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Manga Lima

Manga Lima

30
Jul17

5 anos (26 de Julho)

Ju

Fez esta semana 5 anos. 5 anos desde aquele dia em que tudo começou a mudar a sério. Desde aquele dia em que, sem nada ter mudado, houve uma vida inteira (as nossas todas e a minha em particular) que acabou ali. Era quinta-feira, tínhamos saído de uma consulta minha e estávamos no centro do Porto. E depois há aquela série de momentos: as ruas, os semáforos, o meu pai a dizer que era hora de mudar de país e de vida, a minha mãe a concordar, a Di nem sei se estava lá, e eu estupefacta e aterrorizada a não querer acreditar. Eu e a minha vida toda ali em jogo, um futuro mais que planeado e muito mais que desejado a caminho (aqui) e eu a ver tudo a desfazer-se ali à frente dos meus olhos e na minha cabeça. Lembro-me de quase tudo: do meu "não", de todas as (tantas) lágrimas, da viagem de comboio que foi a pior de sempre e da sensação de impotência, angústia e frustração. Naquele dia vi grande parte do filme que se seguiu à minha frente. Primeiro a negação, depois a dor da realidade. A candidatura à universidade e o sonho que isso representava a ficarem suspensos; as noites de revolta, dor, injustiça e choro; não querer ir e decidir ir, achando que seria o que tivesse de ser (perdida por cem, perdida por mil); ver que entrei na universidade e no curso que queria e isso ser um momento que foi tudo menos o que devia ser; ver os meus amigos a viver esse (e outros) sonho(s) e eu com a vida parada; ir e rejeitar tudo; descer o mais fundo que alguém pode descer lá e experimentar sensações e sentimentos que jamais quero viver ou relembrar; chorar, escrever, tentar falar e senntir-me perdida; sentir-me sem vida, sem objectivos, sem caminho, sem família, sem nada; sentar-me (lá) no chão da entrada da casa a conversar com a minha mãe e acabar a atirar-me para o chão daquele escritório a falar com o meu pai e a chorar, gritar e arrancar cabelo - ainda revejo isto como quem puxa atrás um filme e só espero nunca mais chegar, sequer, perto daquele estado que nem sei (nem quero saber) explicar; decidir, em conjunto com eles, que a hipótese que me restava era regressar e recomeçar; ter consciência, todos os dias, que voltar era a única coisa que me restava para não desistir de mim, deles e da vida; aterrar cá, levar um banho de sal e sol e tentar o recomeço possível tendo-os longe; sentir, todos os dias, a dor de viver longe deles e do círculo de amor e família que tivemos um dia; não saber o que fazer com tudo o que já tinha sofrido e com o que ainda me faltava sofrer; entrar, finalmente, na universidade e levar o maior choque e banho de realidade da minha vida com esse "recomeço" e com a rotina; achar, todos os dias, que nunca conseguiria acabar o curso; passar metade do tempo a chorar e a outra metade a tentar estudar; ter um resultado péssimo no primeiro teste e um quase ataque de pânico antes do segundo teste; querer mudar de curso todos os dias daquele primeiro semestre; fazer psicoterapia e começar a (re)construir um caminho que me foi fazendo continuar e reaprender a sonhar; começar a gostar do curso, confirmar que tenho capacidade para o fazer e decidir que o quero (muito) fazer; apaixonar-me pelo curso e encontrar (também) nele um sentido para a vida; deixar a vida seguir o seu rumo e ir sonhando. Passaram-se cinco anos. Tive e tenho (todos os dias) umas saudades infinitas deles e uma falta incrível de os ter aqui perto. Chorei a alma e a vida, sobretudo no início, e continuo a chorar de vez em quando pelo colo deles que está tão longe. Percebi e sei que há feridas que cicatrizam mas nunca serão esquecidas. Acabei o curso e foi, até agora, a grande realização da minha vida. Tive uma festa de finalistas linda e especial e os meus pais ficaram tão ou mais felizes do que eu. Decidi o que quero continuar a estudar e onde e estou em paz com isso. Pelo meio continuei a ter os meus amigos de sempre por perto, fiz amigos incríveis na universidade como nunca achei possível e estudei que me fartei. Dediquei-me profundamente ao curso, como queria, e tive excelentes resultados - fi-lo por mim, por eles e porque precisava de provar a mim (sim, antes e para lá de qualquer coisa, a mim) e ao mundo que era capaz e conseguia. Cresci - durante estes cinco anos cresci infinitamente enquanto pessoa: ganhei um lado humano que de outra forma nunca teria; percebi que grande parte da nossa vida não depende de nós, só nos resta saber viver com isso; percebi que a dor nos transforma e nos pode fazer ser melhores pessoas; ganhei compreensão para com quem vive momentos de fragilidade; ganhei sensibilidade (muita) mas também me tornei ainda mais defensiva; Mudei: mudei tanto a forma de ver a família e a vida, e ainda bem! Percebi que nada pode ser mais importante que a família e o amor porque sem eles nada (mesmo nada) faz sentido. Percebi que quero muito tê-los sempre perto. Percebi que quero muito encontrar alguém que me ame por aquilo que sou e que queira viver uma história de amor comigo. Percebi que quero muito casar, com véu, assinaturas e tudo. Percebi que quero muito ser mãe e educar um filho. Talvez esta seja das maiores riquezas que tudo isto me deixa: a certeza de que a família se sobrepõe a tudo e que quero muito viver a conjugalidade e a parentalidade. Foi difícil, muito difícil até, o tempo que se seguiu àquele dia. Talvez não tivesse sido preciso tanto sofrimento para crescer. A vida quis assim. Cresci, sobrevivi e descobri aquilo que quero para mim. Consegui aquilo de que tanto duvidei e achei impossível. Estou em paz, todos os dias, com a vida que escolhi e escolho e isso não tem preço. (Eles estão lá e vou continuar a querer tê-los sempre aqui e por perto, isso é inultrapassável, mas hoje e agora estou em paz com isso e é o que verdadeiramente importa.) Sobre o resto? Amor e enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar.

27
Jul17

A vida por estes dias

Ju

Decidi que a paz e a tranquilidade não têm preço, que quero continuar a caminhar segura e dentro do meu ritmo e estou e quero estar (sempre) em paz com isto. Nada de sobressaltos, dias intermináveis, viagens cansadas ou falta de tempo para respirar. Nada de querer estar em todas as frentes e acabar a sentar-me no chão exausta sem ter concretizado nada. Tempo e segurança para ser toda em cada coisa e pôr tudo quanto sou naquilo que fizer. Mais sol e ar e o caminho far-se-á caminhando. 

Está calor, as aulas têm-me feito dormir pouco mas têm sido giras e estou quase de malas prontas para voar para o colo dos papás.

A pessoa que me disser que as mulheres são difícieis de entender arrisca-se a levar com o objecto mais próximo de mim na cabeça. A sério, ou os homens estão todos a bater mal da cabeça ou eu tenho um íman que traz esses todos até mim e quase que me caem na sopa! Não percebo, juro que não percebo. Lá está, há alturas na vida para tudo.. até para nos aparecerem à frente todos os gajos que batem mal da cabeça (e bater mal da cabeça, nos casos a que me refiro, é eufemismo). Batem mal da cabeça, são parvos, comportam-se como crianças, dizem umas coisas e fazem outras... é sé escolher. Claro que também tem coisas boas, e só por isso é que eu não consigo ser mal-educada e virar as costas. Parece giro, mas isto cansa.

 

22
Jul17

Repost - "Vida e Coração"

Ju

Há um ano escrevi assim. Nem eu imaginava o quanto ainda me ia custar. O quanto me custa, tantas vezes, todos os dias. Porque hoje como há um ano dói: dói mais (muito mais) que aquilo que eu queria, que aquilo que devia ou que aquilo que podia.

http://mangalima.blogs.sapo.pt/vida-e-coracao-26977

"A vida gosta muitas vezes de nos pôr à prova. Sei que não posso querer ou gostar mas quero (sem querer). Sei que nunca poderá ser mas quero que seja (sem querer). Sei que tenho que fugir mas só consigo ficar. Sei que tenho que desligar mas não consigo. Sei que tenho que acabar com esta parvoíce mas não consigo ter força. Sei que é tudo um devaneio irracional mas não consigo acabar com ele. Sei que não seria bom para mim mas isso não muda nada. Sei que é um nunca-nunca mas queria (sem querer) que fosse um para sempre. Sei que não é real mas muitas vezes os sonhos são uma tábua de salvação, e sei ainda melhor que é tudo uma ilusão. Sei o que a razão diz mas o coração às vezes também quer mandar. Sei que não é possível mas vai tudo muito para além da sabedoria. Sei que não tenho a certeza do que quero mas também sei que me sinto demasiado feliz para ser verdade com certas presenças e conversas. Sei que há imagens que são impossíveis por todas as razões do mundo, mas não consigo deixar de as visualizar em momentos de dor e de as ter como força para continuar, mesmo que irreais. Sei que nunca acontecerá mas não consigo deixar de imaginar e ver o que poderia acontecer. Sei que nunca haverá uma infinita parte de tudo o que já vi e quis viver em sonhos, mas nem isso chega par acabar com este devaneio. Sei que seria tudo demasiado perfeito e irreal para ser verdade, mas isso também não muda nada. Nada muda nada porque haverá sempre um oceano de pessoas, diferenças e 1001 outras coisas a separar-nos. Porque haverá sempre infinitas razões para que nada aconteça. Porque será sempre muito mais fácil ir andando, cada qual consigo próprio ou com quem for calhando. E será assim, como tem sido, e nunca teremos coragem para fazer algo acontecer. Eu porque terei sempre um medo aterrador que me vai sempre paralisar. Tu porque estás a quilómetros de distância de imaginar o que quer que seja sobre isto. E assim ficaremos (talvez) sempre aquém de nós. Resta-nos sermos um com o outro as pessoas possíveis. Resta-nos termos um com o outro a ligação possível. Resta-nos as conversas e pensamentos únicos que só em conjunto conseguimos ter. Resta-nos sermos, cada um, as pessoas possíveis para o outro. Ficaremos mesmo aquém de nós mesmos e talvez um dia nada doa. Talvez um dia isto seja só uma ténue recordação por entre uma vida completa e feliz, vida essa a que assistirás do lado de fora. Talvez. Por agora dói - mais que o que devia, mais que o que queria, mais que o que podia. No passado foi doendo. No futuro talvez vá deixando de doer. Mas dói e dói agora. E agora só me resta ir vendo e vivendo. Cada um de nós ficará sempre do lado de fora da vida do outro e as imagens demasiado felizes e irreais talvez sejam só isso mesmo, um sonho. Ou talvez tenham apenas outros protagonistas e venham a ser reais. Seremos os amigos possíveis. Com a certeza de que poderíamos ser muito mais. Aquele mais que doeu e dói. E não devia. Mas eu nunca poderei estar perto do que vai nessa cabeça e nesse coração (ou não quero) e tu nunca conseguirás sequer imaginar uma ínfima parte daquilo que me está no coração (e que a razão quer destruir). Ainda que aquém de nós mesmos, talvez cada um de nós se vá conseguindo superar à sua maneira. Seremos sempre os amigos possíveis... Ou talvez um dia nem isso. Por agora e nos próximos tempos (e sempre) estaremos sempre longe demais. E doeu. E dói. E vai doer. E é sempre longe demais."

 

21
Jul17

Amorosa

Ju

Foi bom, foi bonito e deu para apanhar ar.. e sol e vento e tudo. Gostei. Houve uma leveza que só se consegue ter quando se está longe de casa e dos sítios que são nossos. Estava a precisar de um bocadinho disso.

13
Jul17

Decidi...e que amar e o mar sejam já aqui!

Ju

Decidi e está decidido. Com este calor e estes últimos dias veio-me uma sensação ainda maior de ligação a casa.. à casa-terra, casa-mãe, casa-pai, casa-família, casa-infância, casa-ninho, casa-amor, casa-calor e casa-coração. E foi assim, razão lá ao fundo e coração por todo o lado e por todos os pensamentos que decidi. Custou decidir, custou mesmo, mas já está. Custou porque se perde sempre algo, e porque não é fácil saber que são caminhos de vida completamente diferentes. Que as pessoas que vou conhecer e os caminhos que vou traçar com a decisão que tomo e os meus dias poderiam ser completamente diferentes, melhores ou piores mas sempre diferentes. Fui lendo coisas e fui tentando ouvir as pessoas em quem confio, sempre sabendo que a decisão é só minha e é muito minha. Aquilo que fui lendo e ouvindo também não me encorajou muito a saltar. Não era aquilo que queria e abriu-me ainda mais os medos que já tinha. Pesei muita coisa, e a balança ia ficando sempre dividida. Sempre com a casa-ninho de um lado e a descoberta de outro. E depois, à medida que o tempo foi passando e os prazos se foram esgotando (ainda vou a tempo de mudar, ahahah), o peso foi caindo todo para o lado do coração e da casa-amor. Foi também começando a pesar quando li experiências de pessoas e percebi que aquilo que mais me poderia fazer experimentar outra cidade e universidade poderia estar mais perto do pesadelo do que do sonho. Foi pesando quando ouvi a minha amiga falar da experiência pouco positiva que teve. E pesou na hora em que vi o boletim de candidatura preenchido e o símbolo não era o dos meus últimos quatro anos. E na hora em que percebi que não o ia entregar ao sítio que tão bem conheço. E na hora em que tudo o que via no meu sítio e nestes quatro anos lá passados me parecia tão bonito e especial. Foi como um ataque de sentimentalismo ao melhor estilo de "daqui não saio, daqui ninguém me tira" ou "não me tirem a minha universidade, que a universidade é muito minha". Também pesou o facto de todas as minhas pessoas continuarem cá. Depois há muitas outras coisas. Assustou-me a distância, assustou-me o ambiente que poderia encontrar, assustou-me a hipótese de não gostar de nada e assustou-me ainda mais a ideia de me poder sentir sozinha. Assustou-me desmesuradamente a ideia de daqui a uns anos poder estar no centro do mundo e me sentir sem mundo porque as páginas de currículo preenchidas são inversamente proporcionais às páginas do coração (e da vida) em branco. Assustou-me aquilo que já li de alguém e que dizia "subi tanto que me ficaram as pessoas pelo caminho". Não consegui, tão pouco, configurar isso como uma possibilidade.. era e será sempre tudo o que não quero para mim. Foi com consciência disto e das expêriencias pouco positivas que me chegaram que decidi. E decidi em paz. Acima de tudo não me quis colocar numa posição vulnerável ou redutível. E tive, todos os minutos, a certeza de que nada paga o sentimento casa-ninho/casa-amor. Não há nem haverá nada mais bonito que a ideia de saber que ao fim do dia se pode abrir a porta de casa, essa casa-lar que é amor e é ninho. Acabei, no fundo, por seguir com a ideia que sempre tive. Não sei se fiz bem ou mal, se condicionei o futuro para o melhor ou para o menos bom, sei que houve um fundo de razão e muito coração e isso basta-me. Sei, e por isso é que escrevo este texto, que se um dia sentir que não fiz uma boa escolha vou ler este texto e ficar em paz. É isso que me importa. Isto ainda é menos fácil quando se tem um pai que nos manda voar e seguir, que nos quer fora do ninho para crescer e acha mesmo que o nosso caminho é conhecer e descobrir. Acontece que esse pai sabe muito de amor (que sabe) mas não sabe tudo. Não sabe que esta filha está, consciente e inconscientemente, condicionada pela má experiência (e má é eufemismo) que teve noutro país. Que esta filha sente todos os dias a falta dele e do círculo de luz e por isso troca tudo pela ideia de casa-amor e casa-ninho. Que esta filha vai cumprir um designío de vida (e curar muitas cicatrizes) no dia em que ele(s) regressar(em) à casa-ninho definitivamente. Que esta filha sonha com a ideia de o(s) ter na casa-terra todos os dias do ano. E sonha ainda mais com a ideia de viver sempre perto dele(s).. de poder almoçar com ele(s) e jantar sempre que quiser, de lhe(s) dar um neto ou mais e de o(s) ver fazer parte da sua educação. E esta filha espera, com o coração e com tudo o que tem, alma inteira e sonho de vida lá depositado, que nesse dia esse pai lhe agradeça por nunca ter desistido da casa-ninho. Nesse dia, esse pai que vai poder estar sempre perto e participar na vida da filha e na educação do(s) neto(s) há-de sorrir e agradecer por perceber que esse é o sentido da vida. E esta filha que hoje escreve vai sorrir e, em silêncio, saber para consigo que ensinou algo sobre o amor ao pai. E sorriremos juntos, e os nossos connosco, e as estrelas que temos nos céu piscarão o olho e dirão "a miúda até sabia umas coisas sobre o amor". Sim, estrelas nossas, eu sei que isto não foi só uma decisão minha.. foi minha mas teve um ar vosso e foi por mim, por eles e pela família-amor. Agora...agora é entrar no barco e percorrer o rio a toda a velocidade, sem parar. Com a certeza de que há algo em mim que me faz querer ser alguém "E a vida não vai parar / Vai como o vento / Tens tudo a dar / Não percas tempo / Podes saber / Que vais chegar / Onde deus te levar ". E venha o estudo e os testes e as sextas e os sábados e tudo o mais que tiver que vir. Venha isso e fique um "quincrível" no dia em que for mestre da culinária. Sim, isto é tudo sobre amor... e sobre querer muito mais subir as escadas da nossa casa de coração (e colo) cheio do que quaisquer outras. É que lá em cima há uma biblioteca linda que um dia não será só desse pai e desta filha, será também do(s) filho(s) que esta filha tiver que lá hão-de sentir a nossa paixão por livros. E aí, será no jardim com flores, música e livros que "re-lerei" isto e estarei eterna e infinitamente grata à vida, às estrelas, ao Bom Jesus e aos meus por tudo. Que o caminho se vá fazendo caminhando... e sabendo que amar e o mar são/serão já aqui.

09
Jul17

O amor está nos detalhes e nas pequenas coisas

Ju

O amor está nas mais pequeninas coisas e nos detalhes do dia-a-dia. Está na vida de todos os dias, a toda a hora. Está na hora de acordar e do beijo de bom dia para começar bem. Está no abraço que deve ser dado antes de sair de casa e no beijo que se atira pelo ar antes de sair. Está no sorriso involuntário que acontece no meio do trânsito só porque nos lembramos da nossa pessoa. Está na mensagem que chega ou que se envia a meio da manhã. Na frase bonita que se escreve à hora de almoço ou no almoço partilhado entre conversas e sorisos. Está no passo apressado do nosso amor ao abrir a porta de casa ao fim do dia para nos dar um beijo e um sorriso. Está lá quando esse abraço nos apanha de surpresa ao abrir a porta de casa. Está nos olhares e sorrisos que se trocam ao jantar. Está no colo aconchegante que nos adormece no sofá. Está na frase de boa noite e no mesmo colo que nos adormece e faz sonhar. Está lá em todas as viagens de carro que se fazem entre conversas, sorrisos e mãos dadas. Em todos os passeios que damos agarradinhos para ver o mar. Em todas as noites de conversa à luz da lua e de beijos enquanto contamos as estrelas. Está presente em todos os almoços, jantares, tardes, noites e dias passados em família. Em todos os planos cumpridos e ainda mais nos que se tem por cumprir, como sonhos que são para se realizar. Está ainda mais em todas as tarefas quotidianas: está na hora de refilar para levar o lixo à rua; está no braço de ferro para ver quem arruma a loiça; está no abraço que nos faz rir enquanto cozinhamos. Está em todas as vezes que vamos ao supermercado e em todas as guerras para carregar os sacos de compras. Está, e está lá mesmo, em todas as birras e discussões, e algumas até são só mesmo para ver quem consegue ganhar e nos fazerem sorrir. Está em todas as vezes em que temos noção de que é preciso ceder para continuar. Está lá sempre que nos lembramos que nada é nem pode ser mais importante que o amor. Está lá quando fazemos questão de praticar a ideia de que nunca podemos adormecer zangados.. e que só se pode zangar um de cada vez. Está lá sempre que o coração nos volta a dizer que enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar.Não, o amor não está lá quando olhamos para uma pessoa desconhecida linda de morrer e lhe queremos pedir o número. Não está lá quando nos sentamos a fazer conversa com essa pessoa. Não está lá quando estamos com alguém só por estar. Não está lá quando achamos que gostamos de alguém só pela aparência. Não está lá quando sabemos que aquela pessoa não vai fazer parte da nossa vida ou da nossa história. Tudo isto pode ser muita coisa, mas não é amor. Para ser amor tem de ser muito mais. Para ser amor tem de criar memórias, tem de nos fazer contar dias, semanas, meses e anos em conjunto. Tem de nos fazer planear o próximo aniversário de cada um, o próximo natal, as próximas férias ou o próximo fim-de-semana fora. Para ser amor tem de nos fazer acordar com alguém com quem temos uma história e, mais que isso, um passado. Para ser amor tem de nos dar a certeza de que vai permanacer no próximo feriado, no próximo natal ou no próximo ano e nos seguintes. Para ser amor tem de nos dar vontade de fazer loucuras saudáveis. Tem de nos permitir dizer "sou doida/o por ti". Para ser amor tem de ser parte da nossa família e tem de ser tratado pelo nome e com carinho pela nossa família. Tem de nos emprestar também a família dele e fazer-nos sentir como parte dela. Para ser amor tem de ter planos para nos levar ao altar da nossa igreja. Para ser amor tem de ter planos para uma casa com jardim, flores, música e filhos. Um dia li uma crónica em que o jornalista dizia que sonhou que viu a mulher dele (casada) com outra pessoa a entrar no prédio com os filhos e com sacos de supermercado. O que mais lhe custou nesse sonho foi vê-los num cenário tão corrente e quotidiano que mostrava que tinham uma vida em conjunto. Lembrei-me disso e escevi este texto porque a verdade é que o amor está nas mais pequenas coisas... e está, sobretudo, na intimidade que só quem partilha a vida, os medos e os sonhos pode ter. Está, por exemplo, na hora de chegar do supermercado e entrar em casa... porque se fomos ao supermecado com alguém e entramos em casa com essa pessoa é porque ela já faz parte da nossa história (ou pelo menos já temos uma vida em conjunto com alguém). 

 

08
Jul17

Quando há um lar para regressar

Ju

"Já viveu em variadíssimos meridianos, mas poucas vezes se mudou. Nunca se muda verdadeiramente quando no ponto de partida há um lar para regressar. Isso, por muito longa que seja a viagem, é viajar. Mudar é outra coisa." In Revista Visão - "O que levou um jornalista, um meteorologista, um maestro, um político e um guia a trocarem as grandes cidades pelo interior?"

07
Jul17

"Se eu ficar"

Ju

Só ontem é que consegui ver o filme mas houve dois ou três momentos em que me revi na personagem principal. A importância da família e do núcleo, o sentir-se um bocado "peixe fora de água", a dúvida entre ir para longe em nome do sucesso profissional ou ficar por casa com (mais) amor e segurança. E houve também duas ou três frases que me tocaram. O "sinto que vais bagunçar a minha vida toda", "sinto-me apavorada e excitada ao mesmo tempo" e "perdes sempre alguma coisa e ganhas sempre alguma coisa, qualquer que seja a escolha". Na fase em que estou, este filme apanhou-me um bocado de surpresa. Também eu dividida entre permanecer naquilo que para mim já é "casa" ou arriscar um bocado e ver o que acontece. Também eu sem saber bem o que fazer. Também eu com a consciência de que vou sempre ganhar umas coisas e perder outras, qualquer que seja a escolha. Porque, caramba, a vida é afinal uma sucessão de trade-offs... ainda que esta conclusão seja tudo menos filosófica e romântica.

06
Jul17

No templo

Ju

Mais uma vez fui. Cheguei, respirei e rezei. Conversei. Agradeci. Pedi proteção. Pedi orientação. Desabafei. Rezei e voltei a respirar. Estava fresco. Silêncio. Estive sentada e pensei. Não estava ninguém. Falei de mim e daquilo que é a vida neste momento. Saí. A vista é espetacular e tomei uma espécie de resolução. O tempo esgota-se tão rápido que não conseguimos ser capazes de contemplar a beleza do que nos rodeia. E isso aplica-se aos locais e às pessoas. Não faço anos, o ano não mudou mas prometi a mim olhar mais para o lado e ver a beleza do que em rodeia. Perceber que, afinal, o mais belo da vida está mesmo à nossa frente todos os dias e nós nem percebemos.

04
Jul17

Do amor

Ju

O amor é isto. É muito isto, aliás... é tão isto! :) Pela voz de Carolina Deslandes. A primeira vez que ouvi fiquei parada no carro até que acabasse a música... espantada e encantada com a beleza da letra e da voz. "Quando o nosso filho crescer Eu vou-lhe dizer Que te conheci num dia de sol Que o teu olhar me prendeu E eu vi o céu E tudo o que estava ao meu redor Que pegaste na minha mão Naquele fim de verão E me levaste a jantar Ficaste com o meu coração E como numa canção Fizeste-me corar Ali Eu soube que era amor para a vida toda Que era contigo a minha vida toda Que era um amor para a vida toda. (bis) Quando ele ficar maior E quiser saber melhor Como é que veio ao mundo Eu vou lhe dizer com amor Que sonhei ao pormenor E que era o meu desejo profundo Que tinhas os olhos em água Quando cheguei a casa E te dei a boa nova E que já era bom ganhou asas E eu soube de caras Que era pra vida toda Ali Dissemos que era amor para a vida toda Que era contigo a minha vida toda Que era um amor para a vida toda. (bis) Quando ele sair e tiver A sua mulher E quiser dividir um tecto Vamos poder vê-lo crescer Ser o que quiser E tomar conta dos nossos netos Um dia já velhinhos cansados Sempre lado a lado Ele vai poder contar Que os pais tiveram sempre casados Eternos namorados E vieram provar Que ali Vivemos um amor para a vida toda Que foi contigo a minha vida toda Que foi contigo a minha vida toda Que ali Vivemos um amor para a vida toda Que foi contigo a minha vida toda Foi um amor para a vida toda Foi um amor para a vida toda"

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