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Manga Lima

Manga Lima

26
Abr13

Aero(Porto)(s)

Manga Meia-Loira

Aeroporto. Aero(Porto). Pois bem. Primeiro era pequenina, e ficava fascinada com os aviões. Com as viagens de férias. E os aeroportos eram lugares, na minha ótica, bonitos. Lugares de partida e chegada para férias. Andar de avião era mesmo bonito. O lugar da minha primeira viagem de avião, das férias. Depois mudou tudo. Passou a ser o sítio de onde ele tinha ido embora. O sítio que, mataforicamente, o afastou de nós. E depois ainda o sítio que o trouxe de volta. O sítio que o levou a ele, e a nós por arrasto, a perder um Verão de dores. Depois foi o sítio de onde ele veio. E ficou. Mas tudo começou aí. Foi um ano de partidas e (não) chegadas. Um ano perdido entre os lados de cá e lá com aeroportos no meio. Um ano de feridas, também. Mas o ano passou. O natal veio e ele regressou, enfim. E tudo estava onde, quando e como tinha que estar. O aeroporto já não era sítio de dor. Mas também já tinha perdido o encanto. Passou a ser só um sítio. E pronto. Que dizer mais? Depois veio isto tudo e os aeroportos são agora, novamente, lugares de dor. Para mim. Para eles. Para nós. Lugares onde se deixa sempre algo para trás que dói. Porque está tudo dividido. Está tudo, mesmo, perdido. Entre cá e lá, entre voltas e (não) voltas. Entre perdidos e (não) achados. Entre incertezas, (des)crenças e esperanças. E pronto. Nunca gostei de despedidas. Das minhas, pois. Das que me doem na pele e no coração. E o aeroporto é o sítio delas. Se não o sítio, o que as realiza em nós. O que as materializa. Nunca gostei, mas neste momento parece que estou condenada a elas. Como uma desdita que não larga. Parece que estou condenada a sentir-me partida entre ocenos e aeroportos.

Há os das férias, lugares normais. Há o daqui, do sítio onde escrevo, lugar de estúpidas chegadas e, até agora, agridoces partidas. E depois há o meu. Bonito na hora das chegadas. Mas naquelas em que chegam todos os que deviam chegar. Bonito na hora de receber alguém. Acho que nunca conseguirei mais olhar para um aeroporto como sítio bonito. Há, simplesmente, marcas que não passam. Podem um dia cicatrizar, mas nunca serão "desmemorizadas". E tenho uma pena desmedida que assim seja. Tenho mesmo pena. Gostava de olhar para os aeroportos como sítios bons. Sítios que nos levam a conhecer novos sítios, sítios que nos levam onde queremos. Sítios, sobretudo, que nos trazem de volta. Gostava mesmo. Por agora são só os sítios onde a dor se materializa. De qualquer forma, foram sempre locais que me fascinaram. É mágica a parte das chegadas. Olhar a placa. Ver a pista. Esperar por alguém que queremos ter ao nosso lado. Olhar para a porta que se abre constantemente à espera que nos apreça quem nós queremos. Adivinhar quando é o momento. E sorrir. É quase terapêutico isto. É quando se percebe o que é sentir. O que é gostar tanto de alguém que o queremos ter perto. Ver como as pessoas se aproximam, se reencontram, se matam de saudades. Serei sempre desmesuradamente mais feliz na hora da chegada completa. Na hora de receber alguém. Com pronúncia do Norte. E a ribeira à vista. Sempre. 

E um dia ainda vou ser estapafurdiamente feliz no meu. No sentido que quero que seja.

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