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Manga Lima

Manga Lima

23
Set17

Luz

Ju

Por mais que a vida nos faça esmorecer e duvidar de quase tudo... é saber que, a seu tempo, encontraremos sempre a luz nova de que mais precisamos e que nos iluminará o coração. Seja essa luz o colo-amor que nos dá um novo sentido à vida, o calor do círculo de família "re"-reunido ou o choro de um bebé desejado e sonhado para lá das probabilidades. Às vezes basta olhar para o sol a nascer e acreditar. Lá longe há a certeza de que a luz sempre chegará.

21
Set17

Cenas que só a mim

Ju

Um dia estou numa loja, completamente distraída na secção dos livros, a folhear um que me interessa, e acontece-me um episódio do mais estranho que há. Vem um senhor ter comigo a dizer-me que o meu anjo da guarda está comigo e a chamar-me a atenção, que é muito meu amigo e posso falar com ele e agradecer-lhe a protecção. Fiquei entre o "este maluco bate mal da cabeça" e o "caramba, qual é mesmo a probabilidade de isto acontecer e ter um fundo de verdade?!". Foi isto, só isto, mas já não é a primeira vez que me acontece este tipo de coisas. Não sei, devo ter um atrativo qualquer para as pessoa me abordadores a falar destas coisas. Se me respondessem às dúvidas existenciais (aquelas que valem um milhão de euros, ahaha) é que eu achava piada. Só que essas... só mesmo com a vida e com o tempo é que tem resposta.

14
Set17

Medo de amar

Ju

Um dia, numa fase em que andas sensível e a precisar ainda mais de colo e amor, levas com este texto e é um murro no estômago que dói até à alma. Não me conheço sem ter medo, ponto, e nunca vou conseguir deixar de ser assim. Mas isso não pode impedir o amor, não pode mesmo. Tentarei não mais esquecer este texto. ["Por medo perdi o homem que amava e que me amava! Agora tenho medo de atravessar a estrada e cada vez que a atravesso lembro-me dele… e que poderia ter atravessado muitas estradas com ele…Ainda hoje, talvez fosse possível fazê-lo de mãos dadas com ele… apoiando-nos um no outro! Se não tivesse tido medo!” Fiquei sem palavras. Sem saber o que dizer ou fazer! Apeteceu-me abraçá-la! Que aprendizagem! Por fim, ela disse: “Não tenha medo! A vida é e já não é!” Despediu-se de mim, e muito devagarinho, com passinhos pequeninos, um atrás do outro, via-a desaparecer na escuridão da noite! Até hoje recordo-me das suas palavras sempre que sinto medo do que quer que seja! "O medo serve para nos defender e proteger, mas quando se trata de Amor, pode atrapalhar e muito… ao ponto de o fazer acreditar que é melhor estar sozinho. E o medo, não nos ama, não é companheiro, não cuida, não partilha, não conversa, não dá colo, não sorri connosco… Aparece e desaparece, enquanto que um verdadeiro companheiro está lá quando mais precisamos e também quando não precisamos."] in Revista Visão - http://visao.sapo.pt/opiniao/bolsa-de-especialistas/2017-09-14-O-Amor-ou-o-Medo-

12
Set17

Mar calmo

Ju

Hoje fomos ao rio, conversamos e sorrimos como os amigos fazem e devem fazer. Hoje a Cláudia disse-nos que vai voltar para cá. Hoje eu senti uma gratidão, calma e paz incríveis para com a decisão que tomei em Julho de ficar cá. Hoje eu voltei a confirmar ainda mais, naquela reta no regresso a casa, que a vida só me faz sentido se estiver cá, entre raízes e laços que são o sentido da minha vida. Hoje eu percebi que, afinal, talvez o coração me tenha guiado no caminho certo quando me fez ficar aqui neste meu Norte. Porque hoje sei que, se tivesse decidido ir, teria feito na mesma aquela viagem pela reta mas teria ficado com um nó na garganta do tamanho do mundo ao pensar como teria sido se tivesse continuado aqui a estudar. Não há volta a dar e não me lixem: nada paga o preço de se estar em casa e de nos sentirmos em casa no verdadeiro e em todos os sentidos da palavra. Cada vez mais isto me faz sentido e cada vez mais valorizo esta calma. Aliás, só de me lembrar da pressão e da ansiedade em que estaria se a decisão tivesse sido outra fico mal disposta :)

09
Set17

Cinco anos depois de entrar na universidade (8/9)

Ju

Hoje fez cinco anos que entrei na universidade. Na verdade não entrei, fui colocada e inscrevi-me mas só "entrei" no ano seguinte porque estive do outro lado do mundo. Ainda assim fez hoje cinco anos e dei por mim de boca aberta a pensar que já passou este tempo todo. Lembro-me da ansiedade, lembro-me de como vivi este fim-de-semana na altura e os dias anteriores, lembro-me daquele sábado, lembro-me de estar no café e correr constantemente para o computador, lembro-me de não receber logo o e-mail e lembro-me de ir à página da minha candidatura e confirmar que tinha ficado naquilo que queria. Lembro-me da reacção do meu pai e da mistura e mescla de sentimentos que tinha em mim por aqueles tempos. Era tudo o que mais queria e, no entanto, era um sonho que me estava a ser arrancado aos pedaços. Era "viver o sonho" na hora errada e no tempo errado. A ferida de ter ido para longe e não ter ficado a viver o que era meu (tão meu) foi enorme. Doeu-me no fundo da alma durante demasiados dias, semanas e anos. Mesmo com mais de um ano de psicoterapia acho que há sensações daquela fase que nunca consegui explicar. Felizmente, e à distância de cinco anos e muito crescimento, a ferida está mais que cicatrizada (esquecida é impossível) e estou mais virada para o que virá do que para o que já lá vai.

 

Aquilo que posso pensar destes cinco anos? Que passou uma vida inteira. Pelo meio estive do outro lado do oceano, foi a pior experiência da minha vida, ganhei traumas que nem uma vida de terapia conseguiria deslindar e resolver, percebi que tinha de voltar, voltei e doeu-me viver em todos os dias daquele recomeço, senti-me perdida e sem caminho, fui construindo um caminho muito meu e do qual tenho o maior orgulho do mundo, fiz o curso, correu mais que bem quando tinha tudo para correr mal, mudei (tanto) a perspetiva que tenho da vida, percebi o quanto preciso da família e das pessoas de quem gosto, realizei que quero casar e ser mãe e isso vai ser sempre muito mais importante que qualquer carreira ou cargo, quero todos os dias voltar a tê-los perto, desejo profundamente todos os dias que haja um tempo em que vamos estar sempre por perto e desejo ainda mais viver a conjugalidade e a parentalidade com eles ao lado e por perto. O maior presente de tudo isto é esse: a Ju que só via profissão/carreira/sucesso profissional à frente é hoje uma Ju que quer, muito mais que qualquer outra coisa na vida, ter o coração e o colo cheio e realizar-se como filha, mulher e mãe. Uma Ju que quer ser a filha presente e que ver os pais no papel de avós. Uma Ju que, Deus o queira e eu o possa, há-de conseguir tudo isso e também uma carreira de sucesso. Uma Ju que, cinco anos depois, conseguiu aquilo que naquela noite de sábado era uma incerteza e um desejo. Uma Ju que, ainda que tenha alguns dias sem sol e um coração entre o confuso e o "confusado" há-de lá chegar. A vida não é uma corrida e o mar é já aqui. E daqui a cinco e/ou dez anos hei-de sentar-me nalgum sofá aqui perto a escrever que consegui aquilo que nesta noite é uma incerteza e um desejo. (A)mar e o mar serão já aqui.

08
Set17

Voltar de férias

Ju

Voltamos hoje e foi bom, foi muito bom até. Deu para apanhar ar, sol, sal e derivados. Deu para comer até rebolar. Deu para rir, muito. Deu para dormir pouco porque aqui a donzela só dorme em quartos sem luz e os hotéis não percebem isso. Deu para piscinar, mas pouco que a água era fria. Deu para apanhar ar em todos os sentidos e isso foi muito bom, estava a fazer-me falta. Aliás, tudo o que significar desviar o cérebro para outras paragens me faz falta nesta fase estranha. Apesar de tudo faltaram-me eles e o colo deles, eles deviam estar lá e tinham de estar. O quanto eu precisava e eles queriam estar lá! Custou-me isso e não foi pouco. Apesar de tudo também não me consegui desligar deste coração teimoso e das suas coisas, e lembrei-me muito mais que o que queria ou devia de tudo o que já me custa e dói ao longo do ano. Mesmo assim foi bom, foi muito bom e ainda bem. Porque consegui sentir-me bem apesar de tudo e aproveitar apesar de tudo. Porque há sempre uma ponta de esperança e fé no futuro, na vida e nas certezas que nos faz ter vontade de sorrir e acreditar. Criamos memórias e expressões, rimos com copos partidos e com coisas como "as sobremesas estão em perigo" e tudo valeu a pena. 

 

Voltamos hoje e dei por mim a pensar, pela primeira vez na vida, que afinal esta coisa de fim de férias e início de Setembro pode funcionar como um início de ano em muitos aspetos, sobretudo se nos fizer refletir no que passou e no que esperamos e queremos do ano que está a começar. E eu, que até faço anos nesta altura, nunca vi muito esta fase como recomeço. Sempre tive mais tendência, sobretudo desde que tenho os pais longe, a fazer os resumos do ano e viver os recomeços em Janeiro. Mas hoje, talvez porque quero (muito) que estes dozes meses tragam mudanças daquelas boas que nos deixam a sorrir e com a vida virada do avesso, dei por mi m a pensar nisto. Quero muito mudanças, quero muito surpresas boas e quero muito que a minha vida vire e mude. Só preciso de manter a essência e as raízes, pois quanto ao resto sei que tenho muito por viver e há muito por acontecer. Estou em ano de viver e ver acontecer isso.

03
Set17

Vencer medos

Ju

Um dia disseram-me que a única forma de vencer um medo é enfrentá-lo. Quando enfrentamos o medo e vemos que sobrevivemos, ele vai diminuindo porque percebemos (racionalmente) que conseguimos até que desaparece. Já por isso a Psicologia põe as crianças a fazer desenhos a representar os medos que tem e, com treino, os monstros vão ficando mais pequenos. Hoje tinha uma decisão tomada. Depois lembrei-me da psicologia deste ensinamento e alterei a decisão. Saí de casa e fui, a única arma que tinha era o sorriso. Correu bem e agradeço a mim própria tê-los feito. 1-0 para mim.

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