A vós, avós, minhas quatro estrelas no céu. A vós, agora que tudo é tão desesperante e doloroso. A vós, agora que tudo está tão negro e já não há luz nem saída deste túnel sem fim. A vós, na esperança, já tão enfraquecida, de que um dia a luz pode voltar a iluminar.
A ti, que não conheci, pelas histórias que vou ouvindo e pelo carinho com que todos falam de ti.
A vós os três, que me conheceram, ouviram e aturaram, sempre com toda a doçura e amor do mundo.
A ti, que apesar de não teres estado tão perto de mim, fizeste sempre parte de momentos especiais, pela pessoa afável e carinhosa que eras, pelo sorriso aberto e doce e pela amabilidade e carinho que todos sempre tiveram por ti. Foste o primeiro a ir embora e a primeira pessoa a morrer em toda a minha vida, deixaste-me confusa, mas percebi que as pessoas não devem acabar aqui, devem sim, continuar para sempre num lugar especial da nossa memória e do nosso coração.
A vós os dois, pilares de tudo e de sempre, que ainda estais tão presentes, tão só à distancia de dois pares de escadas. Por tudo, e um tudo que é tanto! Pela família que criaste, e nem tenho palavras, simplesmente é tudo o que se pode desejar enquanto família. Pelo amor e casamento que tivestes, exemplo máximo e intemporal. Pela dedicação à família e capacidade de trabalho e construção de sonhos. Pela garra lusitana e força inquebrável inegostável. Pelos valores de união, de família, de amor, de dedicação, de tudo o que significa construir laços inquebráveis. De tudo o que significa SER família. De tudo o que significa sermos, intrínseca e indubitavelmente, uns dos outros, conjunto de um todo que apenas se completa com todas as peças. De tudo o que significa construir um lar de calor e amor, um lar de paz e família, aconchego e protecção, doçura e carinho. Porque um dia dia escrevi "Permanecerás(eis) nos nossos corações através do pedacinho de ti(vós) que fica em cada um de nós", e esse pedacinho, tão grande, esteve, está, e estará sempre aqui, sempre em nós.
A ti, mulher de garra, mãe e avó, pilar de tudo e todos. E ainda consigo ouvir o teu riso e sentir o seu cheiro. E ainda tenho a tua cara e a tua voz em mim como se estivesses aqui à beira. E ainda te consigo ouvir chamar por mim. E ainda te consigo imaginar no meio de nós (e nós, que já perdemos o meio há tanto tempo.. e tu deves conseguir sentir a dor que é!). E ainda ontem estávamos todos juntos sentados num dos melhores jantares de Natal de sempre, com o calor do amor, do Natal, da família e da lareira, num momento de verdadeira luz e paz interior. E ainda ontem ficaste doente. E ainda ontem foi essa passagem de ano meia triste em que a única pessoa com o coração colorido à espera de um novo ano (e futuro) luminoso que se aproximava era eu (e como conseguimos sentir tão verdadeira e genuinamente coisas que depois não acontecem? como? um dia gostava de perceber). E ainda ontem foi aquela terça-feira em que a caminho da viagem para casa a cara da A. me disse aquilo que não estava à espera. E ainda ontem foi essa terça-feira em que entramos por aí dentro e nos abrçámos à tua menina a chorar. E ainda foi ontem que pegámos num papel para te escrever uma mensagem final e te deixámos partir guardando em nós cada pedacinho de ti no coração. E ainda foi ontem, e agora o ontem já foi há mais de 365 de dias. E tu foste-te, depois foi ele, a seguir foi o nosso meio e com ele foi-se tudo. E com tudo fui-me eu também, mas agora quero é falar de ti e de vós.
Por último a ti. A ti, olho azul mar e azul-céu sempre com o sorriso a nascer das bochechas. A ti, e à tua voz ainda tão viva. A ti, ao teu coração do tamanho do mundo e bondade e do tamanho do universo. A ti e ao teu brilho nos olhos cada vez que nos vias pela primeira vez a cada dia. A ti, nome de pai de Jesus e coragem de lutar como a de Deus. A ti, construtor de sonhos e impulsionador de vontades. A ti, e à tua força e coragem de sempre, exemplos a seguir - quando for grande quero ser assim também. A ti, e à tua vontade de ferro e capacidade de resistência inigualável - acho que fui buscar um pouco disso aos teu genes! A ti e ao teu "menina" que te saía pela garganta fora com uma doçura especial. A ti, e aos teus resmungos tão característicos. A ti, e à tua infinita dedicação à família. A ti, e ao teu infinito amor à família. A ti, e a todo o teu mérito na "casa-família" unida e especial (tão que nem consigo dizer mais nada!) que também construíste. A ti, e ao obrigado que também te devemos pelo legado que te herdamos. A ti, e aos valores, preciosodade desse legado intemporal em nós. E ainda ontem estávamos juntos a comemorar esse Natal especial. E ainda ontem estávamos juntos a almoçar, e a jantar, e a conversar. E ainda ontem ela foi embora. E ainda ontem tu ficaste irremediavelmente triste e vazio por isso. E ainda ontem estava eu sentada à espera da A. para almoçar e, mais uma vez, (porque há histórias que irónica e estranhamente se repetem de uma forma inacreditável!)a cara dela me disse tudo o que eu não estava à espera. Assim e sem palavras, elas não faziam falta e o resto estava dentro de nós nesse sítio chamado coração. E ainda ontem estávamos a escrever uma última mensagem antes te deixarmos partir. E ainda ontem estavas a ir embora e nós atarefados a cuidar de quem nesse momento não se aguentou. E ainda ontem te foste, e ainda agora estás aqui, no coração e com o teu sorriso do tamanho do mundo e olhos que vão do céu ao mar apenas numa cor. E ainda ontem te foste, e já passaram quase 365 dias e 180 graus de mudança nas nossas vidas. A ti, pai e avô, pilar de sempre. A ti, e ao exemplo que deixas. A ti, e ao pedacinho de ti que deixaste em nós, tão grande que nos preenche quando te revemos o rosto, e a voz, e o azul dos olhos. A ti, hoje e sempre em nós e nos nossos corações.
A vós, os quatro, porque as estrelas iluminam e guiam no escuro da noite. A vós, os quatro, porque as estrelas sempre brilham e marcam caminhos, ainda que tudo seja escuro e invisível. A vós, os quatro, porque as estrelam servem para nos orientar e mostrar que isto não fica assim. A vós, os quatro, porque as estrelam nos devem fazer ver que o amanhã pode brilhar e acontecer. A vós os quatro, minhas esrelas do céu, hoje e sempre.
Joana