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Manga Lima

Manga Lima

30
Mar13

Dias especiais

Manga Meia-Loira

Páscoa. Estamos nas "pedrinhas", a brincar com água, eu tenho o avental, tu estás lá e a Sara está connosco. É fim do dia, temos pressa e está na hora de vestir. Olho para mim, para nós as duas, e sou/somos os anjinhos que vão na procissão. Arranjamo-nos e vamos ter com os avós. O espelho está lá à nossa frente e das fotografias trata o meu pai. É Páscoa e somos pequeninas.

São sempre os piores. Os que batem ainda mais forte. Os que fazem o coração picar e o peito apertar. Os que fazem as lágrimas cair ainda mais. Foi o Halloween. Foram os (meus) feriados de Dezembro e o Dezembro inteiro. Foi o Natal. Foi a Passagem de Ano. Foram os aniversários de Janeiro. Foi o Carnaval. Foi o Dia do Pai. É agora a Páscoa. São as outras datas que nos marcam. Como aquele dia de Janeiro em que fez um ano que ela foi embora. Todos os dias doem, mas estes fazem ainda mais feridas. Estes rasgam-nos a pele das memórias. Estes fazem-nos sentir descontroladamente perdidos, confusos e sozinhos. Estes picam-nos no coração, e não só no pensamento. Literalmente picam o coração. É assim que agora me sinto. E tudo é ainda pior. É quando todas as memórias se tornam ainda mais vivas, é quando todas as lembranças nos aparecem à frente ainda mais reais. É quando pensamos ainda mais em todos os simples gestos: como foi cada um, como foi em cada ano, quem estava lá, o que aconteceu. É tudo centenas de vezes pior e milhares de vezes mais doloroso. E dói-me lembrar de todas as Páscoas: aquela em que a casa foi aberta, a outra em que ainda nos consigo ver a arranjar as mesas do café na noite anterior, a outra em que a I. me foi acordar e eu lhe disse "A minha roupa está em casa!", e ela me respondeu "A cruz está a chegar à porta. Aquelas em que era pequenina e o espaço era na sala de cima, com todos ainda ensonados. A última. Todas elas e todas as manhãs delas, com as pessoas lá todas. Com o sol a entrar pelo vidro e os pequenos-almoços logo ali. E às vezes ainda íamos à casa do tio M. E ainda outra em que passámos a tarde na quinta do tio A. E tudo há tão pouco tempo! Dói! E nem preciso lembrar todos os Natais. O último fez, infelizmente, isso tudo isso por mim. E doeu. Ainda dói e magoa. Marca. Aqueles em que era pequenina e estávamos todos na sala da lareira cheios de comida e presentes. O que foi ainda mais especial, na casa da minha mãe G. O outro em que ficámos na sala de cima a ver filmes. Todos os outros em que a porta abriu. E quanto a Passagens de Ano a última também me moeu todas as recordações e excedeu tudo o que nunca imaginei. E tem sido isto. E ainda há 365 dias atrás eu estava a viver tudo e sentir tudo. Só eu sei o que sabia e o que na minha cabeça ia acontecer. Sim, isto é ter motivos para chorar, gritar e querer fugir ou hibernar. Isto é motivo para ter vontade de "ir gritar para o monte". Isto é motivo para deixar que o coração deite fora todas as lágrimas de sangue. Isto é motivo para deixar, simplesmente, as lágrima correram à velocidade de um rio que corre para o mar. Porque há, sim, momentos em que simplesmente nos devemos permitir ficar triste. Desmesurada e infinitamente tristes. E perdidos. E estes são uns deles. E deixar que as lágrimas caiam. Pode haver momentos mais tristes. Pode haver momentos ainda com ainda mais motivos. Mas estes são assim, são os que me matam a pele e me queimam o coração e as memórias. E sim, só me resta deixar que as lágrimas corram e permitir-me ficar triste. Desmesuradamente triste e perdida. E esperar que isto passe. Que isto passe sobretudo antes que seja tarde demais. Que isto passe a tempo de viver todas as Páscoas do mundo. Que isto passe a tempo de viver ainda todos os Natais, Passagens de Ano e Carnavais do Mundo. Que isto passse, simplesmente. Que isto passe simplesmente e eu me permita ficar desmesuradamente feliz e aliviada. Que isto passe e me permita espalhar brilho e deixar que o meu sorriso surga naturalmente. E já ontem era tarde. Que isto passe. Só. E do resto tratamos nós e muito bem.

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