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Manga Lima

Manga Lima

30
Dez19

Em 2019

Manga Meia-Loira

Em 2019: Comecei o ano doente e com dores de garganta. Os meus pais disseram-me que ainda não era este ano que voltavam e fiquei arrasada. Passei um mês de janeiro estranho, entre o muito mau e o muito bom. Fiz uma consulta que me deixou a sorrir desalmadamente por dentro e por fora. Tive aulas da Ordem todos os santos dias durante bastantes meses e fui muito feliz com isso. Fiz quilómetros e quilómetros de autoestrada todos os dias para as aulas da Ordem e foi bom. Sorri muito com a minha amiga que me acompanhou em todas as aulas e viagens. Partilhamos histórias, vivências, desejos e aprendemos muita coisa. Tive uma das conversas mais difíceis da minha vida sobre amor e desamor e arrumei e apaziguei muitas coisas dentro de mim com essa conversa. Fiquei completamente perdida logo a seguir, custou-me por tudo aquilo que ouvi mas nunca duvidei por um segundo que era o melhor que podia ter feito por mim. Estive em Budapeste. Inundei a casa de banho e (quase) o quarto de hotel em Budapeste. Adorei a cidade e a viagem foi uma lufada de ar fresco. Estive em Milão, comi as melhores pizzas de sempre e sorri muito. Andei semanas e semanas às voltas com a ideia de escrever a tese e a achar que nunca a ia conseguir escrever. Escrevi a tese. Entreguei a tese. Já tenho data apresentar. Fui infinitamente feliz a escrever a tese e ainda mais quando a entreguei. O meu pai esteve presente e esteve ao meu lado na fase em que mais precisei e mais quis tê-lo comigo, sem ele imaginar. Vi a pessoa de quem gosto começar uma vida a dois e uma "casa" com outra pessoa. Vi a relação dessa pessoa de quem gosto a quebrar, nunca imaginei que fosse acabar mas acabou mesmo. Consegui libertar-me finalmente e de uma vez por todas do café. Fui infinitamente feliz no momento em que largamos as chaves e saímos pela porta. Ganhei saúde, vida, paz e alegria por me ter visto livre daquela casa. Tive reuniões com o meu orientador, fui muito chata com ele mas acabamos por nos rir e partilhar ideias. Estive em Toronto. Fui ao aquário de Toronto. Tive conversas e sonhos partilhados que foram muito importantes nessa viagem. Vi o sonho dos meus pais crescer, ganhar vida e materializar-se ainda mais. Vi a casa a ganhar escadas, casas de banho, tubos, piso de cima, teto, forno e mais umas quantas coisa. Fiz (muita) psicoterapia. Ganhei força anímica e ânimo para levar sonhos em frente e para acreditar sempre em mim e na vida. Fiz muitas vezes a estrada das duas igrejas. Fui muitas vezes conversar com uma pessoa muito especial sobre a vida e sobre o futuro. Tive muitos jantares com amigas. Tive bastantes jantares com elas em minha casa. Elas salvaram-me muitas vezes o dia e a semana, sobretudo nos sábados de fevereiro. Tive muitos cafés e passeios com os meus amigos. Celebrei o meu aniversário com os meus amigos, sorri, fui feliz e provei a mim prórpia que sou capaz de ultrapassar tudo. Bati com o carro porque estava distraída a pensar nos amores e desamores. Sorri muito no trabalho. Sorri muito com os clientes. Irritei-me com alguns clientes. Assisti a muitos episódios em tribunal e gostei de muitos deles. Ganhei uma paz incrível, que sempre tive e que esteve destruída durante todo o ano de 2018. Li pouco, para não dizer muito pouco. Às vezes tenho vontade de me zangar comigo prórpia porque queria e devia ler muito mais. Fiquei rendida à Netflix. Vi Casa de Papel, Suits, Maternidade e Desapontamento, Marlon, Criminal, How to get away with murder, estou a ver Friends e vi também muitos filmes. Tive um agosto calmo e voltei a descobrir o bom que era adormecer simplesmente no sofá a meio da manhã ou a meio da tarde. Descobri (ou redescobri) como era bom almoçar em casa. Foi maravilhoso em muitos dos dias e quase que me salvou muitos deles. Acarretei o que os meus pais tinham no apartamento da praia. Assinei o contrato promessa desse apartamento e depois o contrato de compra e venda e fui muito feliz com isso. Voltei lá, há três semanas, porque larguei a chorar do nada e quis ir para um sítio que me remetesse para a minha infância tão feliz (aliás, larguei a chorar porque este dezembro foi um mar de emoções). Fui muito feliz lá. Comecei a tomar a pílula e senti-me verdadeiramente crescida. Vi o pôr-do-sol. Não me lembro mas acho que também cheguei a ver o nascer do sol. Fui buscar o meu pai ao aeroporto. Fui recebida pelo meu pai no aeroporto. Insisti muito com o meu pai para ele estar cá na apresentação da minha tese, ele não deve poder vir mas vou esgotar todas as tentativas e possibilidades. Saí menos à noite mas também não tive vontade de sair mais. Saí o suficiente. Descobri duas pizzarias muito boas. Descobri que posso comprar mega hambúrgueres daqueles bons ao lado do meu escritório e comê-los no sofá de casa. Chateei muito - assim mesmo muito - as pessoas que andam a trabalhar na obra dos meus pais. Bufei, resmunguei, disse palavrões para mim própria e tive de respirar fundo muitas vezes porque as obras são muito lentas, é tudo muito lento, e eu quero a "casa" pronta para ontem. Adorei ver o Rei Leão no cinema. Quis inscrever-me na natação ou na hidroginástica mas a preguiça ganhou. Comecei a estudar para o exame da Ordem. Recebi uma notícia péssima no que respeita ao café. Quero muito acreditar que essa notícia no final vai ser algo de bom: o ponto final que eu tanto quero. Quis muito gostar de outra pessoa, em quase todos os dias do ano, mas não fui bem sucedida. Acho que me fui desligando das coisas dos amores e isso afinal pode ser bom. Quase não comprei roupa porque simplesmente não me apeteceu nem tive paciência. Comecei a segunda fase do estágio. Fiquei preocupada com a saúde da minha mãe mas esteve sempre tudo bem. Estive no funeral do pai de duas amigas minhas e no caso da primeira saí de lá completamente desfeita. As minhas amigas amigas mais uma vez salvaram-me, naquela noite que foi a calmaria depois da tempestade. Comecei a perceber que não quero - e não quero mesmo - exercer e continuar na profissão depois do estágio. Dei todos os mimos do mundo ao meu cão, dei abraços e tirei montes de fotografias com ele. Não quis viajar no natal. Vi as previsões quase todas que apanhei quanto ao meu signo para o ano 2020 e são tão boas que tenho assim muitas, muitas dúvidas. Fiz uma consulta de astrologia. Ouvi coisas que tive a certeza quase absoluta - assim nos 95% - que nunca aconteceriam e afinal aconteceram mesmo... e aconteceram no tempo das previsões astrológicas. Nunca mais duvido da força dos trânsitos astrológicos ou da tendência que eles revelam. Decidi, assim na loucura e porque eles fizeram pressão, abrir a minha casa pela primeira vez aos meus amigos na passagem de ano. Passei momentos muitos bonitos e especiais com o meu pai no tempo que ele passou comigo. Quis sair do trabalho cedo todos os dias - nem é cedo, é a horas decentes - e consegui isso muitas vezes. Entreguei dois ramos de rosas vermelhas em sinal de agradecimento. 

 

Assim em resumo: foi um ano do qual gardarei para sempre memórias bonitas e felizes. Foi um ano de paz. Um ano de recuperar força e vida. E pelo meio vendi o apartamento, escrevi e entreguei a tese, libertei-me do café e vi o sonho dos meus pais crescer. Só tenho que agradecer - e agradecer muito. Fui feliz com este 2019.

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