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Manga Lima

Manga Lima

13
Out25

As autárquicas (e o Porto, e Lisboa, e Braga e tudo e tudo)

Manga Meia-Loira

Escrevo sobre autárquicas mas quero escrever sobre sentimentos e sensações, pois para fazer uma análise crítica já há muito quem faça (e bem). 

Sinto um certo alívio, e talvez alento e esperança, por ver que o país não se pintou de azul-escuro e de Chega. Ainda que as autárquicas sejam umas eleições peculiares, ainda que as pessoas nas autárquicas votem, talvez, mais nas pessoas do que nos partidos, acho (e quero acreditar) que isto é um sinal de que (ainda) há esperança. Bem sei que não haverá um milhão ou um milhão e meio de pessoas arruaceiras, racistas e xenófobas, bem sei que uma parte (talvez grande) desses eleitores tende a eleger o Chega porque sente revolta, abandono, frustração e porque sente que o Estado falhou, mas as últimas eleições legislativas foram um susto, e acho que ontem se conseguiu recuperar um bocadinho a esperança e se pôde sentir alívio. Os resultados do Chega ficaram muito aquém do que o partido esperava ou queria e isso, para quem é pela democracia, foi um bom sinal.

Depois, tenho de dizer que não voto em Braga nem no Porto, nem vivo nesses concelhos, mas tenho uma ligação muito especial aos mesmos e estive muito atenta a tudo.

Confesso que nunca vivi no Porto mas sinto que o Porto foi muito meu durante os quatro anos que lá trabalhei, e será sempre um bocadinho meu também. 
Acho que Rui Moreira deixa uma fasquia elevadíssima, um legado difícil de continuar, e durante bastante tempo achei que ninguém estaria à altura. Tendi sempre, ainda assim, a achar que Pedro Duarte seria uma melhor escolha, mas sempre com o nariz torcido e uma sensação de que qualquer escolha ficaria aquém. 
Quando vi o discurso de Pedro Duarte, no entanto, senti verdadeiramente que o Porto fica muito bem entregue. Houve um cuidado, um respeito e um sublinhar da importância e do valor da democracia que me deixaram tranquila, esperançosa e feliz. Posso estar enganada, claro, (espero que não) mas acho que o Porto fica muito bem entregue.

Depois temos Braga, que não sendo o concelho onde vivo, é a minha cidade. 
Achei, à semelhança do Porto, que o legado que fica de Ricardo Rio seria sempre difícil de continuar, achei que qualquer escolha ficaria aquém do que a cidade quer e merece, e achei que nenhum dos candidatos favoritos era a pessoa certa. 
Senti, ainda assim, (e isto é sobre sentimentos) que a vitória da coligação foi um bom cenário, e espero muito - e desejo muito - por todos os motivos e mais alguns, que a coligação vencedora consiga governar e governe bem. 

Agora Lisboa. 
Desde que o comecei a ver e a conhecer na comunicação social que sempre gostei de Carlos Moedas. Acho que é muito inteligente, tem um sentido de humor que admiro, uma história de vida inspiradora e acho que é uma figura pela qual se sente facilmente carinho (eu, pelo menos, e isto é sobre sentimentos).
No entanto, também admiro Alexandra Leitão. Não concordo com ela em muita coisa mas há ali uma força, uma resiliência e uma combatividade "civilizada" que admiro muito. 
Fico feliz com a vitória de Moedas, ainda que tenha noção de que quem vive em Lisboa terá as suas queixas, e espero que governe bem. 

Daqui a quatro anos fazemos contas.

30
Set25

E se ?

Manga Meia-Loira

Dei por mim, hoje, a pensar no que teria acontecido se tivéssemos ficado juntos. Foi na piscina mas já não foi a primeira vez, talvez porque tenho mexido mais nos assuntos do coração nos últimos tempos. Passaram-se muitos anos e, arrisco dizer, muitas vidas desde aí. Sei claramente que não soube lidar com a paixão e com o amor que sentia, e sei também que ele não soube lidar com nada. Sei disso tudo. Não sei sequer se ele era ou não a pessoa certa, mas sei que, se era a pessoa certa, então aquele momento não foi, de todo, o certo. Ainda assim dei por mim a pensar. A nossa relação teria durado? Estaríamos juntos hoje? Viveríamos juntos? Estaríamos noivos? Já teríamos casado? Teríamos planos para ter filhos? Onde trabalharia e estaria ele? Como seria a nossa vida? Ou teríamos terminado tudo no entretanto?

Não aconteceu, não irá acontecer, não faz sequer sentido pensar nisto, mas hoje dei por mim a pensar como seria se tivéssemos ficado juntos. Se eu estivesse naquela aula e fosse a namorada/mulher dele e tivéssemos uma vida a dois. Nada disto me deixa propriamente feliz ou triste, são mais pensamentos soltos. Agora, e como a vida não se faz deste tipo de "sonhos", vou só ali continuar a fazer o enorme esforço de tentar conhecer pessoas novas e esperar que, um dia, uma delas seja a pessoa certa no momento certo... se der para isso acontecer sem ser preciso esperar anos ou desisitir e voltar a tentar mil vezes, agradeço.

13
Set25

Pelo sonho é que vamos. Agora vamos?

Manga Meia-Loira

Já não escrevo aqui desde junho. Entretanto a vida correu: mudei de trabalho e vim para mais perto de casa, os meus estiveram aqui comigo, estive de férias, fui com os meus ao país onde eles vivem, entretanto voltei, e entretanto voltei ao trabalho.

Neste entretanto, os meus decidiram que o projeto de há vários anos que tinha ficado parado era para continuar. Era, assim, para voltar a falar com desenhadores, empreiteiros, eletricistas, empresas de cozinhas e continuar. Mas foi uma decisão de verão e, bem se sabe, em agosto pára tudo. 

Foi hoje, hoje de manhã, que fui lá à obra reunir com o desenhador e o responsável pelo projeto da cozinha. Foi hoje que demos um outro primeiro passo. Esperei bastante tempo sozinha antes. Andei por lá, vi, respeirei fundo, pensei, sonhei e cheguei ao choro. À emoção. Caraças. Tantos anos, tantos meses, tantas semanas, tantos dias depois.... tantas esperanças e desesperanças, e tantas crenças e descrenças depois... vamos mesmo continuar? Vamos mesmo até ao fim, agora?
Naquele projeto e naquela obra não está só um sonho dos meus. Está muito mais. Está o sonho dos meus de terem o seu espaço de petiscos. Está o sonho dos meus de voltarem a casa. Está o meu sonho de os ter de volta a casa. Está o meu sonho de ver aquele projeto realizado. Está a promessa de uma nova vida para os meus e para mim. Está tudo isto e muito mais, depois de tanto tempo, depois de tantas esperanças e desesperanças. Estão muitos desejos, sonhos, vontades, esperanças e muito mais, meus e dos meus. Depois de 7 anos, depois de muitos atrasos, depois da pandemia, depois da incompetência crassa de quem já lá trabalhou, depois do desleixo do desenhador, depois da falta de vontade de regressar da minha mãe, depois do desânimo do meu pai, depois de tudo. Passados 7 anos e depois de tantas esperanças, que a seguir foram desesperanças e agora são novamente esperanças, voltamos. Pelo sonho é que vamos? Vamos e que seja até ao fim!

 

09
Jun25

Hoje não, não está tudo bem

Manga Meia-Loira

Há muito que não escrevo aqui e a vida vai correndo. 
Em breve, se tudo correr bem, espera-me uma mudança profissional para perto de casa e tudo mudará. Quis muito e quero muito que aconteça, mas com a mudança vem também muitos receios. No entanto, é esperar e acreditar que vai correr bem. 
Em breve, se tudo correr/corresse bem, os meus estariam de férias e estariam pertinho de mim. Mas como nada é assim tão fácil ou tão simples, tenho uma mãe que complica tudo e já não sei bem se eles vêm ou quando vêm. Isto deixa-me com o coração, a alma e a vida embrulhados, tristes, entorpecidos, aborrecidos e muito mais. É curioso como escrevo mais aqui quando estou triste. E estou. Hoje estou. Para ajudar, encomendamos rissóis para o almoço e logo temos jantar bom com amigas. Valha-nos isso por estes dias. 
E não me querendo repetir, mas repetindo, espero daqui a um ano estar noutro tempo e noutro espaço da minha vida. Na profissão, na família e no amor. Preciso muito, quero muito e desejo muito que venham outros tempos e outros espaços... no trabalho, na família e no amor. 

20
Mar25

20 de março de 2025 - O início da primavera e a escritura

Manga Meia-Loira

Foi hoje. A escritura do café foi hoje. Foram anos de espera, desespero, obstáculos, lutas, lágrimas e tudo o mais. Perdi a conta às noites de sono e aos anos de vida que perdi com isto. Fui a primeira, e no início a única, a querer isto e a querer esta venda. Foi um caminho de anos. Muitas vezes contra todos, sobretudo no início, noutras vezes nós, família, contra o resto. Não sei quantas vezes, em dias normais e em cada fim de ano e início de ano seguinte, escrevi aqui que queria esta venda, mas sei que foram muitas. Durante anos. Sei de todas as lágrimas que deixei pelo caminho. Sei de todas as vezes em que pedi, esperei, desejei, quis isto. Sei daquele domingo em que estacionei o carro entre as duas igrejas e chorei desalmadamente. Passaram-se anos. Muitas vezes a família esteve contra, muitas vezes a imobiliária foi "do contra", muitas vezes o mundo e o universo estiveram contra. Como eu pensei nestes dias, tivemos de apanhar as pedrinhas todas pelo caminho e tivemos todo o tipo de obstáculos. Desacreditei muitas vezes. Depois de duas, quase três, tentativas de escritura, foi hoje. Ainda nem acredito bem nisto. Ainda nem acrdito bem que chegámos aqui. Não podia vir embora sem ir ao meu Bom Jesus levar flores e agradecer. Agradecer infinitamente por termos chegado aqui, depois de tantos anos, tantas lágrimas e tantos obstáculos. Foi, para lá de tudo, uma das maiores liçoes que a vida me deu sobre espera, resiliência, persistência, paciência, frieza e racionalidade (embora eu também ache que é possível aprender sobre isso sem sofrer tanto). Hoje encerramos um capítulo, guardamos tudo o que é bom e seguimos. Senti sempre, e mais nos últimos tempos, que precisavamos muito disto para seguir em frente. Para haver novos planos, novos desejos, novos sonhos, para pensar o futuro. Que este início de primavera e esta escritura sejam o símbolo de um novo caminho bonito e feliz. Foi hoje. Conseguimos, caramba! 

02
Dez24

Nós por cá

Manga Meia-Loira

Fui consultar e já não escrevo aqui desde o fim de maio. A vida corre e muitas vezes vir aqui escrever fica para segundo plano. O verão foi bom, muito bom e muito bem aproveitado. Com o sul de Espanha, o nosso sul, o nosso Alentejo e Aveiro. E depois das férias a vida correu. Estamos quase no natal e eu não vejo a hora de ficar de férias outra vez. No trabalho o cenário tem sido duro, cansativo e pouco feliz. Preciso mais de férias do que acho que alguma vez precisei. Pelo meio, enquanto sonho com as próximas férias e com o reencontro com os meus, vou tentando traçar planos para o próximo ano. Voltar a trabalhar perto de casa está e vai estar no topo da lista. Demorei mais de três anos, mas agora estou decidida a mudar e vir trabalhar para perto de casa. Já não tenho dúvidas, reticências ou angústias. Vou estar para sempre grata por tudo o que o Porto me deu, vou estar para sempre grata pelas pessoas que encontrei, vou estar para sempre grata por tudo o que vi, vivi, cresci e aprendi. Custou-me, demorou mas já resolvi de mim para comigo que vou mudar. Quero muito em 2025 ir para outro sítio e ficar perto de casa. Quero voltar à hidroginástica em janeiro. Quero muito encontrar um amor verdadeiro e ter uma relação a sério. Quero muito acreditar que tudo isto vai acontecer. Quero muito que 2025 seja um grande ano. Para mim, para os meus, para todos nós. Agora vou só continuar a contar os dias para as férias. 

27
Mai24

Um carro e as memórias

Manga Meia-Loira

Hoje fui ao mecânico buscar o carro dos meus pais, que na verdade é mais meu do que deles no sentido em que fui eu que o usei e sou eu que o uso, e lembrei-me de quantas memórias um carro pode guardar. Eles compraram-no novo quando a minha irmã era pequenina, e três anos depois foram viver para fora. Eu fui com eles, voltei pouco depois, a seguir tirei a carta e aquele carro não foi o meu primeiro carro. O primeiro carro com que andei foi um carro mais antigo que era dos meus avós, e eu tratei-o tão mal que até tenho pena. Não houve ponta desse carro que eu não tivesse raspado, mas penso que faz parte de aprender a conduzir (É certo que eu conduzia muito mal, mas além de ter acabado de tirar a carta devo dizer também que essa fase foi, por motivos familiares, umas das mais difícies da minha vida). Dois anos depois de ter começado a conduzir acabei por ficar com o carro dos meus pais e tornou-se o meu carro de todos os dias. Foram anos, muitos anos, quase sete, em que aquele carro para mim foi um bocadinho casa. Houve ali dentro muitos risos, muitas lágrimas, muitas conversas, muitas viagens com amigos, muitas viagens para saídas à noite, muitas viagens para a praia, muitas viagens em nome da associação de estudantes de que fiz parte na Universidade, muito tudo. Muita vida, muita histórias, sete anos meus e muitos milhares de quilómetros ali dentro.Foi naquele carro que muitas vezes sorri com as minhas conquistas académicas, foi aquele carro que esteve lá sempre que era preciso para as atividades da minha associação de estudantes, foi aquele carro o Uber de serviço em muitas saídas de amigas, foi o carro onde tinha sempre canetas guardadas, foi o carro de muitas saídas às noites com os meus amigos de sempre, foi o carro que fez muitas vezes as curvas até ao Biba e as viagens de volta. Foi naquele carro que chorei muitas vezes de cansaço e de saudades, foi naquele carro que chorei muitas vezes quando percebi que estava apaixonada e que aquele amor não era possível por várias razões, foi naquele carro que respirei fundo e pedi forças em muitas das vezes em que sabia que tinha de estar com ele, foi naquele carro que tivemos a conversa que foi o princípio do fim, foi naquele carro que chorei praticamente todas as sextas-feiras em que tive aulas de mestrado, foi naquele carro que marquei consultas, foi naquele carro que chorei com a minha família numa tarde de verão a passar em frente à praia, foi naquele carro que me maquilhei centenas de vezes, foi aquele carro que me acompanhou no estágio, foi naquele carro que muitas vezes peguei quando não aguentava estar comigo nem aguentava aquilo que sentia e precisava urgentemente de sair para dar uma volta e apanhar ar, foi naquele carro que depois fiz milhares de quilómetros de autoestrada quando fui trabalhar para mais longe, foi naquele carro que fiz viagens em família para Espanha nos últimos anos. Aquele carro foi muito tudo. Há dois anos teve um problema no sistema de travagem, a peça não tinha previsão de chegada e eu, assustada, acabei por comprar um novo para mim. Este já podia ter sido "despachado", trocado, vendido, o que lhe quisermos chamar. No entanto acabou por não acontecer e eu tenho lá dentro muitos momentos específicos de que me lembro. Em sete anos acontece muita coisa, muita vida, muito de bom e muito de mau. E aquele carro, passem os anos que passarem, vai estar sempre lá quando eu me lembrar de tudo isto. E pronto, nos últimos dois anos vou andando com ele e com o meu, embora mais com o meu, de forma alternada, e hoje quando o tive de volta lembrei-me de quantas memórias minhas estão lá dentro. 

13
Mai24

Fátima, 13 de maio

Manga Meia-Loira

Fátima é luz, paz, esperança, colo, amor, mãe. É tudo isto e muito mais. É oração, reflexão, pedido, agradecimento. É procurar respostas no caminho. Nunca o fiz, mas ir a pé a Fátima deve ser algo avassalador e soberbo. Um dia quero fazer esse caminho. Acredito verdadeiramente que quem tem fé é mais feliz e mais rico em vários sentidos. Ter fé é, acima de tudo, ter esperança. Dar um sentido à vida e ao que de bom e menos bom ela nos traz. Lembro-me também - lembro-me sempre - daquele meu 13 de maio de 2017. Tão especial, tão cheio de amor, tão cheio de motivos para celebrar e de sonhos, tão cheio de tudo. Aquele meu 13 de maio que, entre o centenário de Fátima, a vinda do Papa a Portugal, a vitória de Portugal no festival da canção e a vitória do Benfica no campeonato, foi também o dia da minha festa de finalistas e a celebração de um caminho longo e bem sucedido, por vezes solitário, mas cheio de amigos, relizações e quase sempre muito feliz. Passaram-se sete anos e, na parte académica e profissional, alcancei aquilo que queria e não deixei nada por fazer. Cumpri-me. Falta o resto, falta o regresso dos meus e faltam-me todos os outros sonhos. Se tivesse de fazer um resumo, diria que na família e no amor estes sete anos não foram fáceis. Mas havemos de lá chegar. Como escrevia Saramago "Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam".

Por enquanto volto a deixar aqui, novamente, as palavras do cardeal Tolentino.

Porque Fátima ensina, sempre, como se ilumina um mundo que está às escuras. E não é de luz e de tudo o que ela traz que todos precisamos?

Fátima.png

 

10
Mai24

Olá, maio

Manga Meia-Loira

Os dias correm e de repente estamos em maio. Fazemos uma manicure, pensamos muito nas férias que só chegam em agosto, de repente queremos enfiar um curso intensivo no meio do trabalho e das viagens diárias, e ora achamos que é boa ideia, ora achamos que é uma loucura, e pensamos muito. Às vezes pensamos demasiado naquilo que a vida tem reservado para nós. Se podíamos viver tudo com mais leveza e tranquilidade? Provavelmente sim, mas não era a mesma coisa. Resta respirar fundo e tentar colocar em prática o carpe diem. 

07
Mai24

Sobre (re)começar

Manga Meia-Loira

Hoje faz-me sentido este poema de Miguel Torga:

"Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade (...)".

Que tenhamos sempre a força de começar e recomeçar quantas vezes for preciso.

Que tenhamos sempre a força necessária para levantar depois de cada queda, para sorrir depois de cada lágrima, para respirar fundo depois de cada sufoco, para esperar o arco-irís depois de uma chuvada, para ver o sol depois da noite escura, para acreditar que haverá sempre um novo dia, um novo sorriso, um momento para respirar fundo, um arco-irís, um sol radiante.

Às vezes, muitas vezes, os caminhos que percorremos não são a direito. São caminhos com curvas, desvios, obstáculos e tudo o mais. Li há uns dias uma frase que, embora dita noutro âmbito, me fez pensar. A frase foi dita num contexto em que as pessoas estavam a fazer um tratamento médico em que não acreditavam. Mas uma das pessoas disse "É um caminho que temos de percorrer". Às vezes é mesmo isto. É um caminho que temos de percorrer até chegarmos àquilo que queremos (ou ao sitío aonde nos esperam). O caminho dessas pessoas não foi fácil, mas por acaso esse tratamento até foi um sucesso. Um sucesso conseguido depois de várias tentativas fracassadas. Lá está, foi um caminho que tiveram de percorrer. Muitas vezes não é fácil. Muitas vezes, quando tentamos muito uma vez, duas vezes, três vezes, dez vezes, vinte vezes e acabamos invariavelmente derrotados, não é fácil continuar. Não é fácil recomeçar. Mas recomeçar é, quase sempre, a única hipótese de alcançar aquilo que queremos. Se podia acontecer de um dia tentarmos pela primeira vez e correr logo tudo bem? Podia. Podia mesmo e poupava-se muita coisa pelo caminho. Mas muitas vezes não é assim que acontece. Normalmente, comigo, não é assim que acontece. Resta ir percorrendo o caminho, porque afinal o caminho faz-se caminhando, e resta pedir sempre às nossas estrelas, a Deus, à vida, ao universo e ao divino a força necessária para começar e recomeçar tantas vezes quantas as que for preciso.

Hoje recomeçamos. Se me vou voltar a sentir-me assustada? Provavelemente. Se vou voltar a sentir-me em algum momento triste, derrotada, angustiada? Muito provavelmente. Se vou ter vontade de fazer uma pausa e num momento ou outro de desistir? Provavelmente. Mas sinto, racionalmente e porque já me disseram, que é uma espécie de caminho que tenho de percorrer. Não sei se será longo ou curto, mais atribulado ou mais calmo, nem sei se acabará como eu quero. Sei que ontem quis percorrê-lo, hoje quero percorrê-lo, e enquanto assim for aqui estaremos. Com mais ou menos apetite. Com o desejo de ter a força necessária para começar e recomeçar sempre que for necessário.

 

 

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