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Manga Lima

Manga Lima

16
Mai19

Velhice e um nó no coração

Manga Meia-Loira

Hoje apanhei, no programa da manhã da Cristina Ferreira, a história de um senhor que ganhou um prémio e teria de o usar para pagar o funeral da mulher e as contas em débito na farmácia. Eu não vi em direto, vi quando passei a gravação durante a hora de almoço, e a minha tia contou-me logo como era a história... nem consegui continuar a ouvir e a ver aquilo. Deu-se-me um nó na garganta, no peito e no coração que mudei logo de canal e de programa. A velhice já é uma coisa complicada: porque não a imaginamos, porque não a planeamos, porque não nos preparamos, porque provavelmente teremos uma série de doenças difíceis, porque provavelmente precisaremos que cuidem de nós como se fossemos crianças, porque provavelmente perderemos capacidades e faculdades sem as quais não nos conseguimos imaginar a viver. Juntar a tudo isto a ideia de não ter dinheiro suficiente para o essencial é aterrador e é das imagens que mais me parte o coração. A ideia de uma velhice em que não podemos ter acesso ao essencial por falta de dinheiro, junta à ideia de uma velhice sozinha e sem família, deixam-me com um nó na alma que não sei explicar. Felizmente vi os meus avós terem o que precisavam e serem cuidados e amados até ao último dia de vida, mas a realidade mostra que muitas vezes acontece o contrário. Muitas, tantas vezes, o que acontece é alguém passar os últimos tempos de vida abandonado, sozinho e sem possibilidade de comprar o essencial. No caso deste senhor nem sei se ele tem ou não mais família, se tem o apoio deles ou não, mas seja como for fiquei de coração partido. Só espero, quando daqui a muitos e muitos anos os meus pais envelhecerem, poder dar-lhes todo o amor e conforto material. Só espero um dia, quando for eu a envelhecer, poder contar com todo o amor e conforto material possível. Ninguém, no mundo, deveria algum dia passar pela velhice sem amor e sem os bens materiais essenciais à vida. Caramba, logo eu que nem sou pessoa de sentimentos assim. Um dia, para além de um gabinete de assistência jurídica gratuita, crio um grupo de apoio emocional e material a idosos... assim talvez eu ganhe coragem de estar presente e apoiar e deixe de querer fugir para sofrer menos.

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