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Manga Lima

Manga Lima

20
Jan17

À lareira

Manga Meia-Loira

Uma tarde, broa, chouriço, lareira, televisão e uma tomada de posse que só pode dar para rir. Ser feliz com (tão) pouco que, afinal, é tanto. Insistir (sempre) naquilo que queremos e lutar, sempre, por isso. Tentar, pelo meio, ser feliz com o que se tem. Simples assim.

19
Jan17

Pela estrada

Manga Meia-Loira

Saí. Tinha de ir ao centro comercial e, ainda que não tivesse, tinha mesmo de apanhar ar. Arejar o cérebro e relativizar o presente. Tentar equilibrar a cabeça e o coração, o passado/presente/futuro. Não quis ir direta ao centro comercial. Continuei. Parei para abastecer o carro. Subi a cidade em direcção às igrejas. Estava sol e a paisagem sempre linda. Passei pelo primeiro santuário e continuei. Sol, luz e a cidade vista de cima. Cheguei ao segundo. Ao voltar tive outra vez a reflexão mais triste que posso ter sobre o futuro. E ali, na estrada entre um santuário e outro a descer para a cidade, deitei fora as lágrimas possíveis. Tento afastar esta reflexão sempre que posso, mas hoje ela esteve lá outra vez: não aguento imaginar, sequer, que não encontrarei o amor que mereço. Não aguento pensar que posso ter perdido/estar a perder alguma oportunidade de ser feliz. É demasiado mau pensar que posso ser eu a não conseguir deixar entrar ninguém no coração. É dos pensamentos mais tristes e dolorosos que posso ter imaginar que daqui a 10 ou 20 anos posso olhar para trás e perceber que a única coisa que construi foi uma carreira e nada mais. Perceber-me sozinha por não ter dado espaço a mim própria para mais nada. Rever o passado e ver uma carreira brilhante e um coração sozinho. Olhar para a família e não ser capaz de a continuar e transmitir o legado e o amor. Não ter um colo onde adormecer todas as noites e um beijo de bom dia que me acorde todas as manhãs. Subir todos os degraus da carreira e não ter um círculo de amor em casa para onde voltar ao fim de cada dia. Eu nunca seria feliz sem uma carreira onde me sinta valorizada e não sei viver (nem seria eu) sem uma dedicação profunda ao trabalho, mas cada vez mais percebo que se tiver só isso, então, também nunca serei (nem um pouco) feliz. O trabalho pode ser a coisa mais importante do mundo, mas sem amor e família não tenho sequer mundo. Desci à cidade e andei pelo centro comercial. Ao fim de jantar fui fazer um bolo. Queimei a base, não consegui derreter as folhas de gelatina e não o deixei no frio antes de fazer a cobertura, que se misturou com o recheio. Sujei a cozinha toda e (quase) a loiça toda. Só saiu asneira. Às vezes os bolos são como os dias: não sai nada de jeito, ainda que se faça um esforço do tamanho do mundo. Aconteça o que acontecer, enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar. Que a estrada tenha sol, vista sobre a cidade e amor. Hoje e sempre. O (Bom) Jesus estará lá sempre para nos ir guiando. Que acreditar (e amar) seja, afinal, já aqui.

18
Jan17

Irrita-me

Manga Meia-Loira

Irrita-me. Irrita-me aquilo que sinto, irrita-me aquilo que quero, irrita-me aquilo que desejo. Irrita-me que mexa comigo de uma forma que eu não consigo nem sei controlar. Irrita-me profundamente porque não posso, porque não quero, porque acho que não é o melhor para mim, porque sei que não iria resultar. Irrita-me e eu dava tudo para que me fosse indiferente. Irrita-me e não controlo. Sabes o pior? É o quanto isso me assusta. Espero que passe. Ou, melhor, que alguém faça passar. O pior é, sempre, o medo. E não controlar o coração como se queria. Linhas paralelas que um dia se hão-de encontrar, enfim.

17
Jan17

5 anos

Manga Meia-Loira

5 anos desde aquele dia de Janeiro em que nos despedimos de ti. Estar na escola, sair, a cara da Ana a dizer aquilo que eu soube imediatamente. Chegar, a tia para abraçar e o pai ainda não tinha chegado. A tristeza e a certeza de que nada seria igual. Aquele dia e os seguintes. O último texto que te dedicamos (tenho de o encontrar). As lágrimas que me caíram sem que eu quisesse naquele fim de dia, com as folhas em branco para escrever, no carro a caminho da capela. A inelutável e inevitável lei da vida a funcionar. O meu coração a sentir que mais nada seria igual e a tristeza por antecipação, afinal o coração às vezes pode estar mais certo que a razão. Despedirmo-nos finalmente de ti. O gesto mais bonito e profundo de amor que já vi em toda a minha vida quando o meu pai abraçou a minha mãe naquele fim de dia, agradecendo-lhe aquilo que não se agradece: o amor maternal que sentia por ti. Afinal podemos ter mais que uma mãe. Passaram-se 5 (duros) anos. Mudou tudo e aquele dia foi, para o pior e para (espero) o melhor, o primeiro de todos. Não sabia nem sonhava (ou pesadelava) tudo o que aquele ano, ainda no início, ia virar do avesso. O resto tenho a certeza que o sabes todos os dias: o teu amor foi ter contigo e juntos deixaram-nos a mais bonita história de amor e de família do mundo. Deixaram-nos um legado que farei e faremos, todos os dias, por manter: o legado do amor, da família, do trabalho, da simplicidade, da humildade, do respeito e do esforço. Deixaram-nos o melhor do mundo: as raízes mais bonitas de sempre que faremos questão de honrar e transmitir. Ficamos com a certeza de que onde quer que estejas (estejam) estarás com certeza cheia de luz a olhar por nós e a brilhar, estrela(s) maior(es) do nosso céu e da família. Aquele dia mudou tudo, o ano ainda mais. Andei completamente perdida da vida mas, pouco a pouco, fui traçando um caminho que me orgulha e que quero que vos orgulhe. Um caminho com muito sofrimento, mas com vontade de futuro. O futuro que sei que, mais cedo ou mais tarde, ficará completo. Reuniremos finalmente o círculo de luz, amor e família novamente aquando do regresso final deles e vocês estarão sempre connosco. Tenho, tentas vezes, umas saudades incríveis de subir para vos levar comida que não consigo expressar por palavras. Aquele sentimento de protecção e amor que só as raízes e a família dão quebraram-se e só se completarão aquando do regresso final. Estarás aí a torcer por nós até lá, sei-o. Estás todos os dias. Há legados que se transmitirião eternamente e garanto-te que os teus filhos, nós e os bisnetos que terás o saberão sempre. Há raízes que se prolongarão no tempo e quero, todos os dias, que os filhos que tiver o sintam e saibam: por vós, pelos nossos pais e por nós. Nunca te esqueças: brilhar é já aqui e é (tão) bom!

02
Jan17

Sonhei

Manga Meia-Loira

Para começar, o sonho! Porque "Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança." António Gedeão

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