A vida corre...
Já há muito que não escrevia aqui. Não tenho ainda nada de novo. O estágio continua normal. Os contratos com as imobiliárias para mudarmos de vida também. As obras estão a começar. Tenho largado tudo por isso e feito tudo o que é humanamente possível. Quis a vida (e o destino, seja isso o que for) que as obras tivessem data de início marcada para o dia em que se completam seis anos que os meus pais foram embora para o outro lado do oceano. Quis também a vida (e o destino) que eu fosse, sem o planear, estar do outro lado do oceano com eles nesse dia. Segunda-feira completam-se seis anos e lançamos a primeira pedra de um novo ciclo e de uma nova vida. Quando naquele primeiro sábado de setembro chorei desalmadamente a distância deles, o aniversário que não tinha vivido, o suicído do meu amigo e o desamor me marcava o coração a ferros, peguei no computador e a única coisa que fui capaz de fazer sentada no chão do quarto foi marcar uma viagem para vir abraçar os meus pais. É assim que dia 15 de Outubro, segunda-feira, vamos estar longe (muito longe) da obra fisicamente mas vamos sorrir e lembrar que o primeiro passo foi dado e mudar de vida é já aqui. De maneira que a minha vida tem sido isto: estágio, fazer tudo e mais qualquer coisa para colocar as imobiliárias a trabalhar e as obras a começar, desejar todos os dias que o regresso deles seja já aqui e viver o desamor sem me perder. Continua, na verdade, tudo igual: eles não voltaram ainda e ele continua a deixar-me o coração à toa e a cabeça nublada. Enquanto ele me mexer assim com o coração vai ser difícil... enquanto nada acontecer vai ser difícil... esta é a parte da vida que mais me vai doendo. Não tenho tido muito tempo mas vai doendo... qualquer coisa da parte dele me deixa profundamente triste ou profundamnete feliz e eu não tenho coração para tanto. Esta montanha russa esgota-me a cabeça e o coração. Espero dias mais calmos e construtivos.. espero mesmo. Espero que daqui a um ano a vida seja outra. E há-de sê-lo.
