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Manga Lima

Manga Lima

02
Dez18

Luz de Dezembro

Ju

Ontem começou Dezembro. Começou a magia do Natal, do amor e da família. Ontem, por mero acaso, estava a almoçar com amigas na cidade e era a tarde de ligarem as luzes da árvore. A tarde acabou comigo a passar pela árvore com a Sara ao som de "All I want for christmas". Naquele mar de famílias e crianças, tudo o que senti foi um buraco no coração. Não tenho os meus pais cá. Não tenho a minha criança, a minha irmã, cá. Não tenho um amor que me abrace para ajudar a colmatar essas faltas.

O meu coração desfez-se em pedaços naquele momento em que viu a árvore rodeada de famílias, luzes e amor ao som de "All I want for christmas is you". É demasiado para um só coração não ter a base-família. Fico sem chão. É demasiado para um só coração ter uma paixão por alguém que quer, não quer e não sabe o quer mas também não sabe largar-me. Fico sem coração e sem forças, não quero sequer ouvir a música que passa e espelha bem o que sinto. Dói, dói e não é pouco, caramba. É uma ferida inteira de uma ponta à outra.

 

Dezembro começou e eu comecei o dia a ler um blog que falava de sonhos, do sonho de ter um filho. A autora escrevia, há um ano, que já não tinha forças para acreditar que a vida lhe daria, um dia, um filho. Era uma descrença profunda que doía ainda mais em épocas como o Natal...e assim continuou até Abril deste ano. E fiz questão de voltar atrás e ler quase tudo porque, um ano depois, ela está a dias de ser mãe. O sonho tornou-se realidade, e ela a partir de Abril descobriu que ia ser mãe. Precisei de ler isso porque, no primeiro dia desta época em que as ausências me vão despedaçar ainda mais o coração todos os dias, precisei de ver e ler histórias reais de sonhos que parecem impossíveis e se tornam realidade. Precisei de acreditar, ainda que por breves momentos, que daqui a um ano tudo estará diferente. Precisei de acreditar profundamente que, quando daqui a um ano abrir este blog para escrever, serei uma pessoa diferente... serei a filha que já pode ser filha e reaprende a viver a magia do Natal em família, serei a irmã que já pode ser irmã e aprende a ser irmã-colo e irmã-presente e leva a pequena a ver as luzes, serei a namorada que vê as luzes da árvore nos braços do seu amor aprendendo o significado da vida a dois e sabendo que o que nos salva é o amor.

 

Ontem Dezembro começou e eu precisei de acreditar (não acreditando). Eles podem sempre não voltar e podem nem voltar quando eu acho que voltarão. O mais provável é eu nem ter um amor daqui a um ano ou, pior que isso, continuar de coração desfeito. Não, não consigo acreditar que daqui a um ano serei a filha e irmã que a vida não me tem permitido ser. Não, não consigo acreditar mesmo que daqui a um ano estarei nos braços de um amor lindo a ver as luzes. Mas ontem precisei de ler uma história com um final feliz, precisei de ler uma história de descrença que no espaço de um ano acabou bem. Precisei de ver e ler que a vida, sendo uma surpresa, às vezes é uma surpresa boa. Tudo está bem quando acaba bem.

 

Daqui a um ano, assim a vida o queira e eu o possa, irei com os meus pais e com a pequena ver as luzes. Daqui a um ano, assim a vida o queira e eu o possa, irei com o meu amor ver as luzes. É pedir muito? É, é pedir tudo e pedir logo tudo de uma vez. É impossível? Não, porque se fosse perdia a força para me levantar da cama todos os dias. 

 

Palavras para 2019, palavras para daqui a um ano? Luz, Luz e Luz. Luz no coração, na cabeça e na alma. Luz. Luz que me guie para, daqui a um ano, atravessar o chafariz com a minha família. Luz que me guie para, daqui a um ano, atravessar o chafariz com o meu amor.

Que daqui a um ano o meu coração transborde família e amor, e esteja com a família e com o amor, quando vir as luzes. Que transborde e me deixe de sorriso aberto e verdadeiro de uma ponta à outra. Este blog será o primeiro a saber. Eu serei a primeira a recordar e ressignificar este texto, escrevendo o do próximo ano com outra luz. Luz. E amor. 

 

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