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Manga Lima

Manga Lima

07
Jul19

Barcos e domingos. Domingos e barcos.

Manga Meia-Loira

Há dias e dias. E depois há os dias que doem e doem até nos deixarem sem força, sem brilho, sem sonhos, sem energia, sem nada. O domingo, para quem tem a família do outro lado do mundo há tantos anos, não poderia nunca ser um dia feliz. Até poderia ser mais leve se no entretanto tivesse acontecido amor em lugar do desamor, mas foi assim que a vida aconteceu. Entre domingos e domingos, depois há um sempre um daqueles que nos arrasam e nos deixam estilhaçadas no chão. Hoje foi assim. Hoje não soube, de uma forma que me doeu como já não me doía há muito tempo, para onde vão os barcos que construímos quando estamos tristes. Hoje voltei a bater a porta branca e a passar o portão verde e a desejar, mais que o mundo, que tudo isto fosse passado acabado e arrumado. Hoje não soube para onde vão os barcos que construímos quando estamos tristes. Não soube o que fazer aos barcos quando a vida real, doída e repetida nos arranca todos os dias o que de mais bonito poderíamos ter. Quando a vida real, triste e doída nos brinda com desamor e nos dá ausência e distância. Resta-me agarrar num pequenino de ponto de luz daqueles que às vezes nos aparecem e esperar e desejar dias (e domingos) melhores. Um dia. Um dia o domingo pode vir a ser feliz.

07
Jul19

Tenho 24 anos e não, ainda não percebi como é que isto funciona

Manga Meia-Loira

Olá! Eu sou a Meia-Loira, tenho 24 anos e não, ainda não percebi como é que isto da vida funciona. Eu cresci com tudo o que poderia desejar e tudo o que sempre quis: amor, paz, felicidade, sucesso, saúde e isso tudo. Exatamente como manda o protocolo e como deveria ser com toda a gente. Uma infância de outro e uma adolescência tranquia e feliz. Ora, ter crescido numa bolha assim de amor e paz também não ajudou... porque eu achei que, se cumprisse com o meu papel e com as minhas tarefas, a vida não me poderia magoar nem eu teria de sofrer. Ah-ah-ah. Era bom era. Pois que essa bolha acabou no dia em que os meus pais, quando eu estava a poucas semanas de entrar na universidade, me “anunciaram” que iam viver para outro país. E a vida que eu conhecia e tinha desenhado desde que nasci acabou ali. Para o bem e para o mal acabou ali e eu precisei de um longo (tão longo!) tempo para (re)aprender a viver sem as certezas e os arco-íris que sempre tive. Foi há uns anos. Já tive fases muito tranquilas, já tive fases em que só me apeteceu berrar-lhes e torcer-lhes o pescoço por achar que eles não sabem o que (me) fizeram. Eles vão voltar em breve e eu hei-de ficar definitivamente curada disso. Não é que a ferida não esteja seca: ao fim de tantos anos é claro que está, mas a verdade é que até eles entrarem pelo aeroporto sem viagem de volta será sempre uma ferida. Isto tudo para dizer que eu também cresci a achar que quando estivesse na universidade me ia apaixonar por alguém especial e pronto, namorávamos uns anos e casávamos e pelo meio escolhíamos o nome dos filhos que teríamos. Pois. Outro grande “Ah-ah-ah”. Claro que não: não me apaixonei na universidade nem enquanto estive lá, muito menos me apaixonei por alguém do meu curso (não dava, ou eram muito maus ou eram muito bons e já tinham namorada - outro ah-ah-ah). Aliás, eu até me fui apaixonando enquanto ainda estava na universidade... mas foi por um amigo de há muitos anos... que nos entretantos, e quando eu percebi a sério que já estava enterrada naquele sentimento até ao pescoço (e à alma)... já tinha arranjado namorada. Outro processo longooo de sobressaltos, angústias, coração acelerado, paz constantemente entrecortada, milhões de pensamentos por segundo, cabeça e coração estilhaçados e em caminhos paralelos, a vida e o amor a serem (como me tem sido) caminhos sempre diferentes que nunca se entrecruzam. Foi um longo período de dor emocional que acabou numa noite de inverno em que eu me cansei, achei o meu limite tinha batido o teto, e tive uma conversa a sério para esclarecer as coisas. E agora, uns meses depois disso, acho que posso dizer (ainda com medo) que estou a superar. Aos poucos, porque é um caminho e um processo, e porque ele não me desapareceu da vida e temos um grupo de amigos em comum. Para lá de todas estas montanhas russas que metem amor e família e que tem sido para mim a luta de uma vida, o resto correu bem. A nível académico e profissional correu até estupendamente bem: fiz a licenciatura com que tantooo sonhei, ganhei três prémios de excelência, entrei no mestrado que tanto quis, escolhi um tema de tese que tanto gosto, comecei a estagiar num sítio que adoro e inscrevi-me na Ordem profissional respeitante à minha profissão.

Isto para dizer que sim: hoje cheguei à conclusão de que, se calhar, a (minha) vida é mesmo assim... um sol repleto de luz a nível profissional e académico e uma nuvem escura e sombria a nível familiar e amoroso. Não devia ser assim nem eu queria que fosse assim. Aliás, trocava o lugar do sol e da nuvem sem hesitar um único segundo. Mas parece que não dá. Parece que a vida é mesmo assim... e parece que a minha é isto: raios de luz num lado e nuvens negras no outro.. e caramba, as nuvens tem logo que estar onde dói mais. Já li mais que uma vez que “a vida e o amor são muitas vezes coisas (e caminhos) diferentes”. Para mim tem sido e são. Esta coisa é ainda mais difícil porque bate naquela frase infinitamente repetida do “não se pode ter tudo”. Não sei o que me espera nem o que acontecerá daqui para a frente. Pode ser que os meus voltem. Pode ser que o amor surja. Pode ser que afinal a parte profissional se revele uma desgraça ou uma tragédia. Não sei. Mas caramba... são tantos anos disto que às vezes tenho de pensar para mim que, de facto, não nasci para o amor nem para a tranquilidade e paz emocional e familiar. Não nasci para ter o coração feliz e a alma cheia. Hei-de ter nascido para ser uma profissional de excelência, para ganhar prémios, para ser e alcançar tudo o que quiser. Pelo menos isso. É rir e pensar que pronto, pelo menos não nasci com as nuvens negras em todos os cantos e tenho luz numa das portas da vida. Antes assim. Mas se der para trocar a nuvem de lugar... eu assino de cruz e sem hesitar um segundo. Ou se a vida afinal funcionar assim... eu troco e fica tudo bem. 

04
Jul19

Esperar e não (des)esperar

Manga Meia-Loira

A minha vida tem sido, nos últimos meses ou nos últimos quase dois anos, feita de esperas. Feita de longaaaas esperas. Espero que os meus pais voltem para cá definitivamente, e esta espera já vem de há muito...e eu sei que eles vem, mas na verdade ainda não tem datas e resta-me esperar. Espero encontrar alguém com quem possa viver um amor... e isto nem é bem uma espera, ou entãon é, nem sei bem... mas como também não faço ideia quando/como poderá acontecer resta-me.. esperar. Espero que as obras do projeto dos meus pais fiquem prontas porque isso significa que mais depressa eles voltam.. e insisto, e telefono, e resmungo com os responsáveis e com os trabalhadores, e volto a telefonar e a insistir... e resta-me ir acompanhando e esperar que acabe. Espero vender o café... já é um desejo tão forte e de há tanto tempo que nem sei o que dizer... é tão difícil, já tentamos tanta coisa.... resta-me, uma vez mais... esperar. Espero que a venda do apartamento seja finalmente concretizada e a escritura feita e.... resta-me esperar... esperar que marquem e me digam. Espero acabar o mestrado, ou melhor, entregar a tese o mais depressa possível e dentro do prazo normal... mas há o estágio e a vida e o orientador não me responde... e eu chateio-o com e-mails e ele não me responde e resta-me....esperar. Espero acabar os relatórios, e estudar para os exames da Ordem e passar e... só me resta mesmo trablhar e... esperar. 

 

E pronto, acho que nem escrevi tudo e já me cansei tantoooo. Sobretudo no que respeita às obras tenho insistido até onde me é possível com toda a gente para acelerar o processo... tenho feito mais telefonemas por dia do que em meses ou anos fazia. A vida muitas vezes é feita de esperas e de saber esperar, e temos mesmo de viver. Temos de sair, viver, sonhar e sorrir para lá das esperas. Mas às vezes é difícil... caramba, às vezes é mesmo difícil. E pronto, é isto. Espero que nos próximos meses a minha insistência de ferro vá dando resultados. Vamos ver. Mas isto serve de lição... e eu sei que mesmo depois de os meus pais voltarem, de eu encontrar um amor, de as obras estarem prontas, de o café estar vendido, de eu ter acabado o mestrado e a Ordem... eu vou continuar a esperar. Vou esperar ter um emprego onde me sinta feliz, vou esperar ser pedida em casamento, vou esperar casar, vou esperar ser mãe... vou continuar a esperar. De certa forma é bom porque é sinal de que temos metas, sonhos e objetivos, mas há dias em que cansa.... cansa tanto! Enfim, vou continuar a levar a insistências e os telefonemas muito a sério, em género de "missão de vida" como tenho feito nos últimos dias, porque acho que é o pequeno contributo que posso dar por agora. E pronto.... continuarei a esperar.... e no esperar, espero que este blog vá sendo testemunha destas concretizações pelas quais espero, uma a uma. Prometo.

02
Jul19

A meia loira escreve a tese #8

Manga Meia-Loira

A meia loira chegou à página... 100! 

Mesmo com um orientador que não responde

Mesmo com o cérebro vazio de ideias

Mesmo com o coração tantas vezes desalinhado 

Mesmo que a vida e a esperança e a vida e o amor sejam tantas vezes coisas diferentes

Mesmo com as aulas da Ordem e o estágio pelo meio

Mesmo com o cansaço

Mesmo com a estadia do meu pai, em que os meus dias foram dele

Mesmo que o orientador ainda não tenha corrigido nada

HOJE CHEGUEI À PAGINA 100!

Esteja bem ou mal, muito bem ou muito mal, perto de acabar ou longe de poder entregar... hoje tenho de estar feliz e nada mais interessa. 

Só espero que não falte muito para entregar!

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