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Manga Lima

Manga Lima

28
Mar13

1 mês, 40 textos

Manga Meia-Loira

E pronto, assim chegamos ao primeiro mês. Um mês de desabafos aqui neste cantinho. Um mês deste meu "Muro das Lamentações". Mais um mês da minha vida neste túnel negro sem fim nem saída à vista. E tem sido bom aproveitar este cantinho para extravasar todas as dores. Tem sido bom poder simplesmente despejar tudo o que quiser sem sequer pensar. A minha gente ainda não sabe. Eles não precisam de mais cores negras, talvez quando houver um momento certo eu lhes conte. Mas sinceramente acho que aquilo que aqui está nem é para ler. E assim (não) tem passado o tempo. Tudo está exactamente igual. Ou pior, melhor dizendo. Continua a não haver luz nenhuma. Continua a não existir esperança suficiente no amanhã. Cada dia é pior que o outro e todos juntos somam as piores das dores. É a verdadeira quaresma na quaresma, tirando a parte em que esta não tem fim à vista. E já não sei nada. E isto está uma confusão. Só sei o que vou fazer na semana que vem. Mais nada. Não sei mais nada e tudo o resto é um vazio. O que vai acontecer, o que pode acontecer, como vai ser. É tudo um zero. Um zero que assusta. Que pode ser igual ou ainda pior que aquilo que já veio. Um zero que mete medo. Um vazio que mata. Um buraco negro, e o mais certo é ser de surpresas. Provavelmente surpresas más. Péssimas. E é isto. x40. Não consigo dizer mais nada, não consigo escrever mais nada, não consigo pensar em mais nada. Só que nunca me senti tão perdida e confusa. Nunca me senti tanto no fim da linha. Nunca me senti tão desesperadamente impotente. E a impossibilidade de aquilo que mais quero que aconteça é esmagadora. Trituradora, dilaceradora, destruidora, demolidora. Sinto-me como os escombros de uma casa à qual só sobrou a base. Rigorosamente mais nada. Levaram-me tudo e até grande parte da esperança. E não imagino o que me espera. Talvez seja para acabar de destruir o que restou. Talvez não. Aconteça o que acontecer, este canto continuará a ser o meu espaço. O meu muro das lamentações.

27
Mar13

Tempo(s)

Manga Meia-Loira

Não gosto dele. Não gosto da velociadade cruzeiro que ele insiste em impor-nos. Não gosto do facto de não podermos ter um controlo remoto para voltar atrás, avançar tudo até onde quisermos, ou simplesmente carregar em "pause". Sei que isto não faria sentido, mas é verdade. E é assustador o imperceptível espaço de tempo que separa o abismo da queda. E é assustadora a ténue linha que separa o momento em que estamos em terra firme daquele em que estamos em queda livre. Esse imediato é tão veloz que nos devora. Esse imediato é tão fugaz que nos engole.

27
Mar13

Facebook

Manga Meia-Loira

E o que mexe comigo olhar para os murais e ver que o mundo continua e as pessoas vivem? O tempo passa, a vida rola, tudo anda para a frente, e eu aqui, paralisada e congelada neste pesadelo que me surpreende a cada dia que passa. Sem nada que me faça querer continuar, sem aquilo que já me fez mover o mundo, sem qualquer tipo de certeza no amanhã. É, um dia vou ter um facebook de gente. Um facebook com vida. E uma vida de gente. Quando a recuperar. Um dia vou. Se não pensar assim estou aqui, estou num hospital psiquiátrico. Verdade, verdadinha. Já estive mais longe da loucura e nunca mais me vai fazer qualquer género de confusão ouvir alguém dizer que a vida às vezes não merece ser vivida. Eu explico: cresci num ambiente dourado, com as melhores pessoas do mundo, e sempre fui ensinada (ou herdei?) a amar a vida e tudo o que ela nos traz. Sempre me fez uma grande confusão e um grande espanto ouvir histórias de gente deprimida, gente que deixou de "viver" a vida, gente que só se sabe queixar. Pessoas que desistem de si próprias. Mas agora não. Agora sou eu a perceber como às vezes tudo é tão negro que a nossa vontade de continuar se asvai. É simples, quando tudo está tão negro e não há uma luz, mínima que fosse, nem uma saída de emergência, nem nada que ilumine ou guie, nós perdemo-nos de nós próprios. Perdemos o que fomos, o que somos e o que poderíamos ser. Perdemos tudo. E daí até desistirmos de nós vai um passo. Agora percebo tudo e sei como é. Não quero desistir de mim, mas isto é uma corda elástica. Estica, estica, estica, continua a esticar e estica sempre. Mas vai haver um dia que vai ceder. E nós conseguimos sentir essa pressão. Ela aumenta a cada dia. Primeiro não se nota, é como uma torneira de água que enche. Começa sem percebermos e continua. E pronto. Continuarei a achar que a vida é para ser vivida, que o mundo é para ser sentido, que as pessoas são para ser amadas. Continuo a achar que o valor da vida é inquestionável. Que somos uns privilegiados por ter a sorte de a viver. Que há coisas que não devemos questionar. Por alguma razão na altura de conhecer Kant e Stuar Mill sempre estive inquestionavelmente mais voltada para Kant. Há coisas que nos transcendem e devem ser respeitadas. Há valores que não são sequer questionáveis. Tampouco em nome de uma felicidade incerta. Mas depois estamos num barco sem rumo no meio de uma tempestade, estamos num túnel sem iluminação nem saída, e o nosso elástico estica cada dia mais.

27
Mar13

Acreditas?

Manga Meia-Loira

A sério, se eu contasse exactamente tudo o que me tem acontecido, e como me tem acontecido, ao longo destes tempos, acho que qualquer pessoa minimamente racional iria rir e dizer que isto não pode ser verdade. Às vezes nem eu consigo acreditar, e não fosse eu sentir as dores na pele, bem vivas e verdadeiras, também eu pensaria que estava dentro de um filme de Hollywood. Um filme que me consegue surpreender e magoar a cada dia de uma forma tão dolorosa e torturante que é irreal. Um filme que quando eu penso já saber o guião me consegue surpreender ainda mais e elevando a fasquia para pior me faz pensar que isto é surreal. Juro com quantos dentes tenho e nunca falei tão a sério na minha vida. Tanto que às vezes ainda acho que vou acordar na minha cama, abrir a janela, olhar o jardim, e perceber que isto foi tudo um pesadelo. Um filme de pesadelo. 

25
Mar13

Mudanças-flash

Manga Meia-Loira

Já escrevi sobre os mistérios do tempo, mas aquilo que realmente me assusta é como tudo pode virar 180º, e num espaço imperceptível de tempo. Como tudo se pode pôr de pernas para o ar num flash e no minuto seguinte damos por nós e estamos a viver tudo, mas mesmo tudo, da última forma que imaginaríamos ser possível. De como quantas mais certezas e planos desenhados tivermos para o futuro mais ele se vira completamente para o lado oposto e nos prega um chapadão de luva branca e com toda a subtileza. E quando olhamos para nós depois de uma vida inteira a pensar que íamos ter a um sítio, estamos exactamente no lado oposto. E não conseguimos encontrar uma luz que nos guie, tampouco. Num dia estamos a pôr os copos no expositor e com toda a alegria, força, e vontade do mundo falamos de uma decisão que tomamos, à boca cheia e com sorriso no rosto. No outro dia estamos nas nossas últimas férias de páscoa de "escolinha", somos os Top's finalistas, e estamos a receber notícias da viagem de finalistas. E olhamos para nós este tempo depois e tudo o que nos vem é um choque, um embate. O pânico de como tudo é tão estupidamente breve, curto, e imprevisível. O pavor de as perspectivas não serem para melhorar. O aperto de imaginar como poderá ser daqui a um ano. De se perceber que se em apenas um dia tudo pode virar 180º, num ano pode ser assustadoramente pior. E já não suporto tanta incerteza, dúvida, perda, desorientação, confusão, guerra, luta, paciência, calma, espera, e tudo o resto. Já não cabe mais tristeza no meu coração, e de medo já está ele cheio. Mas é, é incrivelmente aterrorizador tudo isto.

25
Mar13

A travessia

Manga Meia-Loira

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa


Isto, sim, é daquelas coisas que ainda me racha o coração em mais pedaços. Não, não há um tempo. Não, não tem de haver um tempo de travessia. A travessia é para ser percorrida leve e livremente a cada dia, integrada na nossa vida de todos os dias. É para ser percorrida quando deixamos que nas decisões importantes o coração vença a razão. É para ser atravessada quando damos tudo o que está ao nosso alcance e nos viramos de pernas para o ar se for necessário para nos superarmos. É para ser percorrida quando não temos medo de ir mais além e deixamos que os velhos do Restelo se resignem a si próprios e ao seu ressabiamento. É para ser superada quando sonhamos, acreditamos, e nos entregamos por completo àquilo que queremos construir. Isto é fazer a travessia, isto é ir além e nunca ficar à margem de nós próprios. E as roupas podem ser as mesmas e a formas do corpo também, bem cmo os caminhos. A travessia só nos acrescenta se for feita com a base dos caminhos que já percorremos. A travessia está em nós e começa em nós e na base daquilo que é a nossa base.

24
Mar13

Coisas lindas que se apanham no Facebook#2

Manga Meia-Loira

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'Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...''
- O Pequeno Príncipe

 

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24
Mar13

Dói-Dói#2

Manga Meia-Loira

O dói-dói. Que não desaparece. Só aumenta. Continua a rasgar, a magoar, a queimar. A cada dia, a cada hora, a cada pensamento, a cada palavra. Primeiro foi simples, a faca apareceu por trás e nem a vi. Não a conseguia ver, estava demasiado centrada em andar para a frente. Depois, um dia, olhei e ela estava-se a espetar em mim. Gelei, fingi que não acreditei, entrei em negação e senti-me a pessoa mais frustrada, perdida e injustiçada do mundo. Estava sol, calor, era Verão, e tudo estava estranhamente distante. Gelei naquele sol que me batia na cara, no centro daquela cidade tão especial e foi como um embate frontal a alta velocidade: não estava minimamente protegida, tampouco preparada, e a faca foi espetada sem eu a ter visto. Gelei o calor, o céu caiu-me em cima, o chão desabou, o mundo ruiu e os sonhos foram despedaçados um por um, qual castelo de cartas. A faca espetou, o sangue começou a escorrer, e percebi que o "Próxima paragem: mudar a sua vida" não estava assim tão distante. Tremi, revoltei, assustei, choquei, quis gritar, quis fugir, quis desaparecer, quis "hibernar", quis voar, quis sair, quis fugir de mim. A faca tinha entrado, o sangue não parava, e tudo parou para mim. Naquele momento os dias deviam ter sido pintados de negro, o Verão deveria ter sido proibido, a natureza deveria desaparecer, o mundo deveria ter até parado e o tempo acabado. A faca espetada era incrivelmente afiada e acutilante, dolorosa de suportar, e cada vez o sangue era mais. Os dias passavam, e a faca começava agora a descer lenta e dolorosamente por mim abaixo, dilacerava tudo. A cada hora, a cada dia, a cada lembrança, que apesar de estar lá já não era minha, a cada momento. A faca ia descendo, ia rasgando e cortando, pele a pele, pedaço a pedaço, abrindo o caminho do sangue. E eu? Eu era uma nuvem esfarrapada a pairar sobre aquilo que já tinha sido, uma sombra daquilo que já tinha sido a ser destruída e levada nesta corrente de sangue que não poupou nada. E assim foi continuando. Eu não era capaz de fazer o que quer que fosse, já nada estava ao meu alcance. E depois chegou o outro dia. E quando dei por ele a faca já estava a abrir os pulsos, a hora estava lá e tudo se estava a tornar ainda pior, especialmente pior. E nada estava ao alcance das minhas possibilidades. Eu era só uma amostra de mim completamente derrotada e desfeita a ver tudo ser destruído pelos rasgões da faca. Já passaram 240 dias e tudo está ainda em pior estado. Ao longo do dilacerante tempo, em  que cada segundo é uma dor, tudo vai doendo ainda mais. Arde, pica, dói, mói. O sangue continua a esvair-se e já tudo está em verdadeira ferida. Feridas marcadas e abertas que o tempo faz questão de fazer doer mais ainda. E mais doem a cada lembrança, a cada música, a cada pensamento. A cada, sobretudo, pequena coisa que nos faz pensar em tudo o que existiu antes e tudo o que poderia existir se a faca não tivesse entrado. Ela apareceu e entrou-me de surpresa. Não lhe abri a porta e sempre fiz questão de me proteger o máximo que pude de objectos cortantes. Não consegui evitar e desde o primeiro momento que sinto que me perco e acabo a cada dia que passa. É um pedaço de mim que se vai e desaparece. Não sei o que acontecerá. Provavelmente, a faca continuará a encontrar o seu caminho e a espetar-se cada vez mais profunda e dolorosamente. Provavelmente não a conseguirei travar. Provavelmente as feridas continuarão abertas e a jorrar continuamente sangue. Talvez um dia a faca saia, mas mesmo que esse dia chegue, há um longo caminho a percorrer para cicatrizar as feridas. Para já, é tudo ainda uma gigante poça de sangue.

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