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Manga Lima

Manga Lima

25
Abr19

A vida (pouco ou nada) amorosa também é...

Manga Meia-Loira

É sobre respirar

E continuar

E respirar

E continuar

E sorrir com aquele sorriso amarelo que leva um esforço gigante

E fingir que está tudo bem

E atropelar o coração e as feridas e os sentimentos

E fingir que está tudo bem

E ouvir palavras que nos marcam e magoam mais que um estalo dado com toda a força

Porque já não queremos nem gostamos mas temos de nos perguntar se não é de propósito ou se não há ali um bocadinho de malvadez... se não há ali um bocadinho de vontade de pisar e repisar feridas

E respirar

E continuar

E fingir que está tudo bem

E sorrir com aquele sorriso amarelo que é o possível

E pensar no que virá

E pensar como será... ou quão mau será

E pensar quanto tempo demorará

E esperar que um dia

Um dia

Nos braços de um amor verdadeiro, vivido e sentido

Tudo faça sentido

E os caminhos sombrios e infinitamnete duros e dolorosos sejam só uma lembrança indiferente

E respirar

E continuar

E fingir que está tudo bem

E esperar que um dia

Um dia

O coração volte a viver inteiro e por inteiro no meu peito

E desacreditar e fazer um esforço gigante para acreditar que um dia

Um dia

Tudo terá valido a pena

E repirar 

E continuar

E perguntar quanto mais tempo será preciso fingir que está tudo bem

E respirar

E continuar

E esperar que um dia

Um dia

A vida seja justa e nos faça bater palmas por dentro porque há lágrimas e rasgões de alma que terão de ser pagos

Um dia

Nunca mais terei de perguntar até quando esta dor será sentida

Um dia

Nunca mais terei de perguntar quando encontrarei um amor 

Um dia

Um dia conto que tenho um amor, ou O amor

Um dia vivo esse amor verdadeiro

Um dia estarei nos braços desse amor e nada mais importará

E um dia

Nos braços desse amor 

Poderei dizer que a vida, afinal, é justa, e o amor também é justo

Numa premissa repetida até à exaustão que se tornará verdade enfim 

Um dia

Farei questão de me lembrar das fotografias naquele sábado de dor

E da praia naquela ilusão de verão

E da repetição da ideia de casamento de ontem

E numa equação cujo resultado me dará sempre vitória

Sorrirei e terei só uma ponta de pena

E como estarei inteira e feliz e sairei vencedora

Sorrirei e ficarei calada, porque a vida há-de ter falado e ajustado contas por mim

E serei amor, daquele real, vivido e sentido

E nada mais, muito menos isto, importará

E eu estarei feliz

E saberei que a vida é justa e o amor também

Enfim

 

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