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Manga Lima

Manga Lima

03
Fev17

Missão exterminadora de pêlos - 2017

Manga Meia-Loira

Ju deixou de ser medricas de uma vez por todas, largou o medo à porta e vai de entrar pela clínica adentro para exterminar pêlo por pêlo com laser. Haja coragem que isto agora é até não sobrar um pêlo para contar a história. Missão exterminadora de pêlos implacável em curso. 2017 pode até nem trazer surpresas boas, mas pelo menos deixará a pele lisinha. Há que começar por algum lado, afinal.

03
Fev17

Para onde vão os barcos que construímos?

Manga Meia-Loira

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Para onde vão os barcos que construímos quando estamos tristes? Para onde vão os barcos que construímos quando o coração se aperta e a nossa vida parece uma equação que nunca se resolve? Para onde vão os barcos que construímos quando a incerteza das idas e voltas nos aperta o estômago e a esperança? Para onde vão os barcos que construímos quando estamos tristes e só queremos um pedaço de amor do círculo a que já pertencemos? Quando a família e o amor nos parecem caminhos que nos fogem por entre os dedos todos os dias e isso nos destrói aos bocadinhos? Quando nos olhamos de fora para dentro e percebemos que nos falta o essencial, sabendo que não está ao nosso alcance fazer nada contra isso? Para onde vão os barcos que construímos quando estamos tristes e temos medo, tanto medo, do tempo que ainda falta até ao regresso final? Para onde vão os barcos que construímos quando percebemos que a única pessoa que nos toca no coração é impossível por várias razões? Para onde vão os barcos que construímos quando estamos tristes e o amor nos parece um lugar estranho, uma desdita que nunca se resolve e nos faz duvidar do futuro? Para onde vão os barcos que construímos quando choramos uma vida que não temos e que sonhamos e devíamos ter? Quando choramos a vida que temos e as mudanças que não acontecem, raios!, porque não acontecem? Para onde vão os barcos que construímos quando saímos mais uma vez pela porta branca da cozinha, uma ao fim de tantas e tantas, e passamos mais uma vez por aquele caminho e fechamos mais uma vez aquele portão verde e entramos mais uma vez no carro que mais uma vez está no mesmo sítio? E a chuva que não para, qual mar onde os barcos podem navegar, e as nossas lágrimas a perguntar para onde vão os barcos que construímos quando já estamos exaustos de um sítio e da vida que temos nesse sítio e damos tudo pela paz de uma mudança? Para onde vão? Não sei, talvez a chuva e o nevoeiro não deixem ver que há um porto seguro e calmo à espreita.

02
Fev17

O Mar

Manga Meia-Loira

O mar. A areia. Três nomes na areia. Talvez quatro. Sonho, desejo, plano, amor e um dia concretização. No dia em que acontecer, duas frases: tudo vale a pena se a alma não é pequena (Fernando Pessoa) e sempre chegamos aonde nos esperam (José Saramago).

01
Fev17

Se alguém escrevesse sobre nós

Manga Meia-Loira

"Os dias foram-se sucedendo e há já algum tempo que não se viam. Estavam sentados em frente ao mar num fim de tarde de primavera, um ao lado do outro como linhas paralelas que nunca se voltarão a cruzar. Não tinham tocado um no outro nem se conseguiam olhar nos olhos. Ele chegou depois e estiveram uns minutos a contemplar as ondas em silêncio. Ela começou e disse: "Não sei, só nos imaginei daqui a 30 anos aqui sentados com os nossos netos a correr à nossa volta e uma série de gargalhadas como pano de fundo." As lágrimas começaram-lhe a cair e foi a vez dele: "Sim, aqui ou num jardim também nos vi abraçados um ao outro e com uma vida cheia de histórias e netos à volta." Já ele chorava quando ela respirou fundo e respondeu: "Pois, mas depois há a vida e a realidade e o dia-a-dia e nunca ia dar certo, pois não?" Ele levantou o joelho direito, pousou lá o cotovelo e segurou a cabeça com a mão quando disse: "Não. Acho que nunca te ia conseguir dar a segurança e a estabilidade de que precisas e tu, no fundo, nunca foste dada a loucuras e a pessoas instávaveis.. e eu nunca me saberei comportar como um senhor." Ela levou a mão ao cabelo para o puxar para trás e disse: "Pois é. Tu também nunca gostaste de coisas certinhas e direitinhas. Além disso necessitas de alguém que trate de ti e da casa e eu nem de mim consigo tomar conta, nem uma panela de arroz consigo fazer." Ele esboçou um sorriso e disse: "E acabamos a gostar um do outro mais que o que devíamos, mais que aquilo que podia imaginar. Somos tão diferentes e conseguimos sentir-nos tão próximos e completos." Ela engoliu em seco e disse: "É, a vida é tramada e o amor ainda mais. Mas teremos sempre novos dias, novas pessoas, novas histórias.." Ele interrompeu-a disse: "Teremos e aquilo que nos separa é demasiado.." As lágrimas caíam-lhe pela cara mas ele continuou "Sabes, sempre me imaginei a contar aos nossos netos como ver-te sentada no sofá a ler um livro com a maior calma do mundo foi a imagem mais próxima da perfeição que já tive." Ela sorriu entre lágrimas e respondeu: "Também sempre me imaginei a contar-lhes como eras louco e como me conseguias pôr a fazer as coisas mais incríveis e doidas que mais ninguém conseguia." Ele disse: "Apesar de tudo desejo-te uma vida feliz. Não te percas só no trabalho, tens tudo para ser uma esposa dedicada e uma mãe brilhante. Mereces alguém que te faça o arroz e que se perca nesse cabelo perfeito." Ela levou os olhos ao céu e disse: "Desejo-te o mesmo. Não te percas só nas brincadeiras. Sabes que serás um bom marido e bom pai. Mereces alguém que saiba lidar com essa tua forma de ser no dia-a-dia e que te tome conta da vida." Ele disse: "Tudo isto me dói. Tudo nos separa. A vida, o trabalho, os amigos, a família, as outras pessoas.." Ela voltou a olhar para a areia e respondeu: "Sim, a realidade não é um conto de fadas." Ele disse: "É a vida, não é?" Ela: "É". Então viraram-se finalmente um para o outro e entre lágrimas e soluços disseram ao mesmo tempo "amo-te"." Há conversas que talvez nunca aconteçam. Hoje lembrei-me que se um dia falássemos sobre nós aconteceria isto. Não sei como termina esta história que imaginei e escrevi, como não sei como vai terminar a nossa. Imaginei só este diálogo como sendo o final de um livro qualquer. Talvez aquelas duas pessoas sigam pela vida sem se voltarem a ver. Talvez corram atrás do amor e ao fim de uma semana, um mês ou um ano ele lhe bata à porta de casa e lhe estenda os braços ou ela o espere no trabalho de sorriso no rosto. A vida é um livro aberto, certo? Que seja um livro bonito, haja o que houver.

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