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Manga Lima

Manga Lima

30
Mai17

Ao último dia, chim-chim

Ju

Amanhã é o último dia em que me levanto e me sento naquele auditório. É o último dia, provavelmente, em que tenho aulas naquela escola, com aquelas pessoas e aqueles professores. O último. Não sei como é que isto aconteceu, mas passou demasiado rápido. Quatro anos. Nem tenho tempo de pensar nisto tudo, caramba, mas foi tudo simplesmente espetacular. Ainda ando demasiado ocupada e ainda tenho provas a fazer, mas amanhã é o último dia destes quatro anos e (também) do resto da minha vida. Amanhã encerro quase definitivamente este ciclo e tudo o que isso significa. Foram horas infinitas de salas e auditórios, aulas e aulas, professores e professores. Algumas aulas esperecaulares e alguns professores fascinantes, outros nem tento. Foi incrível e valeu tudo a pena. Tudo vale a pena se a alma não é pequena, já dizia Pessoa. Tudo valeu ainda (muito) mais a pena pelas pessoas espetaculares que fizeram parte deste ciclo e estiveram também em todos os auditórios e aulas comigo. Não tenho sequer tempo nem cérebro para viver isto realizando que é uma despedida, mas é por isso que tinha de ficar escrita. [Sim, só me faltava tê-los cá para ser perfeito. O melhor de dois mundos.] Para sempre como durante estes quatros anos, o segredo é ir. Ir sem olhar e ir. Ir sem pensar e ir. Porque o caminho, esse, só se faz caminhando. Só se faz a ir.

27
Mai17

Brisa de Maio tranquila

Ju

Maio está a chegar ao fim. Ainda nem tive tempo de pensar nisso, mas foi um mês muito mais calmo que aquilo que pensei. Contava que os momentos de respirar fundo três vezes por querer mandar tudo ao ar fossem muitos mais, que a ansiedade fosse muito maior, que tudo custasse mais. Não foi, foi suave, leve e tranquilo, pelo menos no geral. Teve um regresso demasiado breve e demasiado bom, com jantares, almoços e lanches pelo meio e não houve grandes ansiedades. O caminho faz-se caminhando, e é esse o espírito e o segredo. Continua-me a faltar muita coisa é há muito a decidir, mas esta suavidade de Maio surpreendeu-me. Leve, suave e simples como uma brisa passageira. Foi assim. Carregado de trabalho mas foi assim. A primavera continua, há muito a fazer mas só quero manter esta tranquilidade. 2017 vai a quase a meio e, não tendo grandes surpresas ainda, também não está na lista dos maus. Ainda falta muito, mesmo muito, mas se esta brisa suave de calma se mantiver tudo é possível.

24
Mai17

À janela

Ju

Dói. Não tem como não doer. Dói e ponto. Hoje à janela, aqui, como naquela tarde de Janeiro de há quatro anos. A mesma música, a mesma nostalgia, a mesma tristeza, a mesma vontade de recuperar aquilo que não voltei a ter e tanto preciso. Neste fim de tarde como naquele Domingo do outro lado do Atlântico. Há sentimentos que de tantos e tão fortes não se explicam. A mesma vontade de ter o ninho que me foi roubado, a mesma necessidade do carinho do círculo de luz e amor, a mesma impotência perante aquilo que a vida nos impõe, a mesma dor da distância, o mesmo sentimento de perda e de falta de quem mais precisava que estivesse cá. Só muda a janela e o local, tudo o resto se mantém. Mas há uma vantagem: a certeza do caminho certo. Sei-o a cada dia mais. E vai acontecer.

16
Mai17

13 de Maio de 2017

Ju

Há momentos que nos deixam o coração de tal forma cheio que nos faltam as palavras. Para gravar na cabeça e no coração fica (também) isto: " Podes achar que não tens P’ra onde ir, nem que fazer. Não sabes bem quem és aqui Neste mundo, tão grande e frio. Mas há qualquer coisa em ti Que te faz querer, querer ser alguém, Querer ser alguém.. E a vida não vai parar, Vai como vento, Tens tudo a dar Não percas tempo. Podes saber, que vais chegar Onde Deus te levar. 2. Mas pode ser tão difícil, de acreditar em Deus assim. Será que Deus se vai lembrar de me ajudar; será que sim?! Mas há qualquer coisa em mim Que me faz querer: acreditar Acreditar!

14
Mai17

Sendo louca

Ju

Já que não o consigo admitir ao mundo nem a ninguém tenho que o admitir para comigo própria. Sendo louca queria que me agarrasses sempre com força, que me abraçasses e que andasses comigo à roda até ficarmos tontos.. afinal já me deixas o coração tonto e baralhado. Sendo louca queria que tirasses sempre montes de fotos nossas, as tivesses sempre guardadas e as olhasses sentindo aquilo que sinto, com o maior carinho e amor do mundo. Sendo louca queria que fosses louco por mim como o meu coração é tonto por ti. Por inteiro e sem hipótese de escolha ou saída. Sendo louca queria que o meu nome te estivesse gravado na cabeça e no coração todos os dias e em todos os momentos, que fosse o nome com que adormeces e a palavra com que acordas e sonhas acordado. Sendo louca queria ser a única pessoa com quem te imaginas a partilhar a alma, a vida e o futuro. Sendo louca queria que sonhasses com noites a ver as estrelas, passeios no mar e dias de sofás e mantas tanto quanto eu sonho. Sendo louca queria que precisasses do meu sorriso, da minha voz e da minha calma como precisas do ar para respirar, que precisasses da força do meu abraço tanto quanto eu gosto do teu. Sendo louca queria que me me ligasses a qualquer hora e mandasse mensagens a meio do dia ou da noite só porque estás com saudades. Sendo louca queria que te sentasses comigo em frente ao mar a partilhar planos de futuro e desejos de alianças no dedo e de filhos. Sendo louca queria que me dissesses que temos tudo (temos tanto tudo) para dar e me agarrasses na mão e dissesses que o futuro é já aqui e tem uma ida ao altar e planos de bebés. Sendo louca queira que não te conseguisses imaginar a viver sem mim e sem a minha força. Sendo louca queria que saíssemos algumas vezes de casa para passear sem ninguém saber e estivéssemos umas horas perdidos um com o outro sem nada mais importar. Sendo louca queria que me puxasses o cabelo para trás e colasses o teu ouvido à minha orelha a falar de nós e da vida. Sendo louca queria que falasses de mim com um orgulho enorme e tivesses todos os dias ainda mais orgulho naquilo que sou. Sendo louca queria que fosses a minha primeira imagem da manhã e a ultima da noite, e que acordássemos juntos. Sendo louca queria ter a hipótese de criar uma ou outra discussão só para te mostrar que posso ganhar. Sendo louca queria que sorrises ao falar de mim à tua família e sorrisses ainda mais de cada vez que entrasses em tua casa comigo. Sendo louca queria que me visses, como eu já vi naquela noite, no jardim da tua casa numa tarde de sol com um bebé nosso ao colo e fosse a imagem mais bonita da tua vida. Sendo louca queria ser aquilo que te preenche e te ocupa tanto a vida que não houvesse espaço para mais ninguém. Sendo louca queria que tivesses a certeza, mesmo nos momentos mais dificieis, de que sou a tua maior certeza. Sendo louca queria que fossemos crianças um com o outro como só nós sabemos ser e criássemos os cenários mais parvos em qualquer lugar só para nos rirmos à grande. Sendo louca queria fazer com que te tornasses melhor pessoa e trocasses, metaforicamente, o sábado à noite pelo domingo de manhã. Sendo louca queria levar-te pela mão a conhecer a minha casa, o meu jardim, a Amorosa e todos os outros meus sítios bonitos e importantes. Sendo louca queria falar-te mais de mim e da minha vida sob as estrelas e com a cidade como pano de fundo. Sendo louca queria ser a presença mais marcante da tua vida e queria que tivesses a certeza de que estou sempre cá. Sendo louca queria marcar-te com a certeza de que o mar é já aqui, de que haja o que houver estou aqui, de que a chuva passa sempre e todas as outras musicas. Sendo louca queria-te deixar o carro sempre com algo meu e o quarto com fotos nossas e poemas bonitos. Sendo louca só queria que continuasses a andar comigo à roda agarrada a ti como ontem para o resto da vida, os sorrisos tratam do resto e ser felizes como crianças já nós sabemos. [Sim, há um se no início de todas estas frases. Esse se é do tamanho do mundo e é tudo o que nos separa, a começar pelas dúvidas e incertezas.] E o que tiver de ser, será. E o que não tiver de ser, não será.

01
Mai17

Frio de domingo

Ju

Era domingo, era demasiado cedo e estava frio. Os anos passaram e passam e já encontro pouco de mim naquela casa e naquele espaço. As árvores grandes ou secas, o paralelo sujo, a tinta descuidada, os sofás amarelados da humidade e do vazio da casa. O cheiro, só o cheiro ainda é o mesmo. E os pedaços de vida que lá ficaram intocados, livros e restos de roupa de outro tempo que às vezes é tão próximo e outras vezes tão distante. Já me doeu como tudo o vazio daquela casa, agora é mais indiferença que outra coisa. Mas era domingo de manhã, era cedo e estava frio. Lá fora, entre a porta da cozinha e a da sala, passou-me uma imagem pela cabeça que podia ser a da vida que teria se tudo tivesse continuado igual ou ainda pode ser a da vida que terei. Era demasiado bonita, aconchegante, protetora, especial e sonhada e por isso não a esqueço. Era tão simples que me conseguiu emocionar. Era tão só eu a dormir embalada, quente e aconchegada por um amor que era aquilo que quero viver, e era eu a dormir com a paz de saber que os meus estavam ali perto e de bem com a vida. Demasiado simples e fácil, parece, e tão impossível e distante na vida real. Demasiado fácil e demasiado inalcançável, é isso que me custa. Acontecerá, porque eu quero e mereço e eles querem e merecem. Naquela manhã a realidade foi (é) muito diferente. Acontecerá e aquilo que tiver de ser será. Isto gira demasiado rápido e a Ju que há cinco anos vivia naquela casa também não poderia imaginar aquilo que é a vida da Ju de agora. [Relembrei-me agora que a imagem que tive foi mais ou menos como a imagem que tive naquela tarde de há quatro anos. Era o segundo teste, ainda, e era mais que decisivo porque me podia marcar ao ponto de acreditar, ainda mais, que não era capaz de percorrer este caminho. Estava preocupada, ansiosa e instável. E embalada pelo cheiro da casa consegui ver uma Ju diferente, uma Ju no futuro, naquela casa, a agradecer à Ju daquela tarde o esforço psicológico sobre-humano. Estou bem mais perto dessa Ju agora, espero-o. E isso já vale por (quase) tudo.]

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