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Manga Lima

Manga Lima

09
Mar13

Precisa-se

Manga Meia-Loira

E qual é a frase que mais te ecoa pela cabeça?

"Mlagre precisa-se". Só. Ainda que seja suficientemente racional e pragmática para saber que não há cá disso. E também não há em mais lugar nenhum.

09
Mar13

Ao sítio onde estou, "País da dor", "Cidade da amargura"

Manga Meia-Loira

A ti,

Enjoas-me. Enojas-me. Dás-me vómitos todos os dias. Não gosto de ti. Odeio-te. Odeio-te tanto! Odeio-te com todas as minhas forças e mais quaisquer algumas que ainda tenha. Encerras e encerrarás, sempre, todas as minhas piores lembranças. Todas as minhas mais sofridas marcas. Todos os meus piores pesadelos. És a mais negra das páginas nestes meus anos de vida. És o meu ódio de sempre. A razão de toda a dor. O motivo de todo o sofrimento. O nome das trevas. O espaço do pesadelo.

Odeio-te. Odeio-te tanto! Não gosto de ti. Não gosto dos teus prédios estúpidos. Não gosto das tuas pessoas sem alma. Não gosto do teu frio gélido. Odeio a tua neve. Já só sinto vómitos mentais só de a ver. Odeio o teu estilo de vida. Odeio a tua falta de vida. Odeio a tua gente. Odeio a tua sociedade estúpida. Odeio a tua indiferença. Odeio o teu cheiro. Odeio as tuas ruas. Odeio os teus edifícios. Odeio a tua comida. Odeio, tanto, a tua falta de alma! Odeio a estupidez da tua gente, que nem um banco cede a uma grávida no comboio. Odeio a mesquinhez dos que vivem em ti. Odeio o ressabiamento. Odeio-te. Odeio tudo o que és. Odeio o teu frio gélido, odeio a tua alma de ferro e aço. Odeio tudo o que representas. Odeio tudo o que tens, tudo o que não tens e tudo o que deverias ter. Odeio tudo o que preconizas. Odeio-te. TANTO. E sim, pode odiar-se com todas as forças do Mundo um local. TANTO.

Por agora é isto, e tudo o que poderia dizer seria sempre tão pouco para todo o ódio que me vem em relação a ti!

09
Mar13

E percebes

Manga Meia-Loira

E percebes que a tua vida é (o) um caos no dia em que pensas que se fosses outra pessoa e te conhecesses terias pena de ti. E não, não és, de todo, uma pessoa de "penas". E ainda percebes melhor isso no dia em que o simples início de uma música te faz deslizar as lágrima pela cara. Em público e em real, numa mais que movimentada estação de comboios. E não, nunca foste, de todo, uma pessoa de lágrimas. Tampouco em público. Tudo isto, no espaço de dois dias.

09
Mar13

Um dia

Manga Meia-Loira

Um dia. Um dia lembrei-me que tenho histórias na cabeça que mereciam ser passadas para "papel". Um dia lembrei-me que essas histórias deveriam ser materializadas. Um dia lembrei-me que as juntaria e construiria algo de diferente com elas, talvez um livro. Um dia planeei fazê-lo. E jurei que o faria, e ainda que fosse um plano, era algo que sabia que faria. E planeei o tempo para o começar a fazer. E era algo que gostaria de fazer. Porque sim. Porque o devo a mim e às minhas capacidades. Porque o devo, sobretudo, às "minhas" histórias.

E depois? Depois a vida levou-me, e eu já não sei de mim, e olho para mim e perdi a minha vida, e perdi a minha paz e os meus planos. E olho para mim e só me saem estas dores, escritas pelas mãos no teclado. Fui-me, foi-se a minha paz, e foram-se, ainda que não na totalidade, as histórias.

E penso. Que as palavras que nos saem das mãos são muito daquilo que nos vai dentro. Comigo é assim. E o que me vai dentro é tudo menos digno de uma história. Só mesmo um filme, e nem eu sei bem de que categoria. E que só com paz temos espaço interior para criar. E que só se soubermos de nós é possível fazer isso. E no que a mim diz respeito, a paz já se foi há muito e eu perdi-me algures num dia qualquer do Verão que passou, nem eu sei bem quando. Na verdade não sei nada. Fica a pena. E a mágoa. E se um dia, por acaso, me (re)encontrar, ou a paz, por acaso, me bater à porta, tentarei, com certeza, criar a história. Ou o livro. Ou o que tiver que ser. Fica a pena.

09
Mar13

Hoje

Manga Meia-Loira

Das datas importantes. Dos meses que (não) passam. Ontem dia da mulher. E aqui não há nada. Natal? Que é isso aqui? Foi simplesmente um dia, conseguindo ainda o feito de bater o recorde e ser ainda mais estúpido e insípido que os outros. Passagem de ano? Onde passou ela? Aqui foi só uma noite tão estúpida quanto amarga, com direito a um par de lágrimas à meia-noite por tudo aquilo que 2012 não deixou acontecer ou concluir. Por tudo o que começou pintado de arco-íris e acabou com uma página negra a manchar. Por tudo isto e tudo o mais que me revolve as entranhas até ao mais ínfimo do meu ser. Aniversários de Janeiro? Onde foram? Aqui foi só mais um dia para se juntar ao Natal e Passagem de Ano e rasgar ainda mais esta ferida aberta dói-dói. Mais um dia para deixar as lágrimas cair e silenciar o grito de (dor? desespero? apelo?) que quer sair pela garganta fora a qualquer momento. Carnaval? Aqui não há disso. E ficou só, tão só, mais uma vez, toda a mágoa pelo que não estou a viver. Pelo que deveria viver. E mais um par de lágrimas para fazer companhia às de sempre. Dia da mulher? Onde? Não aqui. E Páscoa? Que é isso? Ainda nem chegou, mas simplesmente não passa aqui. E pronto, aqui é assim, simplesmente os acontecimento não existem. E somam-se as datas umas às outras, e as dores umas às outras, e assim o tempo (não) vai passando. E assim se (des)faz o tempo e se desfaz o resto. Porque tudo mais que eu possa acrescentar será sempre só, tão somente, uma insignificante e ínfima parte do TUDO que fica marcado a cada data. Do tudo que fica desfeito a cada dia que passa, a cada data que o calendário e a memória insistem em (dolorosamente) lembrar.

07
Mar13

"Estupidezes"

Manga Meia-Loira

Estupidez. Perder um ano inteiro, dois semestres, um adianto gigante em direcção ao futuro, por três meses. Estupidezes. Não minhas. Do arrastão em que me tenho deixado ir. Do arrastão no qual a vida me tem empurrado.

07
Mar13

Dói-Dói

Manga Meia-Loira

Dói. Dói-dói. Sempre. Muito. Hoje. Ontem. Amanhã. Sempre. É uma faca afiada que não poupou nada, simplesmente dilacerou cruelmente o copo, a mente e o coração. A esperança no amanhã, as lembranças do ontem e as vivências do hoje. E dilacerou. Cortou. Rasgou. Arrancou. Fez ferida. Faz ferida. E dói. Dói o dói-dói. Abriu tudo. Levou tudo. E não deixou nada. E dói. Dói a ferida, doem as feridas. Todas. Sempre. Não. Não vão curar. Porque dói. Porque doeu. Porque vai doer. Porque está a doer. Agora e em todos os "agoras". E fica a ferida. E está aberta. Sempre. E magoa. E dói. E esta não passa. Está sempre aberta. Não cura. Não cicatriza. Só marca. Porque todo o corpo está rasgado em ferida. Porque toda a alma está dilacerada em pedaços pela cruel faca da vida. Porque a mente está cortada. E está tudo em ferida. Tudo aberto. Tudo em sangue. E a dor. E o dói-dói. Pelo que foi, pelo que deveria estar a ser agora, pelo que não vai ser. E está tudo manchado de sangue negro. E pintado de preto. Só marcas. Muitas. Elas todas. E a ferida dói. A cada segundo, a cada minuto. A cada hora, a cada dia. A cada semana, a cada mês. Sempre. E é fechar os olhos e pensar que a ferida, por breves segundos, não está lá. E pensar que aquela cruel e dilaceradora faca não passou lá. Que o sangue não existe. Que não há dói-dói. Que o sangue não jorra do coração à velocidade com que o rio corre para o mar. Continuamente. Ininterruptamente. Sistematicamente. Dolorosamente imparável. E que tudo foi um pesadelo dos piores. É a esmagadora impotência que fica pela incapacidade e impossibilidade de voltar atrás e tudo ter sido diferente. É, também, a ferida de quem está a perder a vida a cada momento, a cada dia. E depois está lá a eterna e persistente ferida aberta cheia de sangue. O sangue da alma e do coração. A ferida dói-dói. Ela. Sempre ela. Sempre aberta. Sempre o sangue a jorrar. E a perder-se. E depois até dos olhos vêm as inevitáveis lágrimas de sangue. E a dada altura, a ferida já é tão grande, o sangue já é tanto e a dor já é tão aguda que não sabes como ainda estás vivo. Não sabes quando o coração pára de bater. Não sabes quando o teu corpo vai estar tão esvaído em sangue que já não será possível o coração continuar a sua luta. E és obrigada a esperar. E não queres. E já não consegues. E já não podes. Mas és obrigada porque o coração ainda persiste. Ainda resiste. Esse malvado que não cede à morte da vida na ama e continua imperturbavelmente o seu trabalho. Que nem com o dói-dói a consumir tudo pára. E tens a certeza absoluta que já não há remédio. Nem cura. Nem solução. E também não queres. Já não queres. Já não consegues. Já não podes. Já não és capaz. Já não sabes como ainda andas de pé. 

07
Mar13

Quando o coração aperta

Manga Meia-Loira

Há dias que mudam uma vida. Há dias que são para sempre. Há palavras e frases que os marcam inevitavelmente na nossa memória. Há dores de alma que são pesadas de mais. Há medo, muito medo, num emaranhado de uma raiva sem fim, de um sentimento de injustiça inigualável, de um sufoco que aperta e torce o corpo e a alma. E depois vem sempre a impotência, a incapacidade de controlo, essa frustração que mói e que dói. E medo, muito medo, sempre. Medo do agora e do que vai vir, medo por nós, medo pelo coração já tão sofrido, que pode cansar-se e parece querer sucumbir à dor a qualquer momento. Medo pela forca que escasseia e já se foi esvaindo em pedaços ao longo desta travessia do Inferno que parece não ter fim. Bloqueio, da alma e de espirito, talvez como defesa ou instinto de sobrevivência do próprio coração, e percebo que não quero deixar cair a última linha que me prende ao lado de cá. (O que é o lado de cá?) Mas que resta apenas isso: a última linha..e reflicto sobre os meandros retrocidos, maquiavélicos e irónicos do destino, essa coisa inexorável e assustadora. Ele existe? E o resto? E Deus? Ando numa de questionamentos.. Talvez consequência das trevas que me resgataram naquele dia de Verão que não poderia ter acontecido. Não, não existe justiça, nem provavelmente destino ou Deus. Se existissem, aquele dia não teria acontecido.. Dia de Verão com sabor a dissabores, dia em que o mundo já conspirava obscuramente o inicio desta travessia das Tormentas, dia do além, com injustiça e acidez, sabor também a perda e desistência. E há o agora, página negra sobre as cores felizes de um passado que já aconteceu. O agora onde a alma e o coração torcem de dor, soluçam de mágoa e apertam de saudade. O agora com a dor infinita das escolhas que os retorcimemtos da vida nos obrigam a fazer. O agora feito de medo do futuro, desistência do presente e lembrança do ontem. O agora onde o coração aperta e se sente esmagado até ao limite pelo sofrimento. O agora da incerteza. O agora, lugar onde só há medo do que possa vir e mágoa pelo que tem acontecido. O agora do presente envenenado das escolhas maquiavélicas e sofredoras a que a vida obriga. Há o agora, e não sei até quando poderá o coração continuar a bater neste sufoco soluçado. Não sei nada do coração, sei que o meu está esmagado, ferido e despedaçado em tantas partes quantas as dores que tenho. Não sei nada do coração, mas sei que também ele tem o seu limite, qual corda que rebenta, qual balão que estoura. Não sei nada do coração, mas sei que a flexibilidade e resistência do meu já tem vindo a ser demasiado rompidas e já tem aguentado mais que prometia a forca dele próprio. Não sei nada do coração, sei que o meu já só é uma máquina gasta a entrar em falência. E sei. Sei que não o quero parado, mas também não o quero como está. Nem eu sei o que quero. Sei? Que o coração dói e faz doer o corpo todo, contágio físico do sofrimento. E sei, sim, que o corpo enquanto motor de energia da vida tem também limites. E que o meu (corpo?coração? Tudo) já esta torcido dor, mostra dos limites da forca e condição humanas. Está apertado, sim, o coração, qual doente desesperado que precisa de um transplante cirúrgico urgente, ele precisa que a vida se junte ao destino para lhe curar as feridas. Dói? Dói-dói. Cicatriz? Não. Nunca cicatriz. Talvez num futuro longínquo ferida aberta em lento processo de cicatrização, mas sempre marca registada de uma dor que ficará. Cicatriz invisivelmente suave e indorolor? Nao consigo acreditar. Só e apenas se algum dia o acaso, por acaso, conseguisse o feito de me levar onde me-nos-esperam da única forma que poderia apaziguar a ferida rasgada e aberta deste dói-dói, fonte interminável de sangue e dor. Sempre chegamos aonde nos esperam. ?? Provável e possivelmente utopia de brincadeira com palavras. Isto se até lá esta pagina negra não levar o pouco do nada que ainda(?) resta.

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