Agosto quase no fim
Estamos quase no fim deste mês e eu sabia, sempre soube, que ia ser um mês que me ia doer na alma. É um mês sempre demasiado grande (e demasiado colorido) quando não estamos bem e quando o coração está ferido. É um mês sempre difícil. Há seis anos que não tinha um Agosto tão doloroso. Esse foi o primeiro em que soube que a minha vida ia mudar e perdi o chão. Depois, há cinco anos, também me doeu tudo numa aprendizagem daquilo que era viver sem eles. Nos últimos anos a dor foi amenizando, talvez com o hábito, e os Agostos foram sendo difíceis mas ultrapassáveis. O Agosto do ano passado foi, sem eu o poder imaginar na altura, um marco. Foi o mês em que ele me fez bater de frente naquilo que sentia por ele quando, naquela sexta feira à noite, usou a palavra coração no sítio mais bonito da minha infância. Passou um ano e eu sabia que também por isso este Agosto me ia deixar afundada em sentimentos e mágoas. Ele falou em coração e depois tudo se passou como se nada nunca tivesse acontecido e a vida seguiu e segue. Ele pode não se lembrar, e eu também não queria, mas a verdade é que eu estive lá e não sonhei. Estive lá e ouvi. E isso deixou-me de coração desfeito durante (quase) todos os dias deste último ano. Não sei quanto mais tempo ele me vai conseguir deixar neste estado, e não sei quanto mais tempo isto vai durar ou quando ou como vai acabar. Estou constantemente exausta e desgastada por isto mas infelizmente isso não me permite deixar de ter sentimentos por ele. Ele tinha de ser a última pessoa por quem eu algum dia teria sentimentos. Aquela minha praia de infância tinha de ser o último sítio onde esta história teria de ficar marcada. Aconteceu e eu, humana que sou (porquê?), apaixonei-me sem saber e sem me dar conta nunca. Claro que tinha de ser uma história assim. Só quero, mais do que qualquer coisa na vida, que isto passe. E (espero!) o que tiver de ser será.
