As autárquicas (e o Porto, e Lisboa, e Braga e tudo e tudo)
Escrevo sobre autárquicas mas quero escrever sobre sentimentos e sensações, pois para fazer uma análise crítica já há muito quem faça (e bem).
Sinto um certo alívio, e talvez alento e esperança, por ver que o país não se pintou de azul-escuro e de Chega. Ainda que as autárquicas sejam umas eleições peculiares, ainda que as pessoas nas autárquicas votem, talvez, mais nas pessoas do que nos partidos, acho (e quero acreditar) que isto é um sinal de que (ainda) há esperança. Bem sei que não haverá um milhão ou um milhão e meio de pessoas arruaceiras, racistas e xenófobas, bem sei que uma parte (talvez grande) desses eleitores tende a eleger o Chega porque sente revolta, abandono, frustração e porque sente que o Estado falhou, mas as últimas eleições legislativas foram um susto, e acho que ontem se conseguiu recuperar um bocadinho a esperança e se pôde sentir alívio. Os resultados do Chega ficaram muito aquém do que o partido esperava ou queria e isso, para quem é pela democracia, foi um bom sinal.
Depois, tenho de dizer que não voto em Braga nem no Porto, nem vivo nesses concelhos, mas tenho uma ligação muito especial aos mesmos e estive muito atenta a tudo.
Confesso que nunca vivi no Porto mas sinto que o Porto foi muito meu durante os quatro anos que lá trabalhei, e será sempre um bocadinho meu também.
Acho que Rui Moreira deixa uma fasquia elevadíssima, um legado difícil de continuar, e durante bastante tempo achei que ninguém estaria à altura. Tendi sempre, ainda assim, a achar que Pedro Duarte seria uma melhor escolha, mas sempre com o nariz torcido e uma sensação de que qualquer escolha ficaria aquém.
Quando vi o discurso de Pedro Duarte, no entanto, senti verdadeiramente que o Porto fica muito bem entregue. Houve um cuidado, um respeito e um sublinhar da importância e do valor da democracia que me deixaram tranquila, esperançosa e feliz. Posso estar enganada, claro, (espero que não) mas acho que o Porto fica muito bem entregue.
Depois temos Braga, que não sendo o concelho onde vivo, é a minha cidade.
Achei, à semelhança do Porto, que o legado que fica de Ricardo Rio seria sempre difícil de continuar, achei que qualquer escolha ficaria aquém do que a cidade quer e merece, e achei que nenhum dos candidatos favoritos era a pessoa certa.
Senti, ainda assim, (e isto é sobre sentimentos) que a vitória da coligação foi um bom cenário, e espero muito - e desejo muito - por todos os motivos e mais alguns, que a coligação vencedora consiga governar e governe bem.
Agora Lisboa.
Desde que o comecei a ver e a conhecer na comunicação social que sempre gostei de Carlos Moedas. Acho que é muito inteligente, tem um sentido de humor que admiro, uma história de vida inspiradora e acho que é uma figura pela qual se sente facilmente carinho (eu, pelo menos, e isto é sobre sentimentos).
No entanto, também admiro Alexandra Leitão. Não concordo com ela em muita coisa mas há ali uma força, uma resiliência e uma combatividade "civilizada" que admiro muito.
Fico feliz com a vitória de Moedas, ainda que tenha noção de que quem vive em Lisboa terá as suas queixas, e espero que governe bem.
Daqui a quatro anos fazemos contas.
