Do coração
A vida às vezes (muitas!) gosta de brincar com o nosso coração.
E eu tento contrariar como posso e até onde consigo, mas depois sento-me na mesa e ele faz questão de me lembrar da cumplicidade que temos, de ir buscar assuntos que sabe que eu gosto, de me fazer falar e brincar, de me fazer rir perdidamente, e eu volto a ter um novelo de sentimentos que não se desenlaça nunca. E eu, assertiva, inteligente, racional, fria e desligada que sou, viro uma fraca, uma menina que se deixa levar e não se consegue impôr. E eu, fraca que sou, não consigo conversar sobre isto nem mostrar-lhe que não é assim que funciona. E eu, fraca que sou, não lhe consigo bater o pé e dizer que ou quer e conversamos sobre isso, ou não quer e deixa-se destas brincadeiras.
A sério, eu ainda não acredito como é que é possível eu ser tão racional, prática e pragmática em tudo e tão poética e sentimental nisto dos amores. Não sei. E sei ainda menos como é que ele me consegue tocar assim o coração por inteiro, sem pedir licença e sem que eu possa fazer nada.
Há-de passar. Haja o que houver, seja de que forma for.
