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Manga Lima

Manga Lima

11
Abr13

"Afogada"

Manga Meia-Loira

É assim que me sinto. Afogada em emoções. É assim que me tenho sentido. Afogada em memórias, em lembranças, em sentimentos. É assim que tenho estado. Não deixa de ser irónico. Eu, a racionalidade em pessoa, a mulher que não abre a boca nem dá um passo sem pensar, e eis-me aqui e agora, afogada em sentimentos e sensações. Os meus, e agora também, os dos outros. Quando estamos sensíveis é assim. O mínimo dos mínimos põe-nos de lágrima a saltar pelo olho. Hoje foi um post no facebook de uma conhecida a falar da mãe que perdeu faz hoje anos, foi um post num blogue de uma mãe que está doente no hospital e só pôde estar com a filha uns minutos, foi um post num blogue a falar de um aeroporto e de partidas e chegadas. E eu que não consigo conter as lágrimas.

Ando assim, e é muito estranho. É o meu ano do caranguejo, e que ano! Bolas! Raios para os signos de água e para esta sensibilidade toda! Mas é isto que me acontece, e não consigo fazer nada. Preciso, muito, de sentir tudo, de descobrir tudo, de deslindar memórias, acontecimento passados, histórias que me traçaram as raízes, e tudo mexe comigo. E, assim, tudo o que mexe com emoções mexe comigo. Ainda que não me diga respeito, ainda que não esteja relacionado comigo, ainda que não me venha da pele. Nunca pensei que isto acontecesse em mim. É complicado, só consigo sentir, a racionalidade foi-se toda. Isto pode ser bom, mas é desgastante. E apesar de tudo nunca tinha crescido tanto como nesta fase. Às vezes precisamos mesmo de fazer uma revisão de tudo o que fomos, tudo o que perdemos, tudo o que quisemos, tudo o que tivemos, tudo o que temos, tudo o que queremos, tudo o que ainda podemos recupar, tudo que nos levou até ao hoje, tudo o que originou aquilo que somos no agora, para poder seguir. E isso faz-nos crescer. Faz-nos ser, sim, desmesuradamente maiores. Faz-nos ser inteiros. Faz-nos descobrir tesouros incalculáveis por entre tudo o que aconteceu até ao presente. Faz-nos valorizar de uma forma inexplicável as pessoas, a família, o amor, os momentos partilhados. Ensina-nos o que mais nada nem ninguém consegue ensinar. Ensina-nos, sobretudo, a valorizar aquilo que é mesmo importante. Ensina-nos a viver. Só viver. E só viver é viver. E só viver é saber respirar, é saber amar, é saber viver as nossas pessoas, é saber viver os nossos momentos, é saber viver o que de melhor e mais simples está ao nosso alcance, seja um dia de sol, uma sobremesa, uma conversa, uma gargalhada. E isso não se aprende. Apreende-se. Pode levar tempo. Pode ser confuso e desgastante. Mas é um ensinamento para a vida. É aprender a sentir, a valorizar, a compreendermo-nos, a viver. É aprender que a vida não deve levar uma vida para ensinar à vida que dela só levamos o melhor. Eu demorei até agora. Mas estou a aprender. E espero que fique para sempre. O ensinamento, pelo menos.

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