A meia-loira escreve a tese #4
O primeiro capítulo da tese está quase pronto a enviar para o orientador. 52 páginas. Mais uns toques e envio. E eu só posso estar imensamente grata a mim, aos meus e à vida por isso. Para lá do estágio e das aulas da Ordem. Para lá da falta que a família me faz e que tantas vezes me deixa sem chão e sem forças; para lá do coração desnorteado e descompassado e perdido, tantas vezes como se estivesse disperso em pedaços; para lá dos momentos de picos de ansiedade; para lá dos momentos em que parece que nada vai mudar e nada de bom acontece nunca; para lá do desânimo e da descrença... eu fiz, eu estou a fazer. E isso para mim vale mais do que tudo. É um trabalho solitário, muito solitário, e implica um longo caminho de motivação e frustração e motivação e frustração. Sempre o soube e isso sempre me assustou. Demorei muito, mesmo muito, a começar. Foi dificílimo conseguir começar. Para lá da vida que acontecia todos os dias, e que nestes meses tem sido dura, aos tropeções e muitas vezes com momentos de dor e frustração, a ideia de começar e a força de continuar são sempre coisas díficeis. Tinha de o fazer. Tenho de o fazer, antes e para lá de qualquer outra coisa. Esta tese tem de continuar a desenvolver-se e tem de nascer e ser entregue. É verdade que pensei que ia ser pior... até tenho medo de dizer isto, mas a escrita tem corrido dentro do normal, tem sido horas tranquilas, e só tive um dia em que atingi o pico da frustração e tive vontade de chorar, e gritar, e atirar o tapete o chão, e jurar que acabava ali tudo e não fazia mais nada. Foi só um dia, o que é incrível, e em todos os outros dias foi tudo muito tranquilo. É verdade que eu adoro o tema, e dentro do tema estava a escrever sobre a parte de que gosto mais, mas só queria mesmo que fosse assim até ao fim. Ainda falta muita coisa: falta a sugunda parte, falta desenvolver a parte crítica, falta a introdução, falta a conclusão, falta o índice, falta mesmo muita coisa. Mas eu, por entre ventos e tempestades internas, e ainda que tarde, tive a força de a começar e ir continuando. E caramba, tenho, pelo menos por agora, direito a 10 segundos de glória (Antes de receber as correções e ter votade de atirar tudo ao ar e chorar ahahah). E hoje reecontrei isto... isto que eu encontrei na licenciatura e tive vontade de espetar no teto do quarto para ser a última coisa a ler antes de dormir e a primeira coisa a ler ao acordar e começar o dia. Isto... que me relembra, afinal, porque é que tenho de fazer nascer esta tese.... isto.... que me relembra, a final, a essência de que sou feita.

