Santo António
De Santo António em Santo António a vida marca um ano. Não poderia imaginar há um ano, naquela noite na vila, quão difícil a vida conseguiria ser até hoje, nestes 365 dias. Esta fase final de ano letivo e de planear o próximo está a deixar-me esgotada e completamente exausta. Nunca tive um ano de tantas lutas e de lutas em tantas frentes. Quase nada se salvou. Foi desde a família longe quando eu precisava que estivesse perto, a uma mistura de sentimentos de paixão por alguém que conheço há tantos anos que me deixou de coração desfeito, passando pelo mestrado que foi uma decepção em toda a linha. Tive dias (muitos) em que me apetecia levantar os braços, mãos-no-ar para coa vida, e dizer "Pronto, vida, venceste e eu rendo-me aqui e agora porque já não tenho coração para mais" mas não. Tive de ter uma força maior que o mundo para engolir em seco, respirar fundo e deixar as lágrimas caírem e secarem sem nunca parar e sem nunca me estender no chão. Há um ano eu, não tendo uma vida cor-de-rosa, via um futuro a muitas cores. Hoje, quero seguir em paz. Não preciso de cores nem de um arco-íris, só de paz e de força para seguir sem parar. Daqui a um ano não sei, só espero que a vida seja o que tiver que ser. E se der para descontar a quantidade de pancadas a sangue frio que este coração levou melhor.
