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Manga Lima

Manga Lima

31
Mai13

E depois?

Ju

E depois... e depois há sempre aqueles dias todos, aquelas tantas horas, em que nem todos os oceanos juntos chegariam para me levar até à realidade que um dia, que tantos dias, que tanto tempo, que com tanta força desenhei, pintei e colori. É aí (aqui) que me salta do coração, dos olhos e da boca toda a acidez, toda a mágoa, toda a revolta, toda a dor por tudo não ter sido diferente. É aí que ainda mais acidez me vem quando realizo que cada dia que passa é mais um pedaço, um buraco negro, um fosso que sou estoicamente obrigada a cavar entre essa distância. É aí (aqui) que me sinto completamente desabada, abandonada e sozinha por tudo e por todos (quase todos). É aí que sinto que nada poderia ter acontecido.. que tudo tinha que ter sido tão perfeito, que tudo foi tão perfeitamente desenhado por mim tanto tampo, que nada podia ter corrido mal, por mais insignificante que ele pudesse ser. É aí (aqui) que sinto e percebo que tudo isto me deixou, deixa, deixará, uma marca e uma acidez e uma revolta e uma senção de que nada poderia ter sido nem pode ser assim que não sei se algum dia passará. É aí que vejo que há marcas e feridas que talvez ficarão mal resolvidas para sempre. É aí que sinto que houve um momento muito claro em que, não sei como nem porquê, tudo quebrou. Tudo desabou, desapareceu, caiu, desfez. Que houve uma espécie de ruptura numa corrente de vida e pretecção que era sagrada. Uma ruptura que me fez perder essa corrente e me desfez, me desfaz todos os dias. Uma quebra de tudo tão rápida, tão abrupta, tão agressiva e tão inesperada, que toda a revolta e acidez são ainda maiores. É aí que sinto que tudo falhou em toda a linha. É aí que sinto que não pode haver nada pior que o não poder voltar atrás e quando penso isto ainda é pior porque ainda que assim fosse nada poderia ter feito. Assim como nada pude nem posso fazer. O tempo passou e as coisas (não) aconteceram. E é, será sempre impossível, viver algum dia aquilo que deveria ter vivido desde essa ruptura. Será sempre impossível voltar lá e essa é a dor maior. Nunca mais voltarei a ter os momentos de ouro que essa ruptura me arrancou da vida. Não posso tê-los agora e não sei se algum dia poderei ter algum. Não faço ideia de quando nem como. Só eu sei tudo o que me vem desde que tudo isto conteceu.  Só eu sei o que é atravessar isto sozinha. Só eu senti e sei tudo o que me veio naquele maldito dia e nos restantes durante aquela segunda metade daquele tão maquiavelicamente irónico Verão. E depois dele. E agora. E até ao infinito, talvez. Só eu soube e sei o que isto é. E é também aí que deixo de ver caminho à frente. Que deixo de ver luz. Que fica tudo vazio, morto, apagado. É também aí (aqui) que não me posso sentir mais defraudada e decepcionada.. comigo, com todos, com a vida, com o destino. É aí (aqui) que acaba tudo e acabo eu tabém. São demasiadas feridas e demasiadas dores maiores. São demasiadas marcas mal resolvidas. São demasiadas feridas a doer. É um demasiado em tudo o que de pior a vida nos pode dar. E um nada em tudo o que minimamente poderia apaziguar isso. A vida abandonou-me, desistiu de mim, de tudo o que eu era e tinha, e estou sozinha quando toda a força do mundo seria insuficiente. É tudo isto e toda a dor negra com que tudo isto me brinda todos os dias, a todas as horas.

03
Mai13

A ela, que hoje passa a ser "maior".

Ju

Ela é parte de mim desde sempre. Eu não imagino, tampouco, a minha vida sem ela colada a mim. E até nos nove meses que nos separaram estivemos juntas porque quando eu saí cá para fora já ela estava a começar a viagem dela. E a partir daí foi sempre assim. "Nascemos", "crescemos" e "acordámos" para a vida juntas. Começámos a andar e a falar juntas, cantámos juntas, brincámos juntas, dançámos juntas, estudámos juntas, passámos férias juntas, comemos juntas, trabalhámos juntas, fizemos e vivemos, sempre, tudo juntas. E se não juntas, sempre com um olho em cima da outra. Eu estive lá sempre, ela esteve lá sempre, e sempre foi assim. Em todos os pedaços das maravilhosas memórias que guardo. Não poderia ser de outra maneira. Tivemos todos os Natais do mundo, todas as Páscoas do mundo, todos os aniversários do mundo. Tivemos todos os carnavais e todas as passagens de ano do mundo. Tivemos todas as férias de Natal e de Páscoa do mundo. Fomos as duas brindadas com uma infância e adolescência num espaço e num tempo tão mágicos, tão preciosos, tão únicos, tão bonitos, tão sentidos, tão especiais, tão vividos, com tanto amor, tanta paz e tanta luz que nunca nada os conseguirá exprimir. Tudo aconteceu no lugar certo, no espaço certo, no momento certo, à hora certa, com as pessoas certas. De uma perfeição e beleza indescritíveis. E hoje é também dia de reviver tudo isso. Somos, no entanto, completamente diferentes em tudo.

Ela é a acção, o movimento, o impulso, o furacão, a gargalhada, a bailarina, a música, a força, a garra. O cabelo da barbie, a genuinidade, a espontaneidade, a vivacidade. O calor latino, a afabilidade do coração. A expressão das mulheres do Norte. Ela tem em exagero tudo o que eu tenho em falta e eu tenho falta de todos os exageros dela. Até nisso nos completamos. Eu gosto, adoro, essa forma de ser dela. E não precisamos de uma só palavra para saber e sentir que cada uma tem o seu espaço, o seu valor, o seu perfil. Que apesar de diferentes temos a mesma base, raíz do clã de aço onde crescemos. Que para além desse clã tão nosso partilhamos metade do ADN, com direito a nome de árvore de azeitonas em flor e tudo. E que tudo isto é um segredo tão especial e tão nosso que nem nós conseguiremos algum dia explicá-lo. Senti-lo é quanto basta e já é tanto!

É também com este segredo no coração que acredito -sinto- que vamos ser mais fortes que este desafio que a vida nos trouxe. Que vamos sair dele ainda mais fortalecidas e a fazer jus à característica do clã, o aço. Vamos ter todos os Natais e todas as celebrações do mundo. Vamos ter todas as férias do mundo. Vamos correr, rir, saltar, dormir, jantar, almoçar, brincar juntas. Vamos fazer o "salta olé" sempre e as vezes que nos apetecer. Vamos partilhar todos estes segredos e muitos mais. Vamos continuar a crescer. Juntas. Sempre.

Não sei que o a vida lhe reserva, não sei o que nos reserva, mas tenho segurança e confiança suficientes para dizer que ela merece tudo o que de melhor a vida lhe der. Merecemos. E que quando se merece isso.. as coisas só podem correr bem. Porque se merece. E ela merece. Merecemos. E um dos mais bonitos segredos que temos são duas estrelas a brilhar no céu para nos iluminar o caminho. Que o brilho delas e esse teu (agora nosso) número tão redondinho sejam prenúncio do início de algo ainda melhor.

01
Mai13

A ti, Maio

Ju

Bem-vindo sejas, Maio, e contigo uma viagem-volta anunciada e toda a fé e esperança das que ainda restam. Bem-vindo sejas, e traz contigo um novo início que se quer prenúncio de algo maior e a realização em mim de uma Primavera que quer tardar. Bem-vindo sejas, então. E traz os teus Maios porque toda a sorte do mundo será necessária.

01
Mai13

A ti, 2013 / 30 de Abril

Ju

Há dias assim. E eu tenho tido demasiados "dias assim". Demasiadas "horas assim". Demasiados "tempos assim". Tanto que nem eu sei como ainda consigo andar para a frente. Tu sabes, e só eu e nós sabemos o que tem isto sido. Tudo o que tem podido correr mal tem corrido, e só resta um vazio infinito e uma buraco negro incomensurável. Desde a própria situação, que seria sempre complicada, até à agreste atitude de todos, passando por todos os acontecimentos, que penderam sempre para o pior lado possível, isto tem sido um verdadeiro filme. Se não fosse real demais até poderia dar para rir.

É tão irónico como, às vezes, ao tentar andar para a frente só nos enterramos mais! Tão irónico como a frase que diz que só nos momentos graves percebemos quem são os verdadeiros é verdadeira. Tão verdadeira quanto o cliché que diz que só quando estamos de fora conseguimos ver correctamente aquilo com que a vida nos brindou lá dentro. E tu sabes, eu sei, o quanto eu tenho aprendido sobre tudo e sobre todos nesta travessia das Tormentas. O quanto tenho crescido com isto. Às vezes é espantosa a forma como o sofrimento nos consegue fazer crescer, como nos consegue elucidar sobre o que nos rodeia. Talvez não fosse preciso tanto, talvez fosse, o que é certo é que mais tormentas nesta travessia seria quase impossível.

Não sei bem como isto começou, não sei bem como poderá acabar, tampouco quando. Sei, só, e quero dizer-te e registar, que continuo a acreditar pia e cegamente em ti. Continuo-me a agarrar ao teu 13 com tudo o que tenho, ou o que ainda me resta disso. Continuo a pensar em ti como o número do impossível. Continuo a olhar-te como o último pedaço da pouca esperança que existe e tenho de me suportar, estoicamente, presa a isso. Continuo a achar que só um número como o teu poderia fazer tudo isto acabar bem. Continuo a pensar que eu mereço isso - nós merecemos isso. E tu estarás aí para isso. Desde a última vez que te escrevi já passaram trinta dias e alguns acontecimentos que foram antecipados. Pouco mais que isso, mas também estava à espera que assim fosse. Já sabes tens ainda todo o tempo que te resta, e nós estaremos cá. E tu irás estar cá para nós na altura certa. Já te disse que sinto que sim. Já te disse como continuo a agarrar-me a ti com tudo o que tenho de forma irracional. Porque há coisas que por mais impossíveis que pareçam, nós sabemos e sentimos que vão acontecer. E hoje é isto que quero que saibas. Sobretudo isto.

(Só dizer-te, ainda, que este 30 de Abril traz, como o dia de ontem trouxe, reminiscências de acontecimentos que me fazem lembrar datas passadas. De como ele foi operado, nós fomos festejar um aniversário ao restaurante, e eu estava preocupada com a preparação de um famoso teste de uma famosa disciplina. De como a cara dela me disse, no teu antecessor, a notícia que não estava à espera. Ou estava. De como estava lá, de como fiquei para a minha obrigação divertida, porque tinha de ficar. De como, sobretudo, tinha o mundo e agora tenho as ruínas.)

01
Mai13

A ti. 365 dias e um oceano depois.

Ju

A ti. 365 dias e um oceano depois. Literalmente.

Pois é, minha estrela brilhante de olhos azuis. A corrente dela parou. E a tua não conseguiu resistir muito mais porque estava, intrínsica e resistente, agarrada à dela. Ela foi com a paz na alma e o amor no coração, e foi com essa paz e esse amor que te ajudou a voltar para o pé dela. O destino e a vida também têm o seu papel, e "não poderia ser de outra maneira". E é, com certeza, com essa paz e esse amor que estais aí agora, no vosso lugarzinho no céu, a brilhar para nos guiar pelo nosso caminho. E é com essa paz e esse amor que quero -queremos- guardar-te(vos) no nosso coração e na nossa memória. É assim que vós fostes, é assim que estais, e é a melhor história e recodação que poderias alguma vez ter deixado. Fica para sempre o teu sorriso, o brilho do azul-mar/céu dos teus olhos e a doçura da tua voz quando dizias "menina". Fica o teu exemplo de luta, sonhos e preserverança. Ficam os teus valores de trabalho, família, respeito, justiça e amor. Fica a certeza de que onde quer que estejas estarás com a melhor das companhias e o coração e a alma preenchidos. Fica tudo isto e a certeza de que, mais do que nunca neste momento tão negro que atravassamos, nos guiarás aonde nos esperam. Nos iluminarás o caminho até ao nosso destinho. Um dia destes faço-te uma visita!

Até sempre, minha estrela de olhos azuis* Ou até um destes dias, melhor dizendo. Até lá, continuarás sempre, mas sempre, no mais especial dos meus cantinhos. De sorriso aberto no rosto e brilho mágico nesse azul mar/céu dos teus olhos.

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