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Manga Lima

Manga Lima

24
Jan21

Começou. E começou a sério. 18 de janeiro.

Manga Meia-Loira

18 de janeiro. Segunda. Comecei uma nova fase e etapa da vida. Comecei, depois de ter acabado o estágio, a trabalhar a sério. Foi tudo muito rápido e acho que nem eu estava à espera que fosse tão rápido. Mudei um bocadinho o tipo de profissão porque foi o que eu quis e o que achei melhor. Não sei se estava certa, não sei se fiz bem, não sei se vai correr bem. Foi difícil, muito díficil, porque é tudo novo (lá está, mudei o tipo de profissão). É tudo estranho, novo e diferente. É demasiada informação nova por minuto/por hora/por dia. É  demasiado de tudo. Cansei-me, senti-me pequenina, senti-me incapaz, senti-me incompetente quase. É normal, faz parte e não posso chegar a conseguir (e a saber) fazer tudo. São tarefas e trabalhos demasiado específicos e técnicos. É normal, tanto que ainda estou e vou estar (nas próximas semanas) em treino. Mesmo assim foi frustrei-me e preocupei-me. Não gosto desta sensação de me sentir perdida. Além disso vamos estar a tarbalhar, agora, sempre a partir de casa até nova indicação (e sozinhos) quando mais precisamos de ajuda. Por muito que as pessoas sejam disponíveis e queiram ajudar é complicado. Além de tudo isso eu não sou (nunca fui) boa de inícios. Não gosto de inícios, não gosto de começos, não gosto de começar do ponto zero, não gosto nada de não conhecer. Eu sou da estabilidade, da rotina, de saber com o que conto, de hábitos, de ritmos estabelecidos, daquilo que já me é familiar. Foi assim sempre e dificilmente será diferente. Já sabia que este início não seria fácil. Mesmo assim estou genuinamente muito grata: é um verdadeiro privilégio conseguir um emprego no meio de tudo o que vivemos. É uma sorte conseguir entrar num sítio sem experiência no trabalho para o qual somos contratados. É um privilégio conseguir entrar num sítio onde somos treinados e onde nos tentam ensinar, mesmo que nada seja perfeito. Por isso vamos continuar. Enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar. E eu vou dar o meu melhor, vou ter calma e vou esperar que os hábitos e as rotinas se instalem. Vou esperar que tudo me seja familiar. Só aí poderei ver e avaliar tudo. Não sei se vai correr bem, não sei se vou querer ficar e continuar, não sei se a empresa vai querer que eu fique e continue. Haja o que houver, vai valer a pena. Vale sempre a pena. Tudo vale a pena se a alma não é pequena. É isto. Isto e saber que estou a aprender muito... mais e bem mais do que aquilo que esperava. Aguardemos.

08
Jan21

Entrevistas, empregos e eletricidade

Manga Meia-Loira

Quando um dia me perguntarem como correu a minha primeira entrevista numa empresa a sério, eu irei dizer que quinze minutos antes da hora marcada para a vídeochamada houve um corte geral de eletricidade. Sim, em janeiro de 2021 o mundo vivia uma pandemia e as entrevistas de emprego eram muitas vezes feitas através de vídeochamada. Sim, houve uma falha geral de eletricidade no sítio onde vivo, coisa que não me lembro sequer de ver acontecer. Sim, no dia 8 de janeiro de 2021 eu apanhei um susto enorme porque a eletricidade falhou e quase que a entrevista ficou em risco. Tive 15 minutos para aumentar ao máximo a internet do telemóvel e rezei para que fosse possível. Houve um atraso considerável por parte da empresa, no entretanto a eletricidade voltou e as coisas aconteceram calmamente, como se nada tivesse acontecido. Não sei se eventualmente serei selecionada, não sei como este recrutamento vai correr, mas fico com uma história daquelas para contar daqui a 20 anos.

05
Jan21

4 de janeiro de 2021, 16:30h

Manga Meia-Loira

Ontem terminei um longo caminho. Um caminho que começou há muitos anos, numa tarde quente de julho. Está feito. Depois da licenciatura, depois do mestrado, depois da tese, depois do estágio, depois das aulas da Ordem, depois dos relatórios, depois dos adiamentos a que a pandemia obrigou, depois da entrevista, depois do exame... está feito. Não podia estar mais feliz, mais grata e mais aliviada. Ontem cheguei ao fim do caminho e ao lugar onde quis tanto chegar. Cumpri a minha parte e fechei este longo percurso.

Tenho que me lembrar, também, que cheguei aqui com o meu trabalho e o meu esforço - e isso foi meu - mas não cheguei sozinha.

Cheguei porque tive sempre o amor incondicional, o suporte, o apoio, o incentivo e a confiança da minha família.

Cheguei porque tenho um pai que desde sempre me incentivou a ler e a gostar de ler, que me ajudou e incentivou a estudar, que me mostrou como é bom aprender e saber mais, que teve toda a paciência comigo e que me deu sempre confiança, mesmo quando eu, em criança, chorava e dizia que não conseguia. Um pai que foi sempre o primeiro e maior incentivador de todo o meu percurso escolar e académico.

Cheguei com a presença constante, o carinho, o companheirismo, a confiança, o incentivo e a energia bonita dos meus amigos.

Cheguei aqui também porque tive a sorte de ter excelentes professores, antes da universidade e na universidade.

Cheguei aqui porque tive um orientador de tese que contribui para que a tese e o mestrado chegassem a bom porto.

Cheguei aqui porque tive uma patrona que é excecional enquanto pessoa e enquanto profissional, e que me proporcionou tudo o que precisei para que este estágio fosse a bom porto e me fizesse feliz.

Cheguei aqui porque a (minha) Escola de Direito me acolheu de braços abertos e foi a minha segunda (e muitas vezes primeira) casa, e agradeci e fui muito feliz por isso.

Cheguei também com a presença de certas pessoas em certos momentos cruciais, que não posso esquecer e que me ajudaram muito. Pessoas que, muitas vezes sem saberem, se cruzaram no meu caminho no momento em que eu precisava e disseram e fizeram exatamente aquilo que eu mais precisava.

Cheguei com os prémios e os reconhecimentos que tive, e que me mostratam sempre, e ainda mais, que o trabalho e o esforço compensam e valem a pena.

Cheguei ancorada na memória bonita dos meus avós, que terão estado sempre (onde quer que estejam) a torcer por mim na primeira fila e de sorriso no rosto.

Cheguei com aquele toque essencial de Deus e da Vida que me terão dado sempre a força necessária para continuar o caminho nos dias cinzentos.

A mim, aos meus, à Vida e a Deus, fico infinitamente grata. Cheguei aqui. Chegamos aqui todos: eu e os meus, que são o princípio e o fim de tudo o que eu faço. Ontem o universo sorriu, eu sorri e os meus sorriram. Ontem Deus e a Vida hão-de ter sorrido. Correu (mesmo) tudo bem. 

Ontem foi segunda no mundo e tudo bateu certo por muito mais que um segundo.

 

"Podes achar que não tens
P'ra onde ir, nem que fazer
Não sabes bem quem és aqui
Neste mundo, tão grande e frio
Mas há qualquer coisa em ti
Que te faz querer
Querer ser alguém
Querer ser alguém

E a vida não vai parar
Vai como o vento
Tens tudo a dar
Não percas tempo
Podes saber
Que vais chegar
Onde deus te levar" - Música "Onde Deus te levar"

03
Jan21

Da vida e daquilo que na vida verdadeiramente importa

Manga Meia-Loira

"AO FIM

Ao fim são muito poucas as palavras

que nos doem a sério e muito poucas 

as que conseguem alegrar a alma.

São também muito pocas as pessoas

que tocam nosso coração e menos

ainda as que o tocam muito tempo.

E ao fim são pouquíssimas as coisas

que em nossa vida a sério nos importam

poder amar alguém, sermos amados

e não morrer depois dos nossos filhos."

02
Jan21

Novo ano, vida e planos

Manga Meia-Loira

Eu sou pessoa que por natureza gosta de ter sempre tudo muito planeado e saber sempre com o que vai contar. Facilmente eu me daria bem com planos muito bem definidos e muito certinhos e organizados. Claro que isto é importante... mas acontece que eu depois cresci e, por coisas da vida e da família, percebi que muitas vezes os nossos planos saem ao lado. Seja porque aconteceu algo que não conseguimos prever, seja porque a vida fez acontecer de forma diferente e por aí fora. Aquilo que acontece fora dos planos, normalmente, ou corre muito bem ou corre bastante mal. Num filme de natal da Netflix, já não sei bem qual, encontrei esta frase. Esta frase que, dizendo pouco, acaba por dizer muito. A vida também é muitas vezes isto, aquilo que acontce enquanto fazemos planos. Acho que é um pensamento bonito para começar um novo ano. Que haja sempre surpresas boa e felizes acontecimentos enquanto estamos ocupados a fazer outros planos. Eu por cá vou continuar a fazer planos, porque eles são indispensáveis a uma vida organizada, mas vou tentar dar espaço para que a vida possa acontecer entre esses planos.

Captura de ecrã 2020-11-21, às 15.34.28.png

 

31
Dez20

2021

Manga Meia-Loira

2021 começa hoje e traz com ele esperança. Esperança, fé e vontade de voltarmos à vida. Para os meus lados peço, antes de tudo, vida, saúde e sonhos. Se eu e os meus tivermos vida, saúde e sonhos está tudo bem. Quero passar no exame da Ordem. Quero encontrar um novo emprego que me faça feliz. Quero que os meus voltem para Portugal e fiquem. Quero que o sonho de trabalho dos meus pais se concretize. Quero vender o café. Quero ter sempre calma e paz de espírito. Quero ter o coração no sítio. Quero viver um amor que me faça feliz e me faça sonhar e ver futuro. Quero continuar a partilhar a vida com os meus amigos. Quero celebrar a vida e os sonhos. Quero ver a família toda junta muitas vezes. Quero mudar de casa. Quero voltar para a casa. Quero inaugurar o sonho dos meus pais. Quero ler muito, que ver muitas séries e quero ir ao cinemas. Quero voltar a ter liberdade de abraçar e de beijar. Quero ter liberdade de sair quando quiser, como quiser e para onde quiser. Quero viajar. Quero sorrir muito. Quero agradecer sempre. Quero receber boas notícias. Quero mudanças em tudo aquilo que peço há anos que mude. Quero os meus perto de mim e agarrados a mim. Quero saber viver o momento. Quero estar de cabeça e coração inteiros. Quero que tudo corra bem: comigo, com os meus e com o país e o mundo. Quero ver o pôr-do-sol e o nascer-do-sol. Quero fazer praia. Quero ir para a piscina. Quero sair à noite. Quero aproveitar o verão. Quero ter férias. Quero que seja um ano leve, feliz e feito de mudanças bonitas.

30
Dez20

Em 2020

Manga Meia-Loira

2020 foi um ano relativamente simpático para os meus lados. Foi de certa forma uma continuidade de 2019 e daquilo que vinha de 2019, ainda que com planos interrompidos pela pandemia. O ano começou de forma calma e com o coração em paz. Começou com a confirmação de que a vida dá voltas, às vezes mais rápido do que pensamos, e no caso foi bom. Depois veio a apresentação da minha tese de mestrado e vivi um dos dias mais bonitos da minha vida, em fevereiro. Fui muitíssimo bem acompanhada, o meu pai atravessou metade do mundo de proprósito, estiveram lá as minhas amigas de curso e vivi um dia perfeito. Almoçamos todos e depois ainda demos um passeio. Comecei março a achar que ia entregar os relatórios da Ordem em abril e fazer o exame em junho. Comecei março com uma viagem marcada entre amigos para Barcelona. Na segunda semana a pandemia começou a parar o país (e o mundo) e eu fiquei um bocado à toa. Já não fui a Barcelona, os voos foram cancelados, a entrega dos relatórios foi adiada e o exame foi adiado. Pelo meio lidei com uma Ordem que foi uma verdadeira (des)Ordem e teve atitudes deploráveis que nos deixaram angustiados. Primeiro disseram que nada seria adiado, vivemos na incerteza, depois disseram (quando isso já há muito era inevitável) que afinal ia ser tudo adiado. É no meio disto que tenho muito a agradecer a 2020: consegui ter sempre paz interior e calma, consegui sempre lidar de forma muito pacífica e certeira com tudo, consegui sempre ir continuando o caminho quando ninguém sabia bem o que se estava a passar ou o que se ia passar. Aliás, acho que até fui relativamente feliz durante a quarentena (por muito que me custasse não poder sair, não poder jantar fora, não poder estar com as pessoas e tudo isso). Depois, como aconteceu com muita gente, nunca tive um ano com tantos dias e semanas consecutivas em casa, nunca andei tanto de chinelos de quarto e nunca conduzi tão pouco. A quarentena foi passado entre o estudo para o exame, difícil porque ninguém sabia quando ia ser, foi passada entre passeios pelo jardim, videochamadas com amigos e muitas séries. Foi, para lá de tudo, um tempo calmo e até relativamente feliz. Depois passamos a ter datas definidas para o exame, veio o verão e tudo melhorou. Consegui ir muitas vezes jantar fora e foi muito bom, consegui ir algumas vezes a um bar e também foi muito bom. Acabei os relatórios que faltavam. Acho que no verão conseguimos todos ter uma amostra de normalidade e isso ajudou. Depois comecei o curso de preparação para o exame e setembro e outubro foram os meses de estudar até à exaustão. Pelo meio recebi um e-mail a pedir para suprir irregularidades nos relatórios, chorei desalmadamente com isso, depois foi admitida a exame e fiz o exame. Estava calma mas sei que falhei em coisas que não devia ter falhado. Ainda não temos resultado. Escolhi o primeiro exame e precisei de ajuda para fazer essa escolha (espero que tenha sido uma boa escolha). 2020 também me trouxe dois (quase) sustos com a covid, quando houve a possibilidade de duas pessoas próximas estarem infetadas e me terem infetado, mas os resultados delas foram negativos. Escapei (penso eu) à covid e os meus também escaparam. Ninguém próximo de mim testou positivo, o que é muito bom. Depois do exame aproveitei: tenho dormido, tenho passeado, tenho lido, tenho visto séries, tenho visto televisão, tenho escrito, tenho andado atrás do sol e dos passeios na praia. Faz hoje dois meses que enteguei o exame e estes dois meses deram-me o tempo, o espaço e a energia que eu precisava. Saí daqueles exames exausta, cansada, abananada e com perda de peso. Estes dois meses foram, na medida certa, o descanso e o espaço que eu precisva para recuperar forças a abaraçar o que o caminho tem para me dar. 2020 também foi o ano em que os meus pais adiaram as viagens, a vinda deles e o sonho que os vai trazer de volta. Esta parte custa-me, é dura e espero que tudo prossiga em força em 2021. 

Em resumo, foi um ano calmo, bom e pacífico, um ano com conquistas, e um ano em que eu e os meus tivemos vida, saúde e sonhos. Isso é tudo. Foi um ano de paz e continuidade.

28
Dez20

2020 em resumo

Manga Meia-Loira

2020, sendo o ano atípico que foi e tendo virado o país e o mundo do avesso, trouxe ainda assim lições e ensinamentos que devemos guardar sempre. Por entre a pandemia e a fragilidade da vida, acho que fomos todos obrigados a rever prioridades e a refletir sobre o que verdadeiramente importa.

Quanto a isso, e já há uns dias que tive este pensamento, acho que 2020 nos veio dizer em letras grandes que a vida e a saúde são mesmo o mais importante. Enquanto tivermos vida e saúde, teremos sempre caminho e sonhos para percorrer; teremos sempre esperança e desenhos de futuro, teremos sempre estrada para andar. E afinal, como canta Jorge Palma, enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar. Mais ou menos a direito, com mais ou menos curvas, com mais ou menos luz, a gente vai continuar. Haja vida, saúde e estrada. Haja sonhos e caminho para percorrer. 

Isto é consequência de 2020 e é para guardar sempre, mesmo quando a palavra covid for uma memória distante (e que o seja rapidamente).

24
Dez20

Então é natal

Manga Meia-Loira

Não, também não vou ter o natal que queria ter (ou o que seria perfeito para mim). Ainda assim vou comer muito, beber muito, rir muito, aproveitar muito e agradecer pelas pessoas que tenho e por tudo o que tenho. Natal também é - sempre - ter esperança. Acreditar, ter fé e esperança. Agradecer por nós e pelos nossos; agradecer por termos vida, saúde e sonhos. Acreditar e ter esperança: em dias mais bonitos e em natais mais bonitos.

Hoje vamos agardecer e acreditar. Vamos ter fé e esperança. 

16
Dez20

Sobre a sorte imensa de se viver em Portugal

Manga Meia-Loira

Para começo de conversa, devo dizer que já vivi sete meses da minha vida fora, mais propriamente no Canadá, há uns anos atrás. Isso muda logo a perspetiva. Se para quem nasceu e cresceu em Portugal, aquilo que temos de bom até pode ser um dado adquirido, quando vivemos fora alguns meses começamos a perceber que devemos mesmo valorizar o que temos de bom em Portugal. Eu própria não tinha bem noção deste privilégio que é nascer, crescer e viver em Portugal. Sucede que, fruto de coisas da vida e de decisões dos meus pais, há oito anos eu estava a entrar na universidade e eles decidiram que iam viver para o Canadá, sendo que eu fui com eles (um bocadinho por arrasto, confesso). Fui na condição de ir para lá estudar inglês e tentar entrar na universidade. Se eventualmente não gostasse, tinha a vaga na universidade garantida aqui. Não precisarei de dizer que voltei mais rápido do que fui, e que fiquei lá sete meses porque o curso de inglês a isso me obrigou. Estive lá de outubro a maio (descobri, portanto, as maravilhas do inverno canadiano em primeira mão e sem anestesia...e que bom que - não - foi!). Tudo o que eu posso dizer sobre isso é que a experiência serviu para confirmar a certeza de que não sou nada nómada, nem viajante, nem emigrante, nem aventureira. Nasci para ficar. E que bom que é nascer para ficar e viver no verbo ficar (que me perdoem mas o verbo ir não é par mim). Depois, podia dizer mil coisas sobre como achei o clima horrível, sobre como a cidade gigante em que estava me sufocava, sobre como as pessoas me pareciam estranhas, sobre como a cultura e a forma de ser eram tão diferentes de mim e do meu mundo, sobre a falta que senti dos sabores, das pesssoas e das paisagens portuguesas. Podia escrever mil coisas sobre como não é nada bonito viver com neve (é durante dois ou três dias, depois é só chato e a seguir é quase insuportável), sobre como os hábitos e horários e rotinas são tão estranhos, ou sobre como me senti o mais longe possível de mim e do que queria.

Isto para chegar ao ponto que queria: somos uns privilegiados em Portugal. Temos um clima espetacular. Temos paisagens únicas e lindas de viver. Temos praia por perto. Temos serra. Temos cidades lindas. Temos comida do melhor que há no mundo. Temos um país pacífico e seguro. Temos pessoas do mais genuíno e bonito que existe. Temos um país onde facilmente chegamos de uma ponta à outra. Escrevo isto porque, neste último mês e meio após o exame, tenho tido tempo livre (coisa que não tinha há muito tempo, para não dizer há muitos meses ou anos) e tenho aproveitado para passear. Sem ir para longe, sempre que posso aproveito e vou. Vou à praia cheirar o mar, vou à cidade ver as ruas bonitas, vou à serra ver a paisagem, subo a cidade para ter vistas bonitas. Não é a primeira vez nestes últimos tempos que fico espantada com a beleza do pôr-de-sol na praia, que fico espantada com a beleza das paisagens que encontro, que fico espantada com o clima que temos. Hoje fiz o mesmo: peguei e fui passear à praia. Um dia lindo, lindo. O tempo estava tão bom que continuei e fui pela costa abaixo. Ainda apanhei os raios do pôr-do-sol ao vir embora. Não precisei de muito: bastou pegar no carro e andar um bocado. Só isto. Ao nosso dispôr. Lindo. Único. Não sei se pareço um bocado deslumbrada (na verdade cresci habituada a ir à praia e nada disto é novo), mas talvez seja porque agora tenho um tempo e um espaço para apreciar as coisas que há muito tempo não tinha. A luz que temos aqui, o sol, as paisagens, a comida, a simpatia das pessoas e tudo o resto são algo único. Haverá mais países assim (lembro-me de Itália, por exemplo) mas nós temos uma sorte imensa por vivermos aqui. Temos mesmo e somos uns privilegiados. Quanto a mim, vou só continuar a agradecer por ter este país lindo ao dispôr e por ter a sorte imensa de ter nascido e crescido e de viver aqui. Vou continuar a aproveitar o que temos de melhor e vou tentar lembrar-me sempre disto, mesmo quando o tempo livre for menor. Vamos agardecer mais e aproveitar mais. Vamos lembrar-nos disto. Vamos olhar para a luz e para o sol que temos. Vamos apreciar a comida. Vamos aproveitar a hospitalidade e simpatia das pessoas. Vamos agradecer também por termos sistemas de saúde e de educação tendencialmente gratuitos (quanto a isto nem me vou alongar muito, mas não me perguntem quanto é que tive de pagar por um simples curso de ingês numa universidade canadiana porque foi uma fortuna... nem me perguntem quanto é que um tio meu pagou por ficar internado uma noite nos Estados Unidos porque também foi para lá de uma fortuna). Antes de resmungarmos de tudo e mais qualquer coisa, vamos pensar em tudo aquilo que Portugal nos dá de bom. A maior parte das coisas são tão simples e tão acessíveis a qualquer um de nós. Vamos agradecer e aproveitar. Eu sempre que puder vou continuar à procura do sol e das paisagens bonitas. Na praia, no topo da cidade ou no campo. 

Esta fotografia é só em exemplo. Foi tirada em fevereiro de 2019 no norte. Quanta sorte temos nós por conseguirmos assistir a algo assim em pleno inverno?

Pôr do sol.jpg

 

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