Ser criança
A vida brindou-me, durante os meus primeiros dezoito anos, com o melhor do mundo. Olho para lá e estava lá tudo: amor, família, amigos, sonhos e futuro. A partir daí, e com a ida dos meus pais para o outro lado do oceano, quase todos os dias são uma luta. Quase seis anos depois, e ainda que eles tenham planos para regressar, não consigo ver nada de bonito à volta. Felizmente também nunca imaginei o quanto me poderia custar gostar de alguém, ou de como esta mistura de sentimentos por ele se iria juntar a tudo o que já tinha de ultrapassar. Se, por magia, pudesse pedir um desejo, esse desejo seria concerteza deixar de ter estes sentimentos e voltar a ter o coração em paz e livre para quem viesse por bem. Assim, sou só um coração cansado e desgastado de tanta pancada que tem levado, à beira da exaustão. Ainda bem que a Ju de há seis anos era tão incrivelmente feliz e estava tão longe de imaginar tudo o que se seguiria. Só me resta um desejo: quando crescer quero muito (mesmo muito) ser criança outra vez. Com todas as minhas forças (e sonhos).
