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Manga Lima

Manga Lima

15
Abr21

Mais uma ficha, mais uma volta - (Des)Amor

Manga Meia-Loira

Poderia escrever sobre muita coisa, mas nem eu imaginaria que o texto que iria esrever a seguir, aqui, fosse este. Mas parece que a vida, ou o destino, ou quem manda nisto tudo assim quis, e aqui estou eu a escrever e a falar sobre (des)amor... tantos meses e anos depois.

Então uma pessoa sofre durante anos de (des)amor. 

Tem angústias, fica com o coração partido em mil bocados, coloca tudo em causa, pensa em mil cenários e bate no fundo do coração. Bastante tempo. É duro quando a vida nos trama.. sobretudo quando nos trama no amor como me aconteceu. Uma conversa séria e algum tempo depois, uma pessoa vai conseguindo melhorar. Uma pessoa vai conseguindo voltar a respirar e a sorrir normalmente e a vida vai voltando ao seu ritmo. Não estaria tudo completamente curado mas estava tudo praticamente sanado e resolvido.

Depois, bastante tempo depois e do nada, parece que está tudo a voltar atrás. Parece que os fantasmas voltam a aparecer todos. Exatamente da mesma forma, a trazerem exatamente as mesmas dores. Parece que volta tudo ao tempo em que tudo foi tão duro, tão difícil, tão nublado, tão negro. Parece que o caminho nos quer arrastar de volta até ao tempo mais díficil da nossa vida. Parece que a vida nos quer arrastar outra vez de volta ao coração desfeito, às angústias, às dores, aos sentimentos que nos arrasam.

Não sabia, não contava, não estava à espera. Não poderia ter imaginado isto, nem desta forma. É mau, muito mau. Tanto mais quando eu estava bem. Estava tranquila, estava pacificada. De repente... parece que tudo está a voltar atrás.  

Não sei o que se segue, não sei o que será, não sei como será. Só queria que isto se resolvesse em mim. Só quero chegar ao dia em que saberei, dentro de mim, que tudo já está curado. Achei que estava quase lá. Parece que não. Vamos ver. Espero que a vida não me pregue assim uma resteira tão grande. Contas feitas, acho que aquilo que já tinha sofrido será mais do que suficiente e ainda me deveria dar créditos. Vamos ver.

28
Fev21

Covid, aeroportos e abraços

Manga Meia-Loira

Há um aspeto desta pandemia que toca especialmente quem vive fora e quem tem os seus lá fora. Não poder voltar a casa e ao país, ou não poder ir a outro país visitar os nossos, é uma das coisas difíceis desta pandemia. A mim toca-me especialmente porque tenho os meus pais e irmã a viver do outro lado do mundo. Num país que agora apertou ainda mais as restrições e me impede de ir lá, impedindo-os também de sair de lá e depois poder voltar. Já não vejo nem estou com o meu pai há um ano. Já não vejo nem estou com a minha mãe há um ano e meio, desde agosto de 2019. Estou sem esse abraço, sem esse colo e sem essa luz de família há mais de um ano. Estava previsto eles terem estado cá o verão passado. Já não estiveram. Eu também não consegui ir lá no verão porque tinha o exame da Ordem e tive medo de ficar retida. Se no ano passado consegui lidar muito bem com isto, e aceitar muito bem, tenho de dizer que agora me está a doer. Se calhar porque já sei ao que vou. Se calhar porque já não é a primeira vez. Se calhar porque estou numa fase bastante mais frágil. Agora sim, precisava de estar com eles. Já li tudo, já pensei em todas as hipóteses e não é possível. Até que as restrições do país onde eles estão sejam levantadas vai ser impossível eu ir lá. Assim como vai ser quase impossível eles virem cá. Tenho saudades deles. Eles tem saudades minhas, saudades de casa e saudades do país. Estamos há praticamente um ano nesta incerteza. E não é possível fazer nada. Quando há uma semana a Mariza cantou a música "Gaivota" no aniversário da TVI, vi que ela fez uma referência aos portugueses que estão longe, separados pelo mar e impedidos de voltar a casa. Aquilo comoveu-me mesmo e tocou-me. Só quem já esteve fora imagina a dimensão da palavra saudade. Só quem tem os seus lá fora e não pode estar com eles entende este tipo sentimento. Tenho até evitado pensar nisso, mas este lado da pandemia (a par de muitos outros) também não pode ficar esquecido. Os meus pais não podem regressar a casa. Eu não posso ir ter com eles. As restrições que já existiam onde eles estão agravaram-se ainda mais. E eu só queria um abraço. Seja aqui no meu aeroporto ou no aeroporto do país onde eles vivem. Só quero poder voltar a entrar num avião para correr para os braços deles. Só quero poder ir ao meu aeroporto recebê-los a eles e ao abraço deles. Em 2020 aceitei e acreditei em tempos melhores. Agora está-me a doer. Há-de acontecer. Isto há-de passar. Eles irão voltar a casa, se não voltarem antes eu irei ter com eles. Mas a pandemia dói. Dói a todos os que não podem ter o abraço e o colo dos pais, e dói ainda mais quando o pai e a mãe estão do outro lado do oceano e não é possível estar com eles. Alguém tem que falar nisto. Na saudade, na distância e naqueles que não podem ver nem estar com os seus há mais de um ano. Eu cá continuarei. À espera de dias melhores. À espera, sempre, de voltar a um aeroporto. Seja para os receber ou para ir ter com eles. Que seja rápido, breve e leve. 

27
Fev21

Quase março

Manga Meia-Loira

Chegamos quase a março. Este março que vem com a promessa da primavera, de paz e de dias melhores. Que vem depois do fim de um janeiro para esquecer e de um fevereiro de fugir. Que vem com a promessa de calma, de tranquilidade, de decisões boas e de notícias bonitas. Este março traz primavera e traz promessas de mudanças bonitas. Pode até nada disto se cumprir, mas tem de haver esperança. E enquanto houver esperança ainda há tudo. Março, primavera, paz, tranquilidade e dias felizes. Vamos a isso.

17
Fev21

Não sei o que escrever (nem o que fazer ou o que pensar)

Manga Meia-Loira

Tem acontecido tanta coisa nos últimos tempos e ao mesmo tempo não tem acontecido nada. Não tenho tido espaço nem tempo para processar as coisas. Não sei o que pensar, o que dizer, o que fazer. Tenho um trabalho que comecei há pouco que me está a deixar psicologicamente afetada mas não sei se é da adaptação, se é por estar sempre a trabalhar em casa ou se é realmente por não gostar daquilo que estou a fazer. Pelo meio ficamos todos em casa e de repente voltamos a deixar se poder sair, estar com amigos, conviver, jantar fora, lanchar e isso tudo. Pelo meio também, o meu tio testou positivo à covid e todos nós (os restantes) testamos negativo, mas estava tão compenetrada no trabalho que nem tive tempo de processar. Pelo meio tenho pedido toda a ajuda possível para perceber o que se está a passar comigo e não tenho encontrado propriamente respostas certas. E então aqui estou hoje, nesta quarta feira cinzenta (e de cinzas), a olhar pela janela do quarto para o nevoeiro sobre a cidade e a pensar no que fazer à vida. Não sei bem. Fico e espero? Se esperar as coisas melhoram? Saio já, descanso e logo vejo se encontro algo que goste mais? Ai, ai, ai. Dilemas que hoje e aqui me parecem infinitos e impossíveis de resolver. Ai, ai, ai. Espero brevemente escrever textos mais coloridos e bonitos. Espero brevemente voltar a sorrir com vontade. Espero brevemente que os dias deixem de ser um passar de tempo sem sentido ou um quase sofrimento. 

14
Fev21

Quando é que devemos sair? Qual é o limite?

Manga Meia-Loira

Eu já vinha com a ideia de me candidatar a uma empresa onde trabalhavam uns amigos meus. Achei que ia gostar, sabia que era provável que me contratassem e foi assim que aconteceu. Foi tudo muito rápido mas fiquei com a vaga e aceitei. Passou-se um mês. Até agora tenho sido, por várias razões, muito mais infeliz do que feliz lá. Tenho-me sentido mesmo afetada psicologicamente. Passou pouco tempo, isto ainda foi uma introdução mas não sei se será normal sentir isto. Será que é só uma primeira impressão? Será que vai melhorar e eu vou gostar? Será que devo sair já? Será que devo esperar? Até quando devo esperar? As questões são muitas e só com o tempo vou perceber. Quando ou como, não sei. Tenho procurado toda a ajuda possível. Tenho tentado respirar fundo. É só um trabalho, trabalhos há muitos e não podemos mesmo deixar-nos ir abaixo ou cair por causa disso. Se e quando tiver que sair, saio. Não tenho sequer a pressão de não poder sair. Mas quando o trabalho começa a "contaminar" o resto da nossa vida é grave. Como é que percebemos isso? Não sei bem. Até quando e onde é que está o limite? É que não podemos virar as costas sem perceber bem o que estaria lá à frente, mas também não podemos deixar-nos "cair" psicologicamente por causa de um trabalho. Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas. Espero em breve conseguir responder a isto. Espero em breve escrever sobre isto e ter uma resolução, seja ela qual for. Até lá é respirar. Respirar e um dia de cada vez.

06
Fev21

Avós, saudades e fragilidade

Manga Meia-Loira

De repente tive saudades dos meus avós. Só isto. Hoje, neste sábado bonito, queria escrever aqui. Não sabia sobre o que escrever porque a única coisa que me ocorria era escrever sobre o emprego que comecei há três semanas e que me têm consumido os dias, a vida e a alma. Não queria escrever sobre isso nem escrever só sobre isso porque tudo se resolve, mais não seja batendo com a porta. Mas depois uma amiga minha falou sobre uma reação da avó e sobre o avô dela e eu numa fração de segundos voltei a ver, a ouvir e a sorrir com os meus avós e não me lembro disto acontecer. Eles morreram há praticamente nove anos, eu tinha 17, e na altura não senti bem o choque da perda. Depois, nesse ano, toda a vida da minha família mudou drasticamente. Hoje, nesta altura em que me sinto profundamente frágil e vulnerável, nesta altura em que aquilo que achei que ia ser quase um impulso bonito e um sonho, afinal se está a revelar mais um pesadelo do que outra coisa, tive saudades deles. Saudades daquele tempo, saudades deles, saudades de ir ter com eles, saudades de lhes levar comida, saudades daquele sentimento de família completa. Hoje as lágrimas caíram-me com esse sentimento e isso foi de certa forma bonito. Quanto a todas aquelas que me caíram antes por outros motivos estúpidos, prometo fazer tudo o que puder para as resolver. Eles hão-de ajudar-me a encontrar o caminho.

31
Jan21

Trabalho, vida e ironia

Manga Meia-Loira

Tive uma semana de trabalho interminável, ainda mais que a anterior. Aliás, se há coisa que percebi nestas duas semanas é que naquele sítio tudo é interminável: o trabalho, a quantidade de tarefas, a pressão, a falta de tempo, os horários, enfim. Em pouco tempo também percebi, indubitavelmente, que aquele lugar não será para mim porque eu não quero nem aceito esta vida. Fui ao engano. Tomei opções de vida sempre no sentido de ter uma vida calma e com tempo para mim. Candidatei-me a um lugar onde deveria trabalhar oito horas por dia e ter todos os direitos normais. Tudo o que se tem passado tem sido exatamente o contrário. Não sei até quando vou estar lá. Não sei até quando vou querer ou conseguir. Não sei sequer se vou querer chegar até à primeira renovação do contrato. Enquanto for conseguindo estar sem que a minha saúde dê alertas sérios vou estar (ou até que algo surja). Vou pelo menos aprender. Quando tiver que bater com a porta vou bater sem pensar duas vezes. Não quero nem vou aceitar ficar num sítio onde não há qualquer respeito pelos horários, pelo tempo humanamente necessário para desenvolver tarefas, pelo descanso das pessoas, pelas horas extraordinárias de trabalho, pelas licenças de parentalidade e por tudo isso. Venderam-me, nas entrevistas, um local com condições ótimas para trabalhar e para conciliar a vida pessoal e profissional. Não podiam ter dado uma ideia mais errada. E eu, que me recusei a ir para uma grande sociedade ou grande consultora, que não me candidatei a essas precisamente por isso, que me quis desviar da profissão que abracei por isso, acabei num sítio exatamente igual ou ainda pior (sim, que ao menos nessas sempre ganharia melhor). E eu que me recusei sempre a isso tudo, fui sem saber parar a um sítio desses. Espero lembrar-me sempre deste texto e de tudo o que escrevi aqui sobre essa coisa de a vida não ser só trabalho. Espero continuar a entender isto e recusar isto. Espero bater com a porta rapidamente. Não podia estar mais desiludida. Mas quando tiver que sair vou sair. E terei muitas outras hipóteses, felizmente. Serve isto de lição. Não fiquem num sítio sem antes saber como é que é realmente a vida de quem lá trabalha. Enfim. Espero em breve poder bater com a porta e ter ventos positivos de mudança. Hei-de ter.

24
Jan21

O dia é deles. O agradecimento é meu.

Manga Meia-Loira

Hoje o meu pai e a minha irmã fazem anos. Para lá da distância física e do oceano que nos separa há já alguns anos, para lá da pandemia e de todas as circunstâncias que vivemos, só posso estar feliz e celebrar por eles e com eles. Só posso estar imensamente grata à vida e a Deus por tê-los. Daqui a um ano, como disse o meu pai, iremos comer ao Tourigalo, celebraremos juntos e brindaremos muito. Nos anos seguintes também. Vivemos tempos difíceis para todos a vários níveis. Vivemos com medos e angústias. Vivemos sem conseguir fazer grandes planos. Mas enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar (e nunca esta frase me fez tanto sentido). E temos de olhar para a frente e saber (e sonhar) que haverá sempre um depois.

Parabéns a eles, obrigada eu por tê-los comigo, e muita vida e sonhos pela frente para partilharmos. Daqui a um ano no restaurante que o meu pai hoje escolheu. Juntos e numa nova vida. 

24
Jan21

Começou. E começou a sério. 18 de janeiro.

Manga Meia-Loira

18 de janeiro. Segunda. Comecei uma nova fase e etapa da vida. Comecei, depois de ter acabado o estágio, a trabalhar a sério. Foi tudo muito rápido e acho que nem eu estava à espera que fosse tão rápido. Mudei um bocadinho o tipo de profissão porque foi o que eu quis e o que achei melhor. Não sei se estava certa, não sei se fiz bem, não sei se vai correr bem. Foi difícil, muito díficil, porque é tudo novo (lá está, mudei o tipo de profissão). É tudo estranho, novo e diferente. É demasiada informação nova por minuto/por hora/por dia. É  demasiado de tudo. Cansei-me, senti-me pequenina, senti-me incapaz, senti-me incompetente quase. É normal, faz parte e não posso chegar a conseguir (e a saber) fazer tudo. São tarefas e trabalhos demasiado específicos e técnicos. É normal, tanto que ainda estou e vou estar (nas próximas semanas) em treino. Mesmo assim foi frustrei-me e preocupei-me. Não gosto desta sensação de me sentir perdida. Além disso vamos estar a tarbalhar, agora, sempre a partir de casa até nova indicação (e sozinhos) quando mais precisamos de ajuda. Por muito que as pessoas sejam disponíveis e queiram ajudar é complicado. Além de tudo isso eu não sou (nunca fui) boa de inícios. Não gosto de inícios, não gosto de começos, não gosto de começar do ponto zero, não gosto nada de não conhecer. Eu sou da estabilidade, da rotina, de saber com o que conto, de hábitos, de ritmos estabelecidos, daquilo que já me é familiar. Foi assim sempre e dificilmente será diferente. Já sabia que este início não seria fácil. Mesmo assim estou genuinamente muito grata: é um verdadeiro privilégio conseguir um emprego no meio de tudo o que vivemos. É uma sorte conseguir entrar num sítio sem experiência no trabalho para o qual somos contratados. É um privilégio conseguir entrar num sítio onde somos treinados e onde nos tentam ensinar, mesmo que nada seja perfeito. Por isso vamos continuar. Enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar. E eu vou dar o meu melhor, vou ter calma e vou esperar que os hábitos e as rotinas se instalem. Vou esperar que tudo me seja familiar. Só aí poderei ver e avaliar tudo. Não sei se vai correr bem, não sei se vou querer ficar e continuar, não sei se a empresa vai querer que eu fique e continue. Haja o que houver, vai valer a pena. Vale sempre a pena. Tudo vale a pena se a alma não é pequena. É isto. Isto e saber que estou a aprender muito... mais e bem mais do que aquilo que esperava. Aguardemos.

08
Jan21

Entrevistas, empregos e eletricidade

Manga Meia-Loira

Quando um dia me perguntarem como correu a minha primeira entrevista numa empresa a sério, eu irei dizer que quinze minutos antes da hora marcada para a vídeochamada houve um corte geral de eletricidade. Sim, em janeiro de 2021 o mundo vivia uma pandemia e as entrevistas de emprego eram muitas vezes feitas através de vídeochamada. Sim, houve uma falha geral de eletricidade no sítio onde vivo, coisa que não me lembro sequer de ver acontecer. Sim, no dia 8 de janeiro de 2021 eu apanhei um susto enorme porque a eletricidade falhou e quase que a entrevista ficou em risco. Tive 15 minutos para aumentar ao máximo a internet do telemóvel e rezei para que fosse possível. Houve um atraso considerável por parte da empresa, no entretanto a eletricidade voltou e as coisas aconteceram calmamente, como se nada tivesse acontecido. Não sei se eventualmente serei selecionada, não sei como este recrutamento vai correr, mas fico com uma história daquelas para contar daqui a 20 anos.

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