17 de Janeiro de 2012. 6 anos depois.
Fez ontem seis anos. Andei ocupada e por isso não escrevi. 6 anos desde que partiste e desde aquele ano marcado a ferros em que tudo se partiu para mim e em nós. Tu foste, o teu amor foi ter contigo, e a vida arranjou maneira de virar tudo do avesso no tempo que se seguiu. Naquela altura eu ainda era eu com o sonho de estar quase a chegar à universidade e da família perfeita. E continuei a ser, e ainda bem. Uns meses depois tenho a candidatura feita. E a entrada dada por garantida. E depois cai tudo, cai-me o chão e o céu e são eles a dizerem-me que vamos mudar de país. São eles a arrancarem-me a ferros e sem aviso todos os sonhos com aquela ideia. E os dias vão passando e eu fico a ver o tempo passar, incrédula. E o verão vai correndo. E o mundo continua a girar como sempre. E tudo a girar com ele. Não, nada foi aquilo que eu sonhava naquela altura. Não houve a expectativa entusiasmada de chegar à universidade. Não houve primeiro dia de universidade partilhado com eles. Não houve nada disso. Os dias correram com os sonhos que me foram arrancados a desvanecerem-se e depois houve um dia, depois do Verão, em que entramos num avião. E sou eu sempre perdida. Sempre sem chão. Sempre sem céu. E no ano seguinte estou cá, chego à universidade e nada é também aquilo que sonhava porque eles ficaram lá e não os tenho - sim, não os tenho, nem naquele dia nem depois - e isto foi a vida a ir acontecendo. Até agora. 6 anos depois continuo a sentir-me ainda sem chão e sem céu porque não os tenho. Em todos os dias e todas as horas em que me lembro que não os tenho - como esquecer? Também gostava de saber. Mas eles estão lá e não os tenho, é esta a verdade de agora. 6 anos depois sou uma desiludida com este mestrado que escolhi - como conseguir ser tão infeliz e "perdida" no sítio onde fui tão feliz e conquistei tanto? 6 anos depois sou um coração perdido, confuso e baralhado por alguém, sem saber o que fazer ou para onde ir. Sim, o coração tem vida própria (caramba, foi preciso vinte e qualquer coisa anos de vida para o perecber!) e o meu anda a brincar à grande comigo - e a contribuir para sentir que tenho o mundo inteiro às costas e para me sentir desabar e desmoronar e ter vontade de gritar que já chega. Sim, já não chega a distância deles, já não chega a frustração em que este mestrado se materializou, e ainda vem o coração dar uma ajudinha. E uma ajudinha "daquelas" arranjando-me uma situação dificílima por todos os lados. 6 anos depois? Sou uma alma partida entre três coisas que me dão a volta à cabeça e ao coração.
O que se segue? Pudesse eu mandar no mundo e eles voltavam. Pudesse eu mandar no mundo e este mestrado era algo decente. Pudesse eu mandar no mundo e ele ficava entre a espada e a parede, dizia-me o que queria, e eu ganhava paz. Há-de acontecer, sabes? Eles vão voltar e vai haver um dia (se nada acontecer até lá, que há-de acontecer, não me chame eu Ju) em que eu me vou encher e me vou sentar à frente dele e deixá-lo sem hipótese de saída.
Há-de acontecer, sabes? Sabes comigo, eu sei que sim. Porque eu quero e mereço e tu estarás aí em paz a olhar e a sorrir.
