho. Estarei sempre grata por toda a amizade, por todas as partilhas, por todas as conversas, por todos os projetos em que embarcamos juntas e por todos os momentos. Esta passagem foi infinitamente mais bonita, mais completa e mais fácil graças a elas.

 

            Aos meus amigos de sempre, e são de sempre porque já perdi a conta aos anos de amizade, tenho de agradecer a presença em todos os momentos, a amizade, o apoio constante e o facto de acreditarem tanto em mim. É muito bom perceber que crescemos juntos e vamos partilhando as etapas da vida uns com os outros. Lembrar-me-ei sempre de todas as vezes em que eles me fizeram sorrir, passear, conversar e entrar noutros mundos para além do Direito. Isso tornou este caminho ainda mais bonito e mais leve.

 

            À minha patrona, tenho de agradecer a amizade, as conversas, as partilhas, os ensinamentos, o apoio e o incentivo. Ela deu-me tempo e espaço para que esta dissertação se realizasse e estou muito grata por isso.

 

            A todas as outras pessoas amigas, amigas da minha família e conhecidas, tenho de agradecer pelas palavras de apoio e incentivo que tantas vezes recebi e por todas as conversas e momentos bonitos que partilhamos.

 

À Vida e a Deus, porque este percurso foi ainda mais bonito, mais completo, mais feliz e mais enriquecedor do que eu poderia ter imaginado."

26
Set19

A tese e a vida à volta da tese

Manga Meia-Loira

Eu podia (e queria) escrever sobre muitas outras coisas. Podia escrever sobre a forma tão bonita como tive dois fins-de-semana de paz e tranquilidade, podia escrever sobre o amor, sobre os amigos ou sobre o estágio. Sobre desejos e sonhos, ou sobre medos e receios. Podia escrever sobre o dia-a-dia ou sobre o meu cão. Mas não dá. Estou a terminar a tese e todo o meu tempo vai para a tese e para os últimos pormenores. O texto está escrito e não é para mexer, mas as citações estão a dar cabo de mim. E então não tenho espaço nem tempo para muito mais.

 

Se me perguntarem se estou feliz, tenho de dizer que estou. Estou mesmo. Nem nas minhas melhores expectativas eu teria achado, há nove meses, que seria possível entregar a tese no prazo normal. A estagiar todos os dias e com as aulas da Ordem pelo meio, achei sempre que teria de adiar. Como em tudo neste meu percurso académico, a vida surpreendeu-me e fez-me alcançar aquilo que desejei mas não achei possível. Está quase tudo pronto e acho que só vou acreditar - e sorrir muito, assim muito muito - quando vir a tese impressa e entregue. Há muito tempo que não conseguia este sentimento de realização e de missão cumprida, há mesmo muito tempo. Tive-o e vivi-o intensamente no fim da licenciatura, mas depois disso nunca consegui chegar perto dele. Pelo meio meteu-se o desamor, a ausência dos meus, a frustração do primeiro ano do mestrado... e acho que duvidei muito e muitas vezes (mesmo muitas) que algum dia pudesse chegar a esse lugar feliz e brilhante que atingimos quando concluímos uma meta que é muito nossa. Talvez por isso - porque estes meses e anos desde que acabei a licenciatura foram tão duros e tão emocionalmente esgotantes e desgastantes - o concluir deste objetivo de vida tenha um significado tão cheio de brilho e de uma felicidade tão bonita. 

14
Set19

A meia-loira conclui a tese... na praia

Manga Meia-Loira

Uma pessoa tem de fazer as conclusões da tese. E depois tem de escolher entre ficar em casa sozinha a fazê-lo ou ir para a praia com a família. E vai daí, uma pessoa vai para a praia e monta o escritório lá. Se um dia me disserem que as conclusões foram escritas na praia... eu nego. E só não digo que isto é o melhor de dois mundos porque me dói o pescoço de estar sentada no chão a escrever.

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13
Set19

La Casa de Papel

Manga Meia-Loira

Eu não fui na onda e, portanto, não vi a série quando ela saiu. Nem vi depois, quando toda a gente lá em casa viu. Aliás, a ideia de se fazer uma série sobre um assalto brilhante a uma instituição que existe até me fez um bocadinho de confusão. Acontece que no fim de agosto, há uns dias, decidi começar a ver a série. Só porque sim e porque fui naquela onda de “Se toda a gente diz que é assim tão especial, então algo de bom a série deve ter”. E pronto, o que sucedeu veio provar que afinal eu sou tão humana quanto todas as outras pessoas, e acabei por adorar a série e por me deixar apaixonar por ela e pelas personagens. Vi tudo, com uma curiosidade imensa, e cheguei ao último episódio com uma sensação de “Mas o que é que vai acontecer agora?”. Pronto, demorou mas cedi e, dando o corpo às balas (ou às séries), tenho de admitir que a série está excelente. Fossem todas assim :)

12
Set19

A meia loira tem a tese quase pronta #12

Manga Meia-Loira

Pois que o orientador já respondeu. Pois que disse que, no geral, a tese está bem, e nota-se que houve estudo, mas voltou a insistir (e a ser extremamente chato) com o facto de eu ter citações consecutivas dos mesmos autores. Pronto. Falta-me escrever as conclusões, reler e rever tudo, e depois mandar formatar para entregar. Está quase quase. E eu quase que não acredito. Até segunda quero ter as conclusões prontas. Até à última semana de setembro quero ter tudo revisto e relido. Está quase, já disse?

10
Set19

Um dia vou (e quero) ser avó

Manga Meia-Loira

Uma pessoa nem nasce com aquela vontade enorme de ser mãe. Uma pessoa encara isso de forma natural mas nunca como um objetivo de vida ou o centro da vida. É mais como algo que faz parte do sentido natural da vida e do amor - algo que dá sentido à palavra família. Uma pessoa sabe que nem tudo é cor-de-rosa na parentalidade. Uma pessoa tem toda uma vida para viver antes disso, e se não acontecer também não será o fim do mundo, há muito mais para viver e muito por onde nos realizarmos. Uma pessoa até é diagnosticada com um síndrome aos 7 anos que a impede de ser mãe de forma natural, pelo que se o quiser ser, um dia, terá de travar uma batalha que pode ser para lá de dura. 

 

Para lá de tudo isso, e mesmo não achando que a maternidade é um arco-irís cheio de unicórnios, uma pessoa quer ser avó. Um dia quer ser avó. Quer ter netos para lhes poder fazer bolos e dar batatas fritas às escondidas. Quer ter netos para lhes poder contar histórias debaixo de uma árvore e lhes deixar as memórias mais doces. Porque ser avó deve ser tão bom ou ainda melhor do que ser mãe. É viver o lado doce da parentalidade sem a responsabilidade de impor regras. E sim, se um dia for mãe é (também) porque quero muito ser avó. (E para se ser avó basta ser mãe uma vez, certo?)

 

Esta imagem retrata a forma como vejo a maternidade e a parentalidade. E se um dia me submeter a procedimentos clínicos dolorosos e andar durante meses ou anos a tentar ser mãe, será precisamente por isto. Porque um dia quero ter netos para lhes contar como conheci o amor da minha vida (que ainda hei-de conhecer), para lhes contar como sonhei em ser mãe/avó deles e para lhes contar o que significa o amor à família.

A imagem pode conter: texto

 

03
Set19

A meia loira escreve a tese #11

Manga Meia-Loira

Por mim a tese está pronta. É só fazer as conclusões e está feito e entregue. Mas - há sempre um mas -  ainda preciso que o senhor orientador se digne a responder-me e a enviar-me a correção de uma parte. E ele já voltou de férias e não responde. E eu detesto estar sempre a chatear, a ser insistente, a enviar e-mails... MAS eu quero e tenho de entregar a tese. E parece-me que se não me armar em chata (mas chata mesmo, tipo melga) ainda vou acabar a ter de adiar a entrega por causa da demora dele. E isso é que não, não pode ser. Nem que eu vá dormir para a porta do gabinete. Ela tem de estar feita e entregue. Ponto final. (E quando estiver nem vou acreditar. Vai ser do género "Sou a maior, fiz o que ninguém consegue fazer"; "Fiz isto no meio de um estágio e das aulas... sou mesmo a maior" e depois "Era só isto? Achei que ia doer mais")

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