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Manga Lima

Manga Lima

28
Fev21

Covid, aeroportos e abraços

Manga Meia-Loira

Há um aspeto desta pandemia que toca especialmente quem vive fora e quem tem os seus lá fora. Não poder voltar a casa e ao país, ou não poder ir a outro país visitar os nossos, é uma das coisas difíceis desta pandemia. A mim toca-me especialmente porque tenho os meus pais e irmã a viver do outro lado do mundo. Num país que agora apertou ainda mais as restrições e me impede de ir lá, impedindo-os também de sair de lá e depois poder voltar. Já não vejo nem estou com o meu pai há um ano. Já não vejo nem estou com a minha mãe há um ano e meio, desde agosto de 2019. Estou sem esse abraço, sem esse colo e sem essa luz de família há mais de um ano. Estava previsto eles terem estado cá o verão passado. Já não estiveram. Eu também não consegui ir lá no verão porque tinha o exame da Ordem e tive medo de ficar retida. Se no ano passado consegui lidar muito bem com isto, e aceitar muito bem, tenho de dizer que agora me está a doer. Se calhar porque já sei ao que vou. Se calhar porque já não é a primeira vez. Se calhar porque estou numa fase bastante mais frágil. Agora sim, precisava de estar com eles. Já li tudo, já pensei em todas as hipóteses e não é possível. Até que as restrições do país onde eles estão sejam levantadas vai ser impossível eu ir lá. Assim como vai ser quase impossível eles virem cá. Tenho saudades deles. Eles tem saudades minhas, saudades de casa e saudades do país. Estamos há praticamente um ano nesta incerteza. E não é possível fazer nada. Quando há uma semana a Mariza cantou a música "Gaivota" no aniversário da TVI, vi que ela fez uma referência aos portugueses que estão longe, separados pelo mar e impedidos de voltar a casa. Aquilo comoveu-me mesmo e tocou-me. Só quem já esteve fora imagina a dimensão da palavra saudade. Só quem tem os seus lá fora e não pode estar com eles entende este tipo sentimento. Tenho até evitado pensar nisso, mas este lado da pandemia (a par de muitos outros) também não pode ficar esquecido. Os meus pais não podem regressar a casa. Eu não posso ir ter com eles. As restrições que já existiam onde eles estão agravaram-se ainda mais. E eu só queria um abraço. Seja aqui no meu aeroporto ou no aeroporto do país onde eles vivem. Só quero poder voltar a entrar num avião para correr para os braços deles. Só quero poder ir ao meu aeroporto recebê-los a eles e ao abraço deles. Em 2020 aceitei e acreditei em tempos melhores. Agora está-me a doer. Há-de acontecer. Isto há-de passar. Eles irão voltar a casa, se não voltarem antes eu irei ter com eles. Mas a pandemia dói. Dói a todos os que não podem ter o abraço e o colo dos pais, e dói ainda mais quando o pai e a mãe estão do outro lado do oceano e não é possível estar com eles. Alguém tem que falar nisto. Na saudade, na distância e naqueles que não podem ver nem estar com os seus há mais de um ano. Eu cá continuarei. À espera de dias melhores. À espera, sempre, de voltar a um aeroporto. Seja para os receber ou para ir ter com eles. Que seja rápido, breve e leve. 

27
Fev21

Quase março

Manga Meia-Loira

Chegamos quase a março. Este março que vem com a promessa da primavera, de paz e de dias melhores. Que vem depois do fim de um janeiro para esquecer e de um fevereiro de fugir. Que vem com a promessa de calma, de tranquilidade, de decisões boas e de notícias bonitas. Este março traz primavera e traz promessas de mudanças bonitas. Pode até nada disto se cumprir, mas tem de haver esperança. E enquanto houver esperança ainda há tudo. Março, primavera, paz, tranquilidade e dias felizes. Vamos a isso.

17
Fev21

Não sei o que escrever (nem o que fazer ou o que pensar)

Manga Meia-Loira

Tem acontecido tanta coisa nos últimos tempos e ao mesmo tempo não tem acontecido nada. Não tenho tido espaço nem tempo para processar as coisas. Não sei o que pensar, o que dizer, o que fazer. Tenho um trabalho que comecei há pouco que me está a deixar psicologicamente afetada mas não sei se é da adaptação, se é por estar sempre a trabalhar em casa ou se é realmente por não gostar daquilo que estou a fazer. Pelo meio ficamos todos em casa e de repente voltamos a deixar se poder sair, estar com amigos, conviver, jantar fora, lanchar e isso tudo. Pelo meio também, o meu tio testou positivo à covid e todos nós (os restantes) testamos negativo, mas estava tão compenetrada no trabalho que nem tive tempo de processar. Pelo meio tenho pedido toda a ajuda possível para perceber o que se está a passar comigo e não tenho encontrado propriamente respostas certas. E então aqui estou hoje, nesta quarta feira cinzenta (e de cinzas), a olhar pela janela do quarto para o nevoeiro sobre a cidade e a pensar no que fazer à vida. Não sei bem. Fico e espero? Se esperar as coisas melhoram? Saio já, descanso e logo vejo se encontro algo que goste mais? Ai, ai, ai. Dilemas que hoje e aqui me parecem infinitos e impossíveis de resolver. Ai, ai, ai. Espero brevemente escrever textos mais coloridos e bonitos. Espero brevemente voltar a sorrir com vontade. Espero brevemente que os dias deixem de ser um passar de tempo sem sentido ou um quase sofrimento. 

14
Fev21

Quando é que devemos sair? Qual é o limite?

Manga Meia-Loira

Eu já vinha com a ideia de me candidatar a uma empresa onde trabalhavam uns amigos meus. Achei que ia gostar, sabia que era provável que me contratassem e foi assim que aconteceu. Foi tudo muito rápido mas fiquei com a vaga e aceitei. Passou-se um mês. Até agora tenho sido, por várias razões, muito mais infeliz do que feliz lá. Tenho-me sentido mesmo afetada psicologicamente. Passou pouco tempo, isto ainda foi uma introdução mas não sei se será normal sentir isto. Será que é só uma primeira impressão? Será que vai melhorar e eu vou gostar? Será que devo sair já? Será que devo esperar? Até quando devo esperar? As questões são muitas e só com o tempo vou perceber. Quando ou como, não sei. Tenho procurado toda a ajuda possível. Tenho tentado respirar fundo. É só um trabalho, trabalhos há muitos e não podemos mesmo deixar-nos ir abaixo ou cair por causa disso. Se e quando tiver que sair, saio. Não tenho sequer a pressão de não poder sair. Mas quando o trabalho começa a "contaminar" o resto da nossa vida é grave. Como é que percebemos isso? Não sei bem. Até quando e onde é que está o limite? É que não podemos virar as costas sem perceber bem o que estaria lá à frente, mas também não podemos deixar-nos "cair" psicologicamente por causa de um trabalho. Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas. Espero em breve conseguir responder a isto. Espero em breve escrever sobre isto e ter uma resolução, seja ela qual for. Até lá é respirar. Respirar e um dia de cada vez.

06
Fev21

Avós, saudades e fragilidade

Manga Meia-Loira

De repente tive saudades dos meus avós. Só isto. Hoje, neste sábado bonito, queria escrever aqui. Não sabia sobre o que escrever porque a única coisa que me ocorria era escrever sobre o emprego que comecei há três semanas e que me têm consumido os dias, a vida e a alma. Não queria escrever sobre isso nem escrever só sobre isso porque tudo se resolve, mais não seja batendo com a porta. Mas depois uma amiga minha falou sobre uma reação da avó e sobre o avô dela e eu numa fração de segundos voltei a ver, a ouvir e a sorrir com os meus avós e não me lembro disto acontecer. Eles morreram há praticamente nove anos, eu tinha 17, e na altura não senti bem o choque da perda. Depois, nesse ano, toda a vida da minha família mudou drasticamente. Hoje, nesta altura em que me sinto profundamente frágil e vulnerável, nesta altura em que aquilo que achei que ia ser quase um impulso bonito e um sonho, afinal se está a revelar mais um pesadelo do que outra coisa, tive saudades deles. Saudades daquele tempo, saudades deles, saudades de ir ter com eles, saudades de lhes levar comida, saudades daquele sentimento de família completa. Hoje as lágrimas caíram-me com esse sentimento e isso foi de certa forma bonito. Quanto a todas aquelas que me caíram antes por outros motivos estúpidos, prometo fazer tudo o que puder para as resolver. Eles hão-de ajudar-me a encontrar o caminho.

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