O tempo no Mundo
O tempo passa no mundo. E passa em mim. E é estranho quando coisas que já aconteceram há dois anos, ou até há seis, continuam tão vivas em mim. Eu sei onde estava. Eu sei com quem estava. Eu sei o que estava a fazer. Eu olho para mim e estou lá. E é tão, mas tão estranho! Eu lembro-me do centro comercial, da notícia, do jornal. Do dia, do carro, do céu. Dela. Eu lembro-me, depois, de chegar a casa para o almoço. Lembro-me de não ter saído para ver as notícias e fotografias. Eu estava lá. E foi há tanto tempo no mundo, e há tão pouco tempo em mim, que é ainda mais que estranho. E já aconteceu tanta coisa, que parece incoerente dizer isto. É estranho. Sobretudo porque se me perguntasse a mim nesses dias onde estaria hoje, lembrar-me-ia de tudo. Menos daquilo que estou a viver. Não que o que aconteceu nesses dias tenha sido importante para mim. Apenas serviu como marco de referência para saber como era a minha vida naquela altura específica. E já vale só por isso.
